CORAÇÃO AD GENTES NA IGREJA DA CIDADE. Para um rosto missionário das paróquias num mundo em mudança


 Estamos, sem dúvida, num mundo em profunda mudança. Na cidade hodierna cruzam-se pessoas de diferentes cores, culturas, línguas e credos. A busca de melhores condições de vida tão depressa traz para a cidade pessoas de outros países e de diferentes situações sociais, culturais e religiosas, como faz partir muitos dos seus anteriores habitantes. Dado o crescente pluralismo cultural e religioso, já não são os campanários das igrejas que marcam o ritmo da vida das pessoas da cidade. O Evangelho de Jesus Cristo é cada vez menos conhecido. E mesmo para aqueles que o conhecem, já perdeu muito do seu significado.

Este cenário é preocupante e pede, com urgência, à Igreja presente na cidade dos homens uma nova cultura de evangelização, que vá muito para além de uma simples pastoral de manutenção. Deve notar-se que o termo euaggélion não é um mero nomen status, mas um nomen actionis: não pode ser traduzido por «evangelho» nem pode confundir-se com um livro colocado na estante; na verdade, significa «evangelização». E evangelização implica movimento e comunicação, e requer tempo, formação, entranhas e coração.

As páginas que se seguem traçam as principais etapas da evangelização, detendo-se na terceira, por ser aquela em que estamos hoje. Olhando atentamente o nosso mundo e analisando a documentação da Igreja, teremos ainda presentes os desafios que o Papa Bento XVI lançou recentemente à Igreja em Portugal (Discurso ao Bispos portugueses, Visita ad Limina, Novembro de 2007), e retiraremos, no final, algumas inevitáveis conclusões.

I. AS TRÊS ETAPAS DA MISSÃO
1.1. Primeira etapa da missão

Na tarde daquele primeiro dia da semana, o Ressuscitado convoca-nos para a missão nova e frágil da paz e do perdão e do sopro criador:

 «20,21Disse-lhes então Jesus outra vez: “A paz convosco! Como (kathôs) me enviou (apéstalken: perf. de apostéllô) o Pai, também Eu vos mando ir (pémpô)”» (Jo 20,21). 22E tendo dito isto, soprou (enephýsêsen) e diz-lhes: “Recebei o Espírito Santo. 23Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, serão retidos”» (Jo 20,21-23).

 Como em muitas outras passagens, o uso do verbo apostéllô (enviar) acentua o papel do «enviado», que é Jesus, do mesmo modo que o uso do verbo pémpô (também enviar) sublinha o papel do «enviante»[1], que, neste caso, continua a ser Jesus. Por outro lado ainda, o envio de Jesus apresenta-se no perfeito grego, pelo que a sua missão começou e continua. Não terminou. Ele continua em missão. A nossa missão está no presente. O presente da nossa missão aparece, portanto, agrafado à missão de Jesus[2], e não faz sentido sem ela e sem Ele: «Como me enviou o Pai, também eu vos mando ir». Nós implicados e imbricados n’Ele e na missão d’Ele, sabendo nós que Ele está connosco todos os dias (cf. Mt 28,20). E aquele como define o estilo da nossa missão de acordo com o estilo da missão de Jesus, que nos ama descendo ao nosso nível[3].

Assim, a missão nova e frágil da paz e do perdão e do sopro criador foi-se espalhando pelas diferentes parcelas do mundo. É a primeira, e sempre paradigmática, etapa da missão. Sem pesos atrás, sem móveis nem imóveis, sem tiques nem rotinas, sem ouro nem prata nem cobre, sem alforge nem duas túnicas, com Cristo apenas (cf. Mt 10,9-10; Act 3,6).

 1.2. Segunda etapa da missão

Durante a Idade Média, pensou-se mesmo que o Evangelho já tinha chegado ao mundo inteiro, e que o mundo inteiro era cristão[4]. Mas as grandes descobertas dos séculos XV e XVI vieram mostrar a existência de um vasto mundo que ainda não conhecia o Evangelho. Deu-se então início à segunda etapa da missão. E então as grandes Ordens Religiosas (Jesuítas, Dominicanos, Franciscanos) começaram a partir da Europa («território de cristandade») para os territórios não evangelizados («territórios de missão»). Este esforço de missionação recebeu um novo impulso nos séculos XIX e XX com o contributo de Institutos especializados (Padres Brancos, Combonianos, Espiritanos, Oblatos de Maria Imaculada, Sociedades Missionárias de Vida Apostólica).

Neste período, a actividade missionária «privilegiou o anúncio do Evangelho em vista da salvação das almas e da plantatio ecclesiae entre os povos ainda não-cristãos» e «desenvolvia-se sobretudo à margem da vida eclesial, sendo delegada quase completamente em instituições específicas, e, como tal, estava pouco inserida na comunidade eclesial local, a qual, não deixando embora de cooperar na obra missionária, não se sentia directa e explicitamente responsável por ela»[5].

