NATAL: DADORES DE VIDA

Dezembro 23, 2008

«Fui Eu, o Senhor, que te chamei

para o serviço da justificação.

Tomei-te pela mão

e modelei-te.

Coloquei-te

como aliança do povo,

como luz das nações» (Isaías 42,6).

 

 

1. É tempo de Natal. Belém outra vez à minha frente. Habituei os meus olhos às alturas. Era uma estrela no céu que eu seguia. Caminho traçado no céu. Mas eis que a estrela dorme agora no coração da terra. Num curral ali ao fundo da casa habitada. Não havia mais nenhum lugar na sala. Os pastores ouviram a alegria. Correram pelos montes, pelos campos, pelas bordas. Também tenho de aprender a traçar caminhos neste chão.

 

2. Do meio do trigo e do pão, do coração, oiço então a voz de Deus, que me dá a mão (Isaías 41,13; 42,6; 45,1; Jeremias 31,32). Agarro-me. Sinto sulcos gravados nessa mão. Sigo-os com o dedo devagar. Percebo que são as letras do meu nome (Isaías 49,16). Foi então por mim que desceste a este chão.

 

3. Meditação. Já sei que sabes escrever no coração (Jeremias 31,33). Também na cruz (Gálatas 3,1). Também no chão (Jeremias 17,13; Jo 8,6 e 8). Também no livro (Salmo 139,16; Isaías 4,3; Daniel 12,1; Lucas 10,20; Apocalipse 20,12). Mas a mim tatuaste-me na palma da tua mão (Isaías 49,16). Recordas-te sempre de mim. Estás sempre a olhar para mim, a olhar por mim (Jeremias 31,20).

 

4. Dás-te a mim (Oseias 11,4). Dás a vida por mim (João 10,10-11.15). Compreendo que seja essa a tua vocação. A mais bela vocação. Tu és verdadeiramente «justificador» (matsddîq) (Isaías 50,8), dador de vida. E compreendo agora também que Tu me chamas para o «serviço da justificação» (Isaías 42,6; 53,11), doação de vida ao meu irmão faminto, nu, doente, abandonado, drogado, instalado, roubado ou ladrão.

 

5. «Os justificadores (matsddîqîm) serão como as estrelas para sempre» (Daniel 12,3). As novas estrelas são os justificadores, dadores de vida. Convocados por ti para sermos como Tu, dadores de vida. Convocadores como Tu, porque não podemos deixar de testemunhar a mais bela vocação que vem de Ti. Convocados e convocadores, dadores de vida, durante o ano inteiro, eu e tu, meu irmão de Dezembro.

 

António Couto

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