«De graça recebestes, de graça dai»


 

1. O TEXTO

Importa começar por ler o texto de Mt 10,6-15, dado que é o único texto dos Evangelhos que guarda as palavras do título desta comunicação: «De graça recebestes, de graça dai» (Mt 10,8) 1.

«10,6IDE primeiro às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7E INDO, anunciai, dizendo: “Fez-se próximo (éggiken: perf. de eggízô) de vós o Reino dos Céus”. 8Os doentes curai, os mortos ressuscitai, os leprosos purificai, os demónios expulsai. DE GRAÇA (dôreán) RECEBESTES (lambánô). DE GRAÇA (dôreán) DAI (dídômi). 9Não adquirais (ktáomai) ouro, nem prata, nem cobre para os vossos cintos, 10nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão. Na verdade, o trabalhador é digno do seu sustento. 11Em qualquer cidade ou aldeia em que entreis, procurai saber se há nela alguém digno, e permanecei lá até que saiais. 12Ao entrardes na casa, saudai-a. 13E se a casa for digna, vá a vossa paz sobre ela; mas, se não for digna, que a vossa paz retorne para vós. 14E se alguém não vos acolher (déchomai) nem escutar a vossa palavra, ao saírdes para fora dessa casa ou dessa cidade, sacudi o pó dos vossos pés. 15Em verdade vos digo: “No dia do julgamento, haverá mais tolerância para a terra de Sodoma e de Gomorra do que para essa cidade”» (Mt 10,6-15).

Importa agora salientar as palavras-chave que atravessam este texto: ir,/ anunciar,/ reino dos céus,/ graça,/ receber,/ dar,/ não adquirir coisas e riquezas,/ entrar em cidades, aldeias, casas,/ saudar,/ paz,/ acolher, não acolher,/ possuir e usar as pessoas como objectos.

2. PESSOAS COMO OBJECTOS

Estas últimas ideias – não acolher,/ possuir e usar as pessoas como objectos – são sobretudo sugeridas pela evocação de Sodoma e Gomorra, cujos habitantes, segundo a narração de Gn 19, não respeitavam o dever sagrado da hospitalidade e tratavam os hóspedes como objectos para possuir, usar e deitar fora, a seu bel prazer 2.
Um mundo em que as pessoas são tratadas como objectos não é um mundo humanizado pela doçura da palavra tenra, terna e frágil. É um mundo escravizado, objectivado, sodomizado. É um mundo em que as pessoas são objectos, e contam só como objectos, que posso comprar, possuir, usar, deitar fora. É o mundo da solidão . De facto, quando eu reduzo os outros a objectos, fico só no meio de objectos. Não há comunicação, não há acolhimento, não há recepção, não há a palavra que vai e que vem. Não há a graça do outro que me dá a vida. Há posse e violência. É aquele estado de solidão que, segundo a advertência enfática de Deus em Gn 2,18, não é mesmo nada bom (lo’ tôb), porque leva à morte a curto prazo.

3. A VIDA É GRAÇA
IDE (poreúesthe), imperativo, e INDO (poreuómenoi), particípio presente durativo. Respondendo a este imperativo e participando neste particípio, entramos e permanecemos sempre na estrada da liberdade, aberta por Deus a Abraão em Gn 12:

«1VAI para ti (lek-leka) do teu país, da tua parentela e da casa do teu pai, para o país que eu te farei ver» (Gn 12,1).

Não se trata só de uma viagem transitiva no mapa. Trata-se sobretudo de uma viagem intransitiva dentro de si mesmo, dentro da própria casa. Não se trata só de atravessar a terra. Trata-se mais de cada um se atravessar a si mesmo. Rumo à liberdade. Nem se trata de ir para outra terra, para a possuir. Mas para a ver. Não com os nossos olhos invejosos. Mas com o olhar de Deus. Como Deus no-la faz ver. Maravilhosamente.
A partir daí, todas as grandes figuras bíblicas andam nessa estrada sempre nova e carregada de surpresas, onde a água pode brotar até da árida areia e os lírios romper do rijo empedrado ou do alcatrão (Is 35,8; 43,19).
É também nessa estrada que andam os discípulos de Jesus desde a Páscoa até hoje, participando no particípio do Evangelho e da liberdade:

«15INDO (poreuthéntes) por todo o mundo, anunciai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16,15).