Este imenso esforço de missionação tinha o seu centro de organização e orientação em Roma (os Bispos das Igrejas dos «territórios de cristandade» estavam fora deste planeamento), onde, em 1572, foi criada a Comissão Pontifícia De Propaganda Fide, convertida em Congregação De Propaganda Fide em 1622[6].

Enquadrando-se já no contexto da terceira etapa da missão, é significativa a sua transformação em Congregação para a Evangelização dos Povos em 1967, fazendo ver que é agora à Igreja inteira que compete a causa missionária: todos os Bispos, e, com eles, todas as Igrejas locais, são «colegialmente» responsáveis pela evangelização do mundo[7].

 1.3. Terceira etapa da missão

Com o Concílio Vaticano II abre-se a terceira etapa da missão. O DecretoAd Gentes (AG), de 7 de Dezembro de 1965, afirma logo a abrir que «A Igreja é por sua natureza missionária» (n.º 2), e convoca a Igreja inteira para a tarefa missionária. Este aspecto será desenvolvido e acentuado por documentos posteriores, como a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (EN), de 8 de Dezembro de 1975, de Paulo VI, a Instrução Postquam Apostoli (PA) sobre a necessidade da cooperação entre as Igrejas particulares, de 25 de Março de 1980, da Congregação para o Clero, o Documento «Diálogo e Missão» (DM), de 10 de Junho de 1984, do Secretariado para os não-cristãos, a Carta Apostólica Redemptoris Missio (RM), de 7 de Dezembro de 1990, de João Paulo II, a Instrução «Diálogo e Anúncio» (DA), de 19 de Maio de 1991, do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e da Congregação para a Evangelização dos Povos, a Carta Apostólica Novo Millenio Ineunte (NMI), de João Paulo II, de 6 de Janeiro de 2001.

Tendo em conta que o objectivo principal é mudar o coração e a atitude das paróquias, não podemos deixar de referir aqui também cinco importantes documentos da Conferência Episcopal Italiana (CEI): 1) O empenho missionário da Igreja italiana (IM), Documento Pastoral da Comissão Episcopal para a cooperação entre as Igrejas, de 25 de Março de 1982[8]; 2) Comunicar o Evangelho num mundo em mudança. Orientações pastorais do episcopado italiano para o primeiro decénio de 2000 (CEMM)[9], de 29 de Junho de 2001; 3) O rosto missionário das paróquias num mundo em mudança. Nota pastoral (RMP)[10], de 30 de Maio de 2004; 4) Esta é a nossa fé. Nota pastoral sobre o primeiro anúncio do Evangelho (ENF)[11], de 15 de Maio de 2005; 5) «Regenerados para uma esperança viva» (1 Pt 1,3): testemunhas do grande «sim» de Deus ao homem. Nota pastoral do Episcopado italiano depois do 4.º Congresso eclesial nacional (REV)[12], de 29 de Junho de 2007. A elaboração de O rosto missionário das paróquias num mundo em mudança mobilizou a Igreja italiana e recolheu contributos de especialistas, agentes de pastoral e leigos, empenhou os Bispos da CEI durante mais de dois anos, em várias sessões do Conselho Permanente e três Assembleias Plenárias: a de Maio de 2003, em Roma, dedicada à «Iniciação Cristã»; a de Novembro de 2003, em Assis, sobre «A Paróquia: Igreja que vive no meio das casas dos homens»; a de Maio de 2004, em Roma, em que se ultimou este Documento que visa delinear o rosto missionário que devem assumir as paróquias.

Todos estes Documentos insistem em que a missão é tarefa da Igreja toda e de cada uma das Igrejas, que a missão diz respeito a todos os cristãos, a todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais, aos bispos, aos presbíteros, aos religiosos e aos fiéis leigos. Para esta terceira etapa da missão, todos, mesmo todos, estamos convocados. E todos não somos demais. Em 1965, o Concílio calculava em dois mil milhões (2.000.000.000) o número de não-cristãos (AG, n.º 10). Vinte e cinco anos depois, em 1990, João Paulo II refere que este número quase duplicou (RM, n.º 3). A missiografia calculava para esse ano de 1990 três mil quatrocentos e quarenta e nove milhões e oitenta e quatro mil (3.449.084.000) não-cristãos[13], e para o ano 2.000 o número de quatro mil e sessenta e nove milhões e seiscentos e setenta e dois mil (4.069.672.000) não-cristãos[14]. Em 2006 esse número subia para quatro mil e trezentos e setenta e três milhões e setenta e seis mil (4.373.076.000) não-cristãos[15]. As estimativas apontam para 2025 uma população mundial de 7.851.455.000, com 2.630.559.000 cristãos (1.334.338.000 católicos), e 5.220.896.000 não-cristãos[16].

