1. Um luxo. Em pleno mar da Galileia, Os seus discípulos/apóstolos lutam,
aflitos, contra a tempestade que ameaça desfazer a pequena embarcação no meio do mar encapelado (Mc 35-41). E em claro contraponto, «Jesus, à POPA, dormia deitado sobre uma almofada» (Mc 4,38). Não nos esqueçamos que a POPA é a parte traseira e o lugar de comando da pobre embarcação (a parte da frente é a proa). Jesus permanece no comando da nossa barca, da nossa vida, ainda que muitas vezes nem nos apercebamos da serenidade da sua condução. A presença da almofada na pobre embarcação e do sono sereno de Jesus marcam bem o tom doce e tranquilo deste condutor diferente da nossa vida agitada. Não é a nossa agitação que conta. É o seu sono tranquilo.
2. Canta bem a Liturgia das Horas da Igreja:
«Se me colhe a tempestade,
E Jesus vai a dormir na minha barca,
Nada temo porque a Paz está comigo».
3. Tu falas, tu fazes, tu chamas, tu ordenas. Todos os caminhos vêm de ti, vão para ti. És tu o Senhor de todos os chamados, de todos os reunidos, de todos os enviados. Tu és a casa, a mesa, o caminho, o vinho, o pão, o peixe. Velas por todos: pelos pais, pelos filhos, pelos irmãos, pelos desfilhados, pelos órfãos, pelos desirmanados. Vela por nós, Senhor, orienta a nossa barca, deita-te tranquilamente à popa (Mc 4,38): o teu sono sereno há-de serenar as nossas tempestades.
4. A tua palavra faz-se mansamente em nós (Lc 1,38), a nossa tenda alarga-se, invade-nos o espanto: quem são e de onde vêm todos estes? (Is 49,20-21). Sim, a nossa terra é bela e jovem (Sl 144,12), a nossa casa tem luzes em todas as janelas (Ez 36,33), os nossos campos cobrem-se de frutos (Lv 26,4; Sl 67,7; 85,13; Ez 36,29-30), as árvores de pássaros (Mc 4,32), aumenta o tempo da debulha, do canto, da vindima (Lv 26,5; Sl 126,6), multiplicam-se os nossos rebanhos, chegam carregados os nossos bois, estão repletos os nossos celeiros (Sl 144,13-14; Pr 3,10; Jl 2,24), cheios de vinho novo os nossos odres (Jl 2,24; Pr 3,10; Mc 2,22), a transbordar de azeite as nossas almotolias (1 Rs 17,14-16; 2 Rs 4,1-6; Jl 2,24; Mt 25,1-13), são de alegria os nossos dias (Dt 16,15; Sl 63,6; 126,2-3; Is 9,2; 65,18; Fl 4,4).
António Couto
Junho 21, 2009 ás 1:50 pm |
Eis o que acontece a quem é capaz de dizer:
“VEJO UM RAMO DE AMENDOEIRA”!
Apetece dizer-te, com as mesmas palavras que Jesus usou respondendo a Simão Pedro, no Evangelho de Mateus (16,17):
- És feliz, António, (…),”porque não foi a carne ou sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está nos céus”
(Nas tuas palavras, – que são PALAVRA – eu vejo o Espírito em acção!…)
Abraço grande,
Elisa
Junho 22, 2009 ás 1:35 am |
Não tenho muitos conhecimentos católicos e para mim o objecto “almofada” é novidade, uma linda novidade e pude entender o seu simbolismo aqui. Como sou muito de me pôr a pensar… O que será que acontece quando Jesus desperta na nossa barca?…
Paz e Bem!
Gosto muito deste blog!
Junho 22, 2009 ás 8:09 am |
Ó beleza descritiva, que nos eleva e nos encanta, e que tanto nos espanta, contrastando com a noite a verdade do dia, oferecendo na tempestade a bonança e a alegria, assegurando a todos nós, conhecidos e amados, em eterno alerta e vigia, a vitória sobre as trevas com a claridade de novos dias.
Obrigado, D. António Couto
Junho 22, 2009 ás 11:48 pm |
“Jesus, à Popa, dormia deitado sobre uma almofada.” Se Jesus se deita à popa, parte traseira da barca, e dorme serenamente, é porque confia em nós.
Obrigada, Jesus, por confiares em mim!
E é porque confias em mim que o mesmo acontece com os meus pais, os meus filhos, os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho e quantas vezes tantos desconhecidos.
O teu sono sereno acalmou todas as minhas tempestades.
Bem-haja, meu irmão em Cristo
Junho 23, 2009 ás 10:29 am |
Sempre ouvi dizer que Deus não dorme, mas o Filho, como humano que é, passou por essa necessidade, segundo nos diz a Bíblia em várias passagens.
Quando estamos a travessar o Cabo das Tormentas, muito por culpa do ’stress’ diário (muito trabalho ou a falta dele, problemas pessoais, etc.) custa-nos ver gente a dormir quando estamos todos aflitos para tentar salvar a embarcação e as nossas vidas, inclusive dAquele que está a dormir mansamente, cuja presença até passa despercebida.
Faz-me sentir a Tua presença serena na minha barca
Faz-me sentir que me acompanhas
Que os problemas do meu dia-a-dia o Teu coração arca.
Trabalha o barro das minhas entranhas
Para que Te vejam os meus olhos em luto.
Dou-Te o leme da minha Vida – faz dele usufruto!
Junho 23, 2009 ás 12:03 pm |
É um verdadeiro luxo, saber que a nossa vida é vigiada, minuto a minuto, pelo farol sempre atento que é Jesus e que Ele não nos deixa sucumbir, antes nos protege, em todas as tempestades.
Mesmo quando não o sentimos!
E quando não sentimos – tantas vezes não sentimos – não estamos serenos, embora interiormente saibamos que está lá.
Põe-nos à prova, vezes sem conta e tantas são as que não correspondemos! Mas não se vai embora, nem se desilude.
Muito obrigada a Jesus.
Bom S. João para todos (o Santo do deserto que agora festejamos com folia).
Obrigada a D. António, por tantas boas lições!
Junho 26, 2009 ás 1:55 pm |
Só um mergulhador das águas profundas da Bíblia,como D.António Couto, pode extrair ideias novas, sugestões surpreendentes,uma visão mística estonteante,destas pssagens evangélicas tão nossas familiares e tão pouco vividas.Este mar é nosso,a condução da barca é da nossa responsabilidade,mas Ele está na mesma barca; a seu tempo acalmará a tempestade e chegaremos a porto seguro, sempre com Ele.
Bem haja,D.António, por este segundos de meditação que proporcionou!
Agosto 25, 2009 ás 8:54 pm |
palavras importantes nesses tempos dificeis são sempre bem vindas