NATAL É O CÉU QUE VEM!

Dezembro 22, 2008

 

 

Como quem na noite escura acende

Um lírio branco

Um rosto de mulher

Banhado pela lua

 

Como quem escreve uma página de sol

Que os anjos suspendem das alturas

 

Ardentemente recito este natal

Pelas páginas arenosas das escrituras:

As minhas mãos menino buscarão as tuas

Imarcescíveis ázimas maduras.

 

 

1. Em carta enviada a Cristina de Lorena, Grã-Duquesa da Toscânia, no dealbar do século XVII, em 1615, o físico e astrónomo Galileu, citando o célebre Cardeal Baronio, deixou escrito que «a intenção do Espírito Santo, ao inspirar a Bíblia, era ensinar-nos como se vai para o céu, e não como vai o céu».

 

2. Baronio e Galileu têm razão quando dizem que a Bíblia não pretende ensinar-nos astronomia («como vai o céu»). Mas os dois estão equivocados quando afirmam que a Bíblia pretende ensinar-nos moral («como se vai para o céu»). E não somente eles. Parece que também nós temos andado a gerir o mesmo equívoco e a servir com bastante água o «vinho da Revelação». Anestesiamos a Bíblia quando reduzimos a sua mensagem a moral: «como se vai para o céu».

 

3. É tempo de tomarmos consciência de que a Bíblia não pretende ensinar-nos «como vai o céu», nem tão-pouco «como se vai para o céu». Nem JESUS é o Filho de Deus e o homem sábio e justo que nos vem ensinar como nos devemos comportar com Deus. Como bem refere Bruno Maggioni, nas suas Parábolas Evangélicas, isso já nós sabíamos e estamos já aptos a saber antes de ouvir ou de ler qualquer Evangelho. Não seria Notícia, portanto. Notícia, e boa, é que JESUS tenha vindo mostrar-nos, não como nós nos devemos comportar com Deus, mas antes disso, sempre antes disso, como é que Deus se comporta connosco. É este o espaço da inaudita Notícia e da surpresa. A Bíblia não ensina «como vai o céu», nem «como se vai para o céu». A Bíblia mostra «como vem o céu!»

 

4. O Natal é a vinda de Deus ao nosso mundo. Não para nos pedir alguma coisa. Mas simplesmente para nos encher de Paz, de Amor e de Alegria.

 

5. Meu irmão de Dezembro, deixa entrar este mundo novo em tua casa. Feliz Natal.

 

                   António Couto