 II. TEXTOS SELECTOS DA TERCEIRA ETAPA DA MISSÃO
2.1. Textos do magistério

– «A Igreja é por sua natureza missionária» (AG, n.º 2; RM, n.º 62).
– «O mandato de Cristo não é algo de contingente e exterior, mas atinge o próprio coração da Igreja» (RM, n.º 62).
– «A Igreja toda e cada uma das Igrejas é enviada aos não-crentes» (RM, n.º 62).
– «A missão compete a todos os cristãos, a todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais» (RM, n.º 2).
– Os Bispos são directamente responsáveis pela evangelização do mundo na sua dupla qualidade de membros do colégio episcopal e de Pastores das Igrejas particulares (AG, nº 38; EN, n.º 68; PA, n.º 4; RM, n.º 63).
– Os Presbíteros são ordenados, «não para uma missão limitada e restrita, mas para uma vastíssima e universal missão de salvação “até aos confins da terra”» (AG, n.º 39; EN, n.º 68; PA, n.º 5; RM, n.º 67).
– Os Religiosos, «por força da sua consagração, ficam (igualmente) obrigados a prestar o seu serviço especialmente na acção missionária» (AG, n.º 40; EN, n.º 69; PA, n.º 6; RM, n.º 69).
– E também aos fiéis leigos, não apenas por uma «questão de eficácia apostólica», mas em virtude da sua «dignidade baptismal» (RM, n.º 71), incumbe a tarefa da missão, uma vez que se trata de uma tarefa de todos os fiéis (AG, n.º 11.21.36.41; EN, n.º 70-73; PA, n.º 7; RM, nº 71-74).
– «Cada Igreja particular é responsável de toda a missão. E mesmo cada cristão, em virtude do baptismo, é chamado a exercitá-la de algum modo toda» (DM, n.º 14).
– «A missionariedade é para cada cristão expressão normal da sua fé» (DM, n.º 10).
– «O esforço missionário não pode ser deixado a algumas pessoas, instituições ou organismos especializados, que, todavia, são indispensáveis. Tão-pouco pode ser assumido e desenvolvido unicamente no quadro de movimentos espontâneos e voluntários, mesmo se a sua contribuição é desejada e preciosa» (IM, n.º 30).
– «Esta paixão (“Ai de mim se não evangelizar!”: 1 Cor 9,16) não deixará de suscitar na Igreja uma nova missionariedade, que não poderá ser delegada a um grupo de “especialistas”, mas deverá corresponsabilizar todos os membros do povo de Deus. Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-l’O para si; tem de O anunciar» (NMI, n.º 40; CEMM, n.º 46).
– «A evangelização é uma questão de amor» (REV, n.º 9).
– «A paróquia será tanto mais capaz de redefinir a sua tarefa missionária no seu território quanto mais saiba projectar-se no horizonte do mundo, sem delegar apenas em alguns a responsabilidade da evangelização dos povos. […] Não é um empenhamento ulterior» (RMP, n.º 1 e 6): está no início, não no fim (CEMM, n.º 32).
– «A missão ad gentes não é apenas o ponto conclusivo do empenho pastoral, mas o seu constante horizonte e o seu paradigma por excelência» (CEMM, n.º 32; RMP, n.º 1 e 6).
– «Interpelam-nos os imensos horizontes da missão ad gentes, paradigma da evangelização também no nosso País» (REV, n.º 9).
– «Pedimos, portanto, aos Centros missionários diocesanos que, juntamente com outras realidades de animação missionária, ajudem a tornar possível que a missionariedade atravesse todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã» (REV, n.º 9).
– «Acabou o tempo da paróquia auto-suficiente» (RMP, n.º 11), «fechada sobre si mesma» (RMP, n.º 13).

2.2. Todos operadores da missão

Traduzindo de forma sintética o conteúdo dos números que compõem o Capítulo VI da Carta Apostólica Redemptoris Missio (n.º 61-76) que trata de «Os responsáveis e os agentes da pastoral missionária», refere o missiólogo Francesco Pavese: «Fica claro que a RM, de forma diferente do Ad Gentes, recenseia os sacerdotes, os consagrados e os leigos, não entre os “cooperadores”, mas entre os “operadores” da missão, modificando desta forma substancialmente o ângulo de visão e impedindo qualquer futuro equívoco acerca da natureza da sua vocação missionária»[17].

III. LEITURA DA ACTUAL REALIDADE RELIGIOSA: RELIGIOSIDADE SELVAGEM E CRISTIANISMO SEM VOCATIVO
3.1. Um erro de diagnóstico

O Cardeal G. Danneels referia, na sua intervenção no Sínodo especial sobre a Europa, em 4 de Dezembro de 1991, que, nos anos 60, a Igreja se preparou para evangelizar um homem secularizado e ateu tranquilo. Só que este homem não chegou verdadeiramente a aparecer. O que apareceu e temos por aí hoje neste fim de século [e início de novo milénio] é um homem espantosamente religioso, mas de uma religiosidade selvagem, absolutamente imprevisível há vinte anos atrás[18].

Feitos os cálculos, a Igreja desenhou a estratégia de evangelização achada oportuna, e Paulo VI empreendeu, em 1975, duas iniciativas consonantes: a) a criação do Secretariado para o diálogo com os não-crentes; b) encarregou os Jesuítas de travar o desafio do ateísmo.