Não carregados, nem empurrados, mas LIVRES. Sem carga, sem cadeias, sem amarras. Vivendo de RECEBER e de DAR. Vivendo de GRAÇA e da GRAÇA.

Deixem-me recordar – porque não posso deixar de o fazer neste contexto – S. FRANCISCO DE ASSIS (1182-1226). Nasceu rico. Viveu a sua juventude em festas e folguedos. Tinha muitas coisas. Mobilizado para a guerra, foi feito prisioneiro e adoeceu. Voltou à sua terra de Assis, onde passou anos de convalescença e meditação. Tinha 26 anos, quando, em 9 de Fevereiro de 1209, foi à missa, e ouviu proclamar o Evangelho de Mt 10,6-14, exactamente a página do Evangelho com que abri esta comunicação. FRANCISCO ouviu essa página. As palavras voaram como pássaros, como pedras. E a PALAVRA caiu de mansinho, como um beijo, uma carícia, no coração de FRANCISCO. Nas trevas brilhou uma luz. Imensa e intensa. Como no outro caminho de Damasco. FRANCISCO mudou a vida toda. Abandonou tudo. Fez-se pobre e irmão de todos, para levar a todos a incontida e incontível alegria encontrada. FRANCISCO descobriu a pérola da fraternidade.

Tu, Senhor, Tu falas
E um caminho novo se abre a nossos pés,
Uma luz nova em nossos olhos arde,
Átrio de luminosidade,
Pão
De trigo e de liberdade,
Claridade que se ateia ao coração.

Lume novo, lareira acesa na cidade,
És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a ressurreição.

Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos,
Desavindos,
A remendar bolsas ou redes.

Sacia-nos.
Envia-nos, Senhor,
E partiremos
O pão,
O perdão,
Até que em cada um de nós nasça um irmão.

Novo nascimento. E de repente, olhando bem à nossa volta, «todo o ouro do mundo não passa de um punhado de areia» (Sb 7,9), e todo o haver é lixo (Fl 3,8). Ficamos então só a ver4, não navios, mas a ver que somos vistos e como somos vistos. Na verdade, Alguém nos olha de uma forma verdadeiramente nova. Vendo melhor, descobrimos sobre nós um olhar enternecido, puro, gratuito, maternal, e umas mãos maternais que carinhosamente nos embalam. Embalam esta vida nova que em nós está a nascer. Olhar e embalar. Como uma mãe que embevecidamente olha para o bébé que ternamente embala nos seus braços. A GRAÇA tem um rosto maternal. É este olhar de mãe. É este jeito materno de embalar.
Diz-se hen na língua hebraica. De hen deriva o nome próprio hannah, Ana. A acção de hen é hanan, fazer GRAÇA. De hanan derivam os nomes próprios yôhanan, João, e yôhanah, Joana, que significam «Deus faz GRAÇA». De resto, o grácil entrançado dos adjectivos «GRATIFICANTE e MISERICORDIOSO» (hannûn werahûm), por esta ordem ou na inversa – «MISERICORDIOSO e GRATIFICANTE» (rahûm wehannûn) –, aparece por treze vezes na Bíblia hebraica, e diz respeito exclusivamente a Deus 5.
Olhar agraciador o olhar de Deus que, por amor, se debruça sobre nós. É aqui que tudo principia. Começamos sempre por «encontrar GRAÇA aos olhos de Deus». Estamos todos depois desse olhar de graça, e estamos ainda nesse olhar de graça.

É depois desse olhar, e ainda nesse olhar, que MARIA pode exclamar:

«47A minha alma engrandece o SENHOR,/ e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,/ 48porque OLHOU (epiblépô) para a sua humilde serva» (Lc 1,47-48).

Porque OLHOU, OLHOU, OLHOU. Com esse OLHAR carinhoso e maternal e agraciador. Refere o Anjo que ela «encontrou GRAÇA aos olhos de Deus» (Lc 1,30). E é por isso, porque OLHADA por Deus, que ela é «a cheia de GRAÇA» (kecharitôménê) (Lc 1,28). GRAÇA ontem recebida e hoje conservada, como indica o particípio perfeito passivo do verbo charitóô.

E o místico S. João da Cruz também conhece bem esse OLHAR de GRAÇA que renova a vida, e escreve assim num dos seus belos poemas 6:

«Quando Tu me olhavas,
A sua graça em mim os Teus olhos imprimiam:
Por isso me amavas,
E nisso mereciam
Os meus olhos adorar o que em Ti viam».

