PAULO, MODELO DE EVANGELIZADOR (3)


3. Três textos aurorais

A aurora é a metáfora de uma luz nova, que vem de fora, e que se contrapõe à metáfora da luz que em nós mora, a luz da nossa pequena razão. A iniciativa gratuita de Deus precede sempre a nossa pesquisa, o nosso pequeno esforço, meditação, exercícios espirituais, longas orações, jejuns[1]. Vejamos os três lugares clássicos em que Paulo diz, em jeito autobiográfico, esta imensa novidade:

 

 

«15,3Transmiti-vos (parédoka: aor. de paradídômi), na verdade, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi (parélabon: aor de paralambánô): que Cristo morreu (apéthanen: aor2 de apothnêskô) pelos nossos pecados segundo as Escrituras, 4e que foi sepultado (etáphê: aor2 pass. de thápô) e que foi ressuscitado (egêgertai: pf. pass. de egeírô)[2] ao terceiro dia segundo as Escrituras, 5e que SE FEZ VER (ôphthê: aor. pass. de horáô) a Cefas (Kêphã), e depois aos Doze. […] 8Em último lugar, FEZ-SE VER (ôphthê) também a mim (emoí), 9(…)o mais pequeno dos apóstolos (ho eláchistos tôn apostólôn) (…); 10é pela graça de Deus (cháriti dè theoû) que sou o que sou (eimi hó eimi), e a sua graça em mim não ficou vazia (kenê)» (1 Cor 15,3-5.8-10).

 

«1,11Dou-vos a conhecer (gnôrízô), irmãos, o EVANGELHO evangelizado por mim (tò euaggélion tò euaggelisthèn hyp’ emoû), que não é segundo o homem (ouk éstin katà ánthrôpon), 12nem, na verdade, eu o recebi de homem (oudè gàr egô parà anthrôpou parélabon autó), nem fui ensinado (oúte edidáchthên: aor. pass. de didáskô), mas por REVELAÇÃO de JESUS CRISTO (allà di’ apokalýpseôs Iêsoû Christoû). […] 15Quando, pois, aprouve (eudókêsen) a Deus – aquele que me separou (aphorísas) desde o ventre de minha mãe, e me chamou (kaléô) por meio da sua graça –, 16REVELAR (apokalýpsai) o seu Filho em mim, a fim de o evangelizar (hína euaggelízomai autón)» (Gl 1,11-12.15-16).

 

«3,12Não que eu já a tenha recebido (élabon: aor2 de lambánô) ou já tenha chegado à perfeição (teteleíômai: perf. pass. de teleióô), mas persigo/corro (diôkô) para a agarrar (katalábô), pois também FUI AGARRADO (katelêmphthên: aor. pass. de katalambánô) por Jesus Cristo. 13Irmãos, eu mesmo não penso tê-la agarrado (kateilêphénai: inf. perf. katalambánô), mas UMA COISA (hèn dé): as coisas atrás (tà ôpísô) esquecendo (epilanthanómenos: part. pres. médio de epilanthánomai), para as coisas à frente (toîs émprosthen) me atirando (epekteinómenos: part. pres. médio de epekteínomai), 14para a META (skopós) persigo/corro (diôkô) para o PRÉMIO (brabeîon) da chamada celeste de Deus (tês ánô klêseôs toû theoû) em Cristo Jesus (en Christô Iêsoû)» (Fl 3,12-14).

 

É grandemente significativo que, para falar deste começo novo, imprevisível e não programável – que não é «segundo o homem» nem o «recebeu de homem» nem «foi ensinado» (Gl 1,11 e 12) –, Paulo recorra a dois verbos de REVELAÇÃO (ôphthê, aor. pass. de horáô, e apokalýptô) e a um de LUTA (katelêmphthên, aor. pass. de katalambánô).

A locução ôphthê Kêphã [= «Fez-se ver a Cefas»] (1 Cor 15,5) ou ôphthê emoí [= «fez-se ver a mim»] (1 Cor 15,8) merece a nossa atenção. Kêphã [= «a Cefas»] ou emoí [= «a mim»] configura umdativo dito «do beneficiário» usado com o passivo ôphthê, com significado intransitivo. Esta construção do verbo «ver» (ôphthê) sublinha a iniciativa gratuita e soberana de Deus, que deve traduzir-se por «fez-se ver a», e não por «foi visto por»[3], salvaguardando a iniciativa absoluta de Deus.