Não se tendo verificado as previsões, foi também necessário mudar as estratégias. Nesse sentido, em Maio de 1993, João Paulo II integrou o referido organismo para o diálogo com os não-crentes no Pontifício Conselho da Cultura, do mesmo modo que os Jesuítas, reunidos em Assembleia Geral, dão grande relevo ao termo «cultura», sendo o termo «ateísmo» apenas aflorado. A descrença e a indiferença religiosa movem-se hoje, não no plano ideológico, mas cultural[19]. Aí está a voz autorizada do Cardeal Martini: «Evangelizar hoje significa falar numa sociedade que se esforça por se organizar publicamente sem fazer referência a valores confessionais, e é atravessada em toda a parte por fermentos de secularização»[20].

3.2. Valores evangélicos sem Cristo

Mas há ainda outra ruptura a que não podemos deixar de prestar atenção: a que separa os valores evangélicos da pessoa de Cristo vivo. Por outras palavras, trata-se da separação entre a ética e o culto. Muita gente, nas nossas paróquias, escolas e movimentos, permanece firmemente agarrada aos valores evangélicos, sobretudo aqueles que temos em comum com todos os homens de boa vontade, tais como a liberdade, a justiça, a paz, a solidariedade, o respeito pela criação. Mas este culto dos valores está separado do culto da pessoa viva de Cristo, e manifesta-se no deficit da oração, da adoração, da prática sacramental. Cristo é então relegado para um discurso no passado e na 3.ª pessoa, do género: «ele disse isto», «ele fez aquilo». Neste discurso, há uma ausência significativa do vocativo da oração e do encontro sacramental. Um tal cristianismo, reduzido a uma ética, não pode resistir muito tempo[21].

Somos todos contemporâneos do Ressuscitado. Não simples continuadores. Ele está connosco todos os dias (Mt 28,20), presidindo-nos, precedendo-nos, chamando-nos e enviando-nos, implicando-nos na sua missão. A igreja é a esposa de Cristo. Não a sua viúva nem a sua filha.

3.3. Metodologia da evangelização

Já a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi lançava à Igreja a questão da eficácia com estas palavras: «Segundo que métodos é preciso proclamar o Evangelho para que a sua força seja eficaz?» (EN, n.º 4). E no n.º 40, refere a mesmo Exortação Apostólica, que «é preciso remodelar com ousadia e prudência os processos da evangelização».

3.3.1. «Primeiro anúncio» alargado e intensificado

No n.º 52, a Evangelii Nuntiandi enuncia assim os destinatários do chamado «primeiro anúncio»: «Se este primeiro anúncio (expressão usada pelo Sínodo dos Bispos, 1974) se dirige especialmente àqueles que nunca ouviram a Boa Nova de Jesus ou às crianças, ele mostra-se cada vez mais necessário também, por causa das situações de descristianização frequentes nos nossos dias, para as multidões de pessoas que receberam o baptismo mas vivem fora de toda a vida cristã, para as pessoas simples que têm uma certa fé mas conhecem mal os fundamentos desta fé, para os intelectuais que sentem a necessidade de conhecer Jesus Cristo sob uma luz diferente do ensinamento recebido na sua infância, e para muitos outros casos».

A Nota Pastoral da CEI, intitulada O rosto missionário das paróquias num mundo em mudança (n.º 1) adverte que «uma pastoral que vise apenas a manutenção da fé e o cuidado pastoral da comunidade cristã não é suficiente», acrescentando logo que «é necessária uma pastoral missionária que anuncie novamente o Evangelho».

É, portanto, imensa a dimensão do «primeiro anúncio». E o anúncio é como o amor. Só sendo primeiro é verdadeiro. Mas como pode ser primeiro com tantas coisas ou posses, móveis e imóveis, tiques e velhos hábitos atrás, a atrapalhar, que a poeira do tempo amontoou? Impõe-se a conversão a estilos de vida verdadeiramente evangélicos.

3.3.2. Para além do anúncio, o testemunho

É, portanto, necessário ir para além das palavras e das «muitas coisas» (Lc 10,41) e das posses acumuladas, móveis e imóveis, tiques e rotinas. «O testemunho da vida cristã é caminho privilegiado de evangelização» (ENF, n.º 9). O testemunho conta sempre mais, porque é a vida exposta, sem outros argumentos. E a experiência da testemunha é sempre mais forte e mais radical do que as provas que eventualmente queira dar. É por isso que Filipe fala de Jesus a Natanael, mas face às objecções deste, não lhe dissipa as dúvidas (Jo 1,45-46). Diz-lhe simplesmente: «Vem e vê!» (Jo 1,46), no seguimento do paradigmático «vinde e vede» (Jo 1,39) de Jesus aos dois discípulos de João Baptista que o seguiam. O testemunho não é eficaz senão quando incita o destinatário, não a inclinar-se perante as provas, mas a fazer, por sua vez, a experiência.

O Decreto Ad Gentes deixou admiravelmente expresso, no n.º 21, que «sem a presença activa dos leigos, o Evangelho não pode gravar-se profundamente nos espíritos, na vida e no trabalho de um povo», acrescentando logo que «o principal dever deles, homens e mulheres, é o testemunho de Cristo, que todos têm obrigação de dar, pela sua vida e palavras, na família, no grupo social, no meio profissional». No seu discurso aos Membros do Consilium de Laicis, proferido em 02 de Outubro de 1974[22], Paulo VI fez uma importante afirmação, que depois retomou na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n.º 41: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas». Na mesma linha de ideias, são marcantes as palavras que Mons. Luigi Giussani, fundador do movimento «Comunhão e Libertação», proferiu na sua intervenção no Sínodo dos Bispos sobre os leigos, em Roma, em 09 de Outubro de 1987: «O que faz falta mesmo não é a repetição verbal ou cultural do anúncio, mas a experiência do encontro com pessoas em cuja vida Cristo se tornou uma realidade de tal modo presente, que a sua vida mudou»[23].

É aqui que se pode regressar sempre ao «maior missionário de todos os tempos»[24]: Paulo. Diz ele: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor 9,16). Paulo anuncia convictamente a notícia da Ressurreição de Jesus, e oferece como garante o relato da transformação operada na sua própria vida, confessando que deixou muitas coisas para trás, e que se atira agora para as coisas que estão à sua frente (Fl 3,13). Aí está o retrato e o relato da testemunha credível.

Com tantas coisas atrás, móveis e imóveis, tiques e rotinas, como podemos falar do «primeiro anúncio» de forma credível?

3.3.3. Do território (não se evangelizam territórios) ao coração

A nova situação que fez emergir um vocabulário novo é a mundialização da missão, assim traduzida pelo dominicano Claude Geffré, do Instituto Católico de Paris: «O espaço da missão define-se menos por um território do que pelo mundo ao qual a Igreja é enviada, o qual, como mundo pagão, se encontra quer num espaço geográfico, quer num ambiente social e cultural, quer no coração de cada homem»[25].

3.3.4. «Vou falar-lhe ao coração». A missão parte do coração, dirige-se ao coração, passa de coração a coração

Por isso, vou falar-lhe ao coração (Os 2,16), diz Deus, falai-lhe ao coração (Is 40,2), diz Deus. Convulsão (hafak), palpitação, frémito de amor no coração de Deus e nas suas entranhas maternas (Os 11,8). Eis o perdão que muda o nosso coração: perdão verdadeiro, sempre primeiro, que antecede e provoca a conversão (Ez 16,62-63; 36,31; Rm 5,8; 1 Jo 4,10)[26], convulsão, palpitação, frémito no nosso coração. O anúncio, ou é primeiro, ou não é anúncio. A Missão é o «primeiro anúncio», a Nova Anunciação deste amor novo e subversivo, feito por alguém já habitado por este amor novo e subversivo, que gera e dá à luz novos filhos de Deus. Ver outra vez os filhos gerados (gennáô) (1 Cor 4,14-15; Flm 10), as dores de parto (ôdínô) (Gl 4,19) e a ternura maternal (thálpô) de Paulo (1 Ts 2,7-8). O amor verdadeiro está lá sempre primeiro. «A Evangelização é uma questão de amor» (REV, n.º 9). O amor como vocação, como motor da missão (RM, n.º 60; Mensagem para o Dia Mundial das Missões (2006), n.º 3). A missão coração a coração, sem coisas atrás ou a mais, a atrapalhar.

Em 2004, por ocasião dos 1250 anos do martírio de S. Bonifácio, Apóstolo da Alemanha, o Cardeal Karl Lehmann, Arcebispo de Mainz, dirigiu à sua Diocese uma Carta Pastoral, intitulada Testemunho missionário, em que se lê:

«Tornámo-nos um mundo velho. Deixámo-nos vencer pelo cansaço (…). É necessário um radical revigoramento missionário da nossa Igreja. Não se trata apenas de reformar as estruturas. É preciso começar por cada um de nós. Se não estivermos entusiasmados pela profundidade e pela beleza da nossa fé, não podemos verdadeiramente transmiti-la nem aos vizinhos nem aos filhos nem às gerações futuras. (…) É necessário também ganhar outras pessoas para a nossa fé cristã e arrastar os cristãos que cederam ao cansaço ou que até abandonaram a Igreja (…). Devemos difundir verdadeiramente o Evangelho de casa em casa, de coração a coração».

Nesta Carta Pastoral, o Cardeal Lehmann traça um quadro realista de uma Igreja que parece envelhecida e cansada, mas aponta também, com mestria e clarividência, as coordenadas que devem moldar o rumo do futuro: não basta reformar por fora estruturas e edifícios; é preciso reformar por dentro, mudar o coração, acendê-lo com a luz nova de Cristo e do seu Evangelho.

A Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n.º 46, depois de falar da importância da pregação feita para todos, refere logo também a validade e a importância da transmissão «de pessoa para pessoa». E a já referida Nota Pastoral da CEI, intitulada O rosto missionário das paróquias num mundo em mudança (n. 6), acentua que «para a evangelização é essencial a comunicação de crente para crente, de pessoa a pessoa», aspecto que volta a ser salientado na recente Nota doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização, n.º 11, da Congregação para a Doutrina da Fé, de 3 de Dezembro de 2007[27].

No mesmo sentido, na cerimónia de encerramento do Congresso Internacional realizado em Roma, de 09 a 11 de Março de 2006, para celebrar e reflectir sobre o Decreto Conciliar Ad Gentes, no quadragésimo ano da sua promulgação (07 de Dezembro de 1965), referiu o Papa Bento XVI, entre outras coisas, que: «Não são, de facto, somente os povos não-cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos sócio-culturais, e, principalmente os corações, os verdadeiros destinatários da actividade missionária do Povo de Deus».

E, nas palavras proferidas antes da Oração do Angelus do 80.º Dia Missionário Mundial (22.10.2006), Bento XVI acentuou esta dinâmica afirmando agora que «A missão parte do coração».

Novo tempo, novo modo, nova Anunciação, nova missão coração a coração. Aí está muito do novo estilo e da nova mentalidade que Bento XVI acaba de pedir à comunidade eclesial portuguesa, no seu Discurso, de 10 de Novembro de 2007, aos Bispos portugueses na recente Visita ad Limina. Bento XVI partiu da constatação de que «a confissão mais frequente nos lábios dos cristãos foi a falta de participação na vida comunitária», para referir, sem meios termos, que «é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros», e acrescentou que na «eclesiologia de comunhão na senda do Concílio», os clérigos e os leigos, cada um nas suas funções, devem tomar consciência de que «todos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja».

3.3.5. Evangelizar é a nossa maneira de ser

Diz Paulo a Timóteo, mas nós podemos também receber estas palavras oportunas: «Recordo-te (anamimnêskô) que reavives (anazôpyreîn) o carisma (tò chárisma) de Deus que está em ti» (cf. 2 Tm 1,6). Reavivar o carisma é reacender o dom de Deus, como o fogo que se reacende das cinzas, como se vê pelo verbo grego, e como bem explica o Papa João Paulo II na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis (1992), n.º 70. Para que o dom de anunciar o Evangelho arda no nosso coração, mas arda também no coração de cada baptizado, dado que evangelizar é a nossa maneira de ser, mas é também a maneira de ser da Igreja, de toda a Igreja (EN, n.º 14; RM, n.º 62; ENF, n.º 2), isto é, de todos os cristãos, de todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais (RM, n.º 2 e 61-76; NMI, n.º 40; DA, n.º 82; DM, n.º 10 e 14).

O nosso serviço de evangelização já não consiste simplesmente em evangelizar o outro até um certo ponto, mas em evangelizá-lo até que ele sinta a necessidade de se constituir em evangelizador. Então sim, evangelizar será a nossa (de todos) maneira de ser.

IV. ALGUMAS CONCLUSÕES
4.1. Evangelizar

A Igreja é por sua natureza missionária. Evangelizar é a sua, e, portanto, também a nossa maneira de ser. «Uma pastoral que vise apenas a manutenção da fé e o cuidado pastoral da comunidade cristã não é suficiente». (…) «É necessária uma pastoral missionária que anuncie novamente o Evangelho» (RMP, n.º 1). «A Igreja existe para evangelizar» (EN, n.º 14; ENF, n.º 2). «Interpelam-nos os imensos horizontes da missão ad gentes, paradigma da evangelização também no nosso País» (REV, n.º 9). Nada nos pode distrair da «verdadeira missão da Igreja: esta não deve falar primariamente de si mesma, mas de Deus» (Bento XVI, Discurso aos Bispos portugueses em Visita ad Limina, 10 de Novembro de 2007).

4.2. Fiéis leigos: vocação, missão e formação

Para levar o Evangelho ao coração da sociedade e de cada homem e mulher, é necessária a presença activa dos fiéis leigos. Sem essa acção, o Evangelho não pode gravar-se profundamente nos espíritos, na vida e no trabalho de um povo. É a eles que compete, pela presença, pelo testemunho e pela palavra, levar o fermento do Evangelho à família, ao grupo social, ao meio profissional (Ad Gentes, n.º 21).

É necessário tirar todas as conclusões da lição do Papa aos Bispos portugueses na recente Visita ad Limina (Novembro de 2007). Partindo da constatação de que «a confissão mais frequente nos lábios dos cristãos foi a falta de participação na vida comunitária», Bento XVI referiu, sem meios termos, que «é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros», e acrescentou que, na «eclesiologia de comunhão na senda do Concílio», os clérigos e os leigos devem tomar consciência de que «todos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja».

Neste sentido, é importante, da parte do clero, uma nova sensibilidade para a estima e o incentivo de bons cooperadores leigos. Além disso, é necessário tomar consciência de que a formação dos fiéis leigos representa hoje uma tarefa urgente a realizar na óptica da «pastoral integrada» e numa dupla direcção: em primeiro lugar, uma formação ampla, endereçada ao crescimento da qualidade testemunhal da fé cristã no seu todo; em segundo lugar, uma formação específica visando determinadas tarefas pastorais (RMP, n.º 12).

 4.3. «Primeiro anúncio» do Evangelho, dimensão essencial da Igreja e da paróquia

Num mundo plural, diversificado e cada vez mais descristianizado, é necessário e urgente descobrir o primeiro anúncio do Evangelho como dimensão essencial, e não apenas residual ou excedentária, da Igreja e da paróquia. E que esta dimensão não seja vista apenas como etapa final do percurso de uma dinâmica pastoral programada e conseguida, mas que seja o próprio paradigma e condição da vida pastoral paroquial (CEMM, n.º 32; RMP, n.º 1 e 6).

 4.4. Rosto missionário da paróquia

A paróquia, que é a Igreja a residir no meio das casas dos homens (RMP, n.º 4 e 13), tem de assumir o seu verdadeiro rosto missionário, anunciando o Evangelho de Jesus Cristo, não apenas dentro das suas fronteiras, mas até ao fim do mundo. «Pedimos, portanto, aos Centros missionários diocesanos que, juntamente com outras realidades de animação missionária, ajudem a tornar possível que a missionariedade atravesse todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã» (REV, n.º 9).

 4.5. Novos «protagonistas» e novos ministérios

Nascerão na paróquia novos «protagonistas» e novos ministérios, de resto, já entrevistos na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n.º 73, onde se prospecta a «abertura para ministérios eclesiais susceptíveis de rejuvenescer e de reforçar o dinamismo evangelizador». Um grupo de evangelização é indispensável e tem, hoje por hoje, de estar na primeira linha do rosto da pastoral paroquial. Mas também as dimensões da Caridade, do Acolhimento e da Procura (como Jesus em busca da ovelha perdida), visita às famílias em dificuldades, «grupos de escuta», acompanhamento de jovens casais, terão de estar presentes e de ter visibilidade (CEMM, n.º 62; RMP, n.º 6 e 12).

 4.6. Cultura do Domingo e da Eucaristia

O Domingo e a Eucaristia terão de assumir centralidade e visibilidade na dinâmica pastoral, fontes propulsoras da alegria pascal e da evangelização, átrio e escola de filialidade e de fraternidade, onde todos aprendemos a alegria e a riqueza de estar juntos: crianças, jovens, adultos e idosos, pobres e ricos, agricultores e doutores. É decisivo que as comunidades cristãs tomem consciência viva de «viver segundo o Domingo», para usar uma expressão que remonta a Santo Inácio de Antioquia[28], e que Bento XVI assumiu na Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, n.º 72, de 22 de Fevereiro de 2007, nestes termos: «”Viver segundo o Domingo” quer dizer tomar consciência e viver de acordo com a libertação trazida por Cristo e viver a própria existência como oferta de si mesmos a Deus»[29].

 4.7. Cristo, primeira referência pessoal

Quem vive na paróquia e quem vem à paróquia e quem vê a paróquia tem de encontrar Cristo Ressuscitado, e de aprender a ver n’Ele a sua principal referência pessoal. Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-l’O para si; tem de O seguir e de O anunciar (NMI, n.º 40; CEMM, n.º 46).

 4.8. Cristianismo com vocativo

O encontro com Cristo presente no meio de nós deve levar-nos a cultivar o vocativo da oração e a vivência dos sacramentos. Não podemos contentar-nos apenas com a adesão a um cristianismo ético. É absolutamente necessário cultivar um cristianismo com vocativo.

                                                                    António Couto


[1] E. TESTA, La missione e la catechesi nella Bibbia, Roma – Brescia, Urbaniana University Press – Paideia, 1981, p. 170-171.

[2] F. BLANQUART, Le premier jour (Jn 20), Paris, Cerf, 1991, p. 97.

[3] Sobre este «como», ver CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, Comunicare il Vangelo in un mondo che cambia. Orientamenti pastorali dell’Episcopato Italiano per il primo decennio del 2000 (29 de Junho de 2001), n.º 10 e 63.

[4] Veja-se, por exemplo, TOMÁS DE AQUINO, Summa Theologica. Prima Secundae, Quaestio CVI, Articulus IV; G. COLZANI, Teologia della missione. Vivere la fede donandola, Pádua, Edizioni Messaggero, 1996, p.13.

[5] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, L’impegno missionario della Chiesa italiana, Documento Pastoral da Comissão Episcopal para a cooperação entre as Igrejas, de 25 de Março de 1982, n.º 6

[6] Sobre o assunto, ver G. COLZANI, Teologia della missione, p. 22.

[7] Cl. GEFFRÉ, L’evoluzione della teologia della missione. Dalla Evangelii Nuntiandi alla Redemptoris Missio, in G. COLZANI, T. TSHIBANGU, M. ZAGO, C. GEFFRÉ, F. CIARDI, F. KABASELE, B. NZUZI, D. N. POWER, R. LUNEAU, A. BWANGA, J. B. MALENGE, Le sfide missionarie del nostro tempo [Tradução das Actas do Colóquio Internacional de Missiologia, realizado em Kinshasa, 20-26 de Fevereiro de 1994], Bolonha, Editrice Missionaria Italiana, 1996, p. 65.

[8] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, L’impegno missionario della Chiesa italiana, Documento Pastoral da Comissão Episcopal para a cooperação entre as Igrejas, de 25 de Março de 1982.

[9] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, Comunicare il Vangelo in un mondo che cambia. Orientamenti pastorali dell’Episcopato Italiano per il primo decennio del 2000 (29 de Junho de 2001).

[10] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, Il volto missionario delle parrocchie in un mondo che cambia. Nota Pastorale (30 de Maio de 2004).

[11] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, Questa è la Nostra Fede. Nota pastorale sul primo annuncio del Vangelo (15 de Maio de 2005).

[12] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, «Rigenerati per una speranza viva» (1 Pt 1,3): testimoni del grande «sì» di Dio all’uomo. Nota pastorale dell’Episcopato italiano dopo il 4.º Convegno ecclesiale nazionale (29 de Junho de 2007).

[13] M. ZAGO, La missione a dimensione mondiale. Aspetti missionografici secondo la Redemptoris Missio, in G. COLZANI…, Le sfide missionarie del nostro tempo  p. 40.

[14] Os números referidos constam no International Bulletin of Missionary Research., Janeiro de 2000.

[15] Números citados no International Bulletin of Missionary Research, Janeiro de 2006.

[16] Números citados no International Bulletin of Missionary Research, Janeiro de 2006.

[17] F. PAVESE, Vocazione missionaria, in Dizionario di missiologia, Bolonha, EDB – Urbaniana University Press, 1993, p. 544.

[18] Cardeal G. DANNEELS, Intervention au synode spécial sur l’Europe (décembre 1991), in Lumen Vitae, 47, 1992, p. 7-13.

[19] M. P. GALLAGHER, Nuevos horizontes ante el desafío de la increencia, in Razón y Fe, 232, 1995, p. 279-293.

[20] C. M. MARTINI, Vivere I valori del Vangelo, Turim, Einaudi, 1996, p. 94.

[21] Cardeal G. DANNEELS, Intervention, p. 9-10.

[22] AAS, 66, 1974, p. 568.

[23] Publicada em L. GIUSSANI, L’avvenimento cristiano, Milão, Bur, 2003, p. 23-24.

[24] O Papa Bento XVI consagra esta expressão na sua Mensagem para a XVI Jornada de Oração pelas Vocações 2008, n.º 3, publicada em 3 de Dezembro de 2007.

[25] Cl. GEFFRÉ, L’evoluzione della teologia della missione, in G. COLZANI…, Le sfide missionarie del nostro tempo, p. 65.

[26] J. L. SICRE, Profetismo en Israel. El Profeta. Los Profetas. El Mensaje, Estella, Verbo Divino, 7.ª ed., 2005, p. 278.

[27] CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Nota dottrinale su alcuni aspetti dell’evangelizzazione, 3 de Dezembro de 2007.

[28] Epístola aos Magnésios, 9,1; PG 5,670.

[29] A expressão foi também retomada pela CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, «Rigenerati per una speranza viva» (1 Pt 1,3): testimoni del grande «Sì» di Dio all’uomo, n.º 7, Nota Pastoral aprovada durante a 57.ª Assembleia Geral (Roma, 21-25 de Maio de 2007) no seguimento do 4.º Convénio eclesial nacional (Verona, 16-20 de Outubro de 2006).

2 respostas a CORAÇÃO AD GENTES NA IGREJA DA CIDADE. Para um rosto missionário das paróquias num mundo em mudança

  1. D. António Couto
    É, de facto, completamente impossível ter acesso aos ESTUDOS, que não apenas lendo-os no monitor do computador?
    Sou médico, 55 a., procuro estudar exegese bíblica (autodidacta), dou apoio a um grupo de leigos pós-universitários que fazem trabalho com presos, marginais e famílias carenciadas, que às 4ª feiras se reunem para ORAR. No fim da Oração [salmodia, palavra, silêncio, preces, salmodia] , saem sempre com um pequeno comentário bíblico feito por mim ou retirado de algum autor para prolongar a reflexão pela semana fora. AUMENTAR A CULTURA BÍBLICA É UMA URGÊNCIA.
    Seus estudos são preciosidades. Como ter acesso a eles?

    • mesadepalavras diz:

      Caro Amigo,
      Aceite as minhas melhores saudações na Graça e Paz do Senhor Jesus Cristo, como gosta de escrever S. Paulo. Sendo médico, o seu trabalho de saber, mas também de amor, junto dos nossos irmãos que sofrem é muito importante. Não sei se é ou não possível, a partir do site, imprimir os textos. Se não for, diga-me, que eu terei todo o prazer em enviar-lhos-ei por e-mail. Alguns deles já estão publicados e outros sê-lo-ão em breve. Disponha sempre. A. Couto

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