O teu OLHAR em mim e o meu em Ti, para receber essa GRAÇA, e aprender a viver fazendo GRAÇA.

4. RECEBER – DAR – CONDIVIDIR

Eu posso viver centrado em mim, fechado em mim, de forma egoísta e egocêntrica. Notemos os exemplos mais flagrantes dessa maneira de viver expressos na própria Bíblia: «Eu, eu, e mais ninguém», diz Nínive, a grande cidade, no discurso arrasador de Sofonias (Sf 2,15). «Eu, eu, e fora de mim não há ninguém», diz a grande Babilónia, no corrosivo discurso de Isaías (Is 47,7.9). «Eu fiz-me a mim mesmo», diz o Faraó do Egipto, no discurso condenatório de Ezequiel (Ez 29,3). «Eu penso, logo existo», dirá, na mesma linha, Descartes.
Traduz muito bem esta maneira de viver o gesto muito bíblico da mão fechada, que em hebraico se diz yad. A mão fechada só serve para roubar, possuir, esconder e agredir, e traduz um homem enrijecido (sklêrós) e de coração enrijecido, dono e violento que não conhece graça ou dom. Por vezes acusamos Deus desta esclerose (Mt 25,24), mas é em nós que se anida essa esclerose (Mt 19,8).
O homem bíblico deve viver de mãos abertas (kaph). O Talmud, que é a sabedoria hebraica condensada em cinco milhões de palavras, refere exemplarmente que o punho cerrado representa a sabedoria do imbecil, que pensa que detém o mundo nas malhas da sua rede. E refere depois que, quando a mão inicia o movimento de se abrir, é como as pétalas de uma flor que se abre à vida. E acrescenta: é assim que floresce a inteligência. E, quando a mão se abre completamente, é a mão do sábio, que não retém nada, mas conhece o valor do encontro e do dom. E, cruzando agora as duas mãos abertas, ficamos com a imagem do «pássaro, livre, que voa» 7.
Mãos abertas para RECEBER. Para ACOLHER. Para DAR. Para REPARTIR, CONDIVIDIR.

Ainda passamos muito tempo no mercado. Podemos ficar viciados em comprar e viver cada um para si. Sem receber, sem acolher, sem dar, sem partilhar. Vejamos, no Evangelho, no chamado episódio da «multiplicação» dos pães, o modelo e o contramodelo:

«6,34(…) JESUS viu uma grande multidão e SENTIU MISERICÓRDIA (esplagchnístê) deles, porque eram como ovelhas sem pastor (cf. Is 53,6).
E COMEÇOU A ENSINAR-lhes muitas coisas. 35E tendo a hora adiantado muito, aproximaram-se d’ELE os discípulos d’ELE e diziam: “O lugar é deserto e a hora adiantada. 36MANDA-OS EMBORA, para que, partindo para os campos e aldeias à volta, COMPREM de comer PARA SI MESMOS” (heautoîs). 37Então ELE, respondendo, disse-lhes: “DAI-lhes vós de comer”. Dizem-LHE: “Partindo, COMPRAREMOS duzentos denários de PÃES (ártous) para lhes dar de comer?” 38ELE diz-lhes. “Quantos PÃES tendes? Ide ver”. E tendo sabido, dizem: “Cinco, e dois peixes”. 39E ordenou-lhes que fizessem reclinar a todos, em grupos, sobre a erva verde. 40E sentaram-se em grupos de cem e de cinquenta. 41E RECEBENDO (labôn) os cinco PÃES e os dois peixes, LEVANTOU OS OLHOS para o céu, BENDISSE (eulógêsen) e PARTIU (katéklasen) os PÃES e DAVA (edídou) aos discípulos d’ELE para que os pusessem diante deles, e os dois peixes repartiu para todos. 42E todos comeram e foram cheios, 43e recolheram doze cestos cheios de PEDAÇOS de PÃO e dos peixes. 44Os que tinham comido os PÃES eram cinco mil homens (ándres)» (Mc 6,34-44).

Salta à vista o modo não-acolhedor, mercantilista, consumista, egoísta e egocêntrico destes discípulos de Jesus, que propõem a Jesus que mande as pessoas embora, para que cada um compre de comer para si mesmo (Mc 6,36). O perigo espreita sempre que alguém passa a viver, a comprar, a acumular para si mesmo (heautô) (Lc 12,21; Rm 14,7) 8:

«21Assim acontece àquele que entesoura (ho têsaurízôn) para si mesmo (heautô), e não é rico para Deus» (Lc 12,21).

«7Nenhum de nós para si mesmo (heautô) vive e nenhum para si mesmo (heautô) morre; 8se vivemos, é para o Senhor (tô Kyríô) que vivemos; se morremos, para o Senhor (tô Kyríô) morremos» (Rm 14,7).

Da casa de Jesus não nos podemos ir embora. Do caminho de Jesus não podemos sair, dado que, diz Jesus:

«23Quem não junta (synágô) COMIGO, disperde (skorpízô) (Lc 11,23).

O contraponto de Jesus é exemplar: não mandar embora,/ não comprar cada um para si,// mas acolher,/ dar,/ condividir.// Bem vistas as coisas, não se trata mesmo de uma «multiplicação» dos pães. Trata-se de uma «divisão» dos pães. A lição de Jesus não é aumentar a produção (lógica mercantilista). A lição de Jesus é CONDIVIDIR, REPARTIR 9. Mas tudo começa, note-se, naquele «SENTIU MISERICÓRDIA», sentimento maternal de uma mãe que vela carinhosamente pela vida dos seus filhos 10.

5. A FRATERNIDADE

A Revolução francesa (1789) deixou gravadas na carta da história da humanidade três palavras: liberdade, igualdade, fraternidade. Convenhamos em que, no que respeita à liberdade e à igualdade, alguma coisa se tem feito e há até a registar progressos assinaláveis, como são o aparecimento de várias democracias e a carta dos direitos humanos. Mas, no que diz respeito à fraternidade, parece que está ainda tudo por fazer.
E a razão é simples. Pela liberdade e pela igualdade, nós podemos lutar. Mas a fraternidade não se conquista. Recebe-se! De facto, o título de «irmão» não se conquista. Não há currículo nenhum a fazer para se conseguir o título de «irmão». «Irmão» nasce-se. O lugar que, de forma mais imediata, nos mostra a fraternidade, é a família. E é verdade que, no seio da família, os filhos são diferentes em muitos aspectos: na ordem do nascimento, da saúde, do temperamento, da inteligência, do sucesso… Mas também é verdade que, não obstante as suas acentuadas diferenças, são iguais. E são iguais, porque são irmãos. E são irmãos, não em função daquilo que são ou daquilo que têm ou daquilo que fazem, mas em função daquilo que lhes é dado e feito. Em função de um amor que os precede, o amor dos seus pais. É esse amor primeiro que os faz irmãos, logo livres e iguais. A fraternidade é o mais da liberdade e da igualdade, porque só ela faz dos não-livres livres e dos desiguais iguais. A fraternidade é o lugar em que cada um vale, não por aquilo que é, nem por aquilo que tem nem por aquilo que faz, mas por aquilo que lhe é feito11, antes e independenemente daquilo que deseja, pensa, projecta e realiza, e em que o seu ser é ser numa relação de amor incondicinada, que não é posta por ele, mas em que ele é posto12. Um erro grave preside à modernidade, ainda que já venha dos clássicos gregos. Quando Descartes formulou aquele famoso: «Penso, logo existo», ele pensava que se punha no ser pelo seu pensamento. Estava enganado. Foi a sua mãe que o pôs no ser. Descartes esqueceu a sua mãe .
Não podemos esquecer a nossa mãe e o nosso pai. Mas nós atrevemo-nos a dizer que somos «irmãos» ainda de outra maneira. Porque somos filhos de Deus.
E então já não é só o amor dos nossos pais que nos faz irmãos. É também o amor de Deus, amor eterno, primeiro e derradeiro, verdadeiro, que nos faz irmãos. Assim, o amor que está em nós, ou em que estamos nós, o amor entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre amigos, entre nós, não provém de uns nem de outros. Nem sequer de si mesmo. O amor é dado. O amor designa a origem. O que é a origem? A origem é o que está antes do começo, a quem a Bíblia chama Deus. Acertadamente afirma S. João, na sua Primeira Carta: «Quem ama nasceu de Deus» (1 Jo 4,7). Neste sentido, não é o casal que faz o amor; é o amor que faz o casal. Do mesmo modo que não é o casal que faz os filhos; é o amor que os faz. Atravessa-nos um calafrio quando nos apercebemos que a humanidade transmite, de idade em idade, de pais para filhos, algo de eterno. Amor eterno, tão terrivelmente ameaçado de idade em idade14.
O amor não é meu nem é teu. Também não é nosso. É-nos dado. Recebemo-lo. Portanto, «De GRAÇA recebestes, de GRAÇA dai».

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1 R. SCHNACKENBURG, The Gospel of Matthew, Grand Rapids, Eerdmans, 2002, p. 96.
2 A. THAYSE, Matthieu. L’Évangile revisité, Bruxelas, Racine – Lumen Vitae, 1998, p. 86.
3 Excelente leitura em A. J. HESCHEL, L’uomo non è solo. Una filosofia della religione, Milão, Mondadori, 2001, p. 48 e 250.
4 A. WÉNIN, Abraham: élection et salut. Réflexions exégétiques et théologiques sur Genèse 12 dans son contexte narratif, in Revue théologique de Louvain, 27, 1996, p. 10-11.
5 A locução «gratificante e misericordioso» (hannûn werahûm), por esta ordem ou ao contrário, aparece na Bíblia hebraica por treze vezes, e é sempre reservada a Deus. O único lugar em que se poderia considerar atribuir tal locução ao homem justo seria no Sl 112,4. Mas mesmo aí, parece ser a Deus que diz respeito. Ver L. ALONSO SCHÖKEL, C. CARNITI, Salmos. II. (Salmos 73-150). Traducción, introducciones y comentario, Estella, Verbo Divino, 1999, p. 1388. Ver também A. J. HESCHEL, L’Uomo non è solo, p. 131; I. M. SANS, Autorretrato de Dios, Bilbau, Universidad de Deusto, 1997, p. 107-123.
6 Cit. em I. M. SANS, Autorretrato de Dios, p. 121.
7 M.-A. OUAKNIN, Les dix commandements, Paris, Seuil, 1999, p. 250-251.
8 A. SERRA, La fuga e il ritorno del figlio prodigo (Lc 15,11-32). Parabola del peccato e della conversione d’Israele?, in R. FABRIS (ed.), La Parola di Dio cresceva (At 12,24). Scritti in onore di Carlo Maria Martini nel sua 70º compleanno, Bolonha, EDB, 1998, p. 238.
9 Ver a inteligente reflexão de C. DI SANTE, Eucaristia. L’amore estremo, Villa Verucchio, Pazzini, 2005, p. 110-112; G. PERINI, Le domande di Gesù nel Vangelo di Marco. Approccio pragmatico: ricorrenze, uso e funzioni, Roma – Milão, Pontificio Seminario Lombardo – Glossa, 1998, p. 75.
10 «Sentiu misericórdia» (esplagchnístê) é uma voz nova, livre e soberana que provém das vísceras (rachamîm) ou do útero (rechem) materno, e que me faz ver a vida de cada ser humano como mais importante do que a minha própria vida, como é para uma mãe sempre mais importante a vida do bébé que traz nas entranhas do que a sua própria vida. E. LEVINAS, Dal sacro al santo. Cinque nuove letture talmudiche, Roma, Città Nuova, 1985, p. 139-140; C. DI SANTE, Parole di luce. Segnavia dello Spirito, Vila Verucchio, Pazzini, 2005, p. 107-110.
11 Na Bíblia, o mundo do ter não se contrapõe ao do ser, contraposição tornada célebre por Erich Fromm (Avere o essere, Milão, Mondadori, 1977), mas à falta de sentido. Em termos etimológicos, o «bem-estar» não tem a ver com a abundância do ter, mas do ser, que assenta na experiência do mundo compreendido e vivido como habitado objectivamente pelo sentido. C. DI SANTE, Parola e terra. Per una teologia dell’ebraismo, Génova, Marietti, 1990, p. 37.
12 C. DI SANTE, La parola che parla. Chiavi di lettura per la Bibbia, Villa Verucchio, Pazzini Stampatore, 2004, p. 34.45-48.
13 A. CAVARERO, Politica e violenza. La radice greca, in Quaderni di S. Apollinare (Série «Scuola della Pace»), n.º 7, p. 23 (este caderno, gentilmente cedido pela autora, diz respeito a um seminário que ocorreu no Centro Sant’Apollinare, nos dias 25-26 de Novembro de 1995).
14 P. BEAUCHAMP, Conférences. Une exégèse biblique, Paris, Facultés Jésuites de Paris, 2004, p. 100-101.

António Couto

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