A locução apokálypsis Iêsoû Christoû [= «revelação de Jesus Cristo»] (Gl 1,12), sendo «de Jesus Cristo» um genitivo subjectivo que acentua que é de Jesus Cristo a acção de revelação[4], subtrai o Evangelho evangelizado por Paulo do âmbito da acção didáctica, da instrução, da aprendizagem e transmissão humana, mas também do âmbito da autodidáctica – Paulo não aprendeu por si mesmo –, para o âmbito novo da «teodidáctica» ou da intervenção divina. Paulo apresenta-se aqui como um «teodidacta» (theodídaktos) (cf. 1 Ts 4,9)[5], sendo o Evangelho que vive e anuncia obra de Deus nele gravada por amor[6]. O Evangelho (tò euaggélion) é um termo tipicamente Paulino, pertencendo a Paulo 60 das 76 menções que ocorrem no NT[7].

Ensinado por Deus (theodídaktos), recebedor de Deus (theodóchos), imitador (mimêtês) de Deus (1 Cor 11,1; cf. 4,16; Ef 5,1; 1 Ts 1,6; 2 Ts 3,7): ser na terra um «mimo» (mîmos) de Deus, fazer como Deus faz, fazer descer o céu à terra[8].

O verbo grego katalambánô, presente no texto de Fl 3,12, na forma passiva (katelêmphthên), significa «agarrar com força», «prevalecer sobre», «segurar com firmeza»[9]. Trata-se de uma acção de conquista, como bem refere o Papa Bento XVI, que traduziu Fl 3,12: «conquistado por Jesus Cristo»[10]. Claramente: não foi Paulo que correu ao encontro de Jesus; foi Jesus que correu ao encontro de Paulo e o AGARROU. A iniciativa está toda da parte de Jesus[11]. É evidente que esta acção conquistadora de Jesus (aoristo) abre um Capítulo novo na vida de Paulo, que ainda não chegou à perfeição nem a agarrou para sempre (dois perfeitos). Note-se bem como estes dois perfeitos, que implicam duração no tempo – teteleíômai (Fl 1,12) e kateilêphênai (Fl 1,13) – são rasgados por aquela acção conquistadora de Jesus, que aparece em aoristo histórico (katelêmphthên). Quando Jesus irrompe na vida de alguém, necessariamente interrompe a normalidade de um percurso e rasga essa vida em duas partes desiguais: uma que fica para trás,/ outra que se abre agora diante de nós (Fl 3,13), recta como uma seta directa a uma meta, a um alvo, a um objectivo intenso e claro (Fl 3,14). Tão intenso e claro que na vida de cada um só pode haver um, como só por uma vez também ocorre o termo skopós no NT (Fl 3,14)[12]. Digamo-lo de outra maneira:

 

Era uma vez uma estrada, uma carreira, um curso, um percurso,

que só havia uma maneira de fazer: a correr.

Está-se mesmo a ver

só se iria inscrever

quem não gostasse mesmo nada de perder.

 

Corria então nessa estrada

um famoso corredor,

a transbordar de zelo e de ardor,

indómito lutador.

Já se sabia,

saía

sempre vencedor.

 

Até que um dia

à hora do meio-dia,

do sol a pique e de Deus na via,

um novo corredor vindo de fora,

não se sabe de onde,

agarrava

e ultrapassava

nessa estrada

o corredor.

 

A estrada era para os lados de Damasco,

Paulo o corredor,

Jesus o novo vencedor.

 

Começa aqui outra história

de outro amor

com Paulo a correr

por dentro e por fora

até morrer.

 

Fora de si,

dentro de si,

movimento transitivo

no mapa, nos mares, nas estradas, nas cidades,

movimento intransitivo,

ao jeito de Abraão,

rasgando avenidas no próprio coração.

 

Mas não quis mais correr sozinho.

Para mim correr é Cristo,

dizia,

e corria agarrado à sua mão.

Uma mão na mão de Cristo,

a outra apertando a de um irmão e outro irmão e outro irmão,

uma verdadeira multidão

em comunhão.

 

É verdade,

quando Jesus irrompe na vida de alguém,

interrompe a normalidade de um percurso,

e rompe essa vida em duas partes desiguais:

uma que fica para trás,

outra que se abre agora à nossa frente,

recta como uma seta directa a uma meta,

a um alvo, um objectivo intenso e claro,

tão intenso e claro que na vida de cada um

só pode haver um!

 

Este encontro decisivo de Jesus com Paulo marca a vida do «perseguidor» da Igreja de Deus (Gl 1,13), transformando-o em «perseguidor» – note-se o uso do mesmo verbo (diôkô)[13] – da perfeição e da ressurreição de Cristo (Fl 3,12)[14]. Encontro fulminante que opera na vida de Paulo uma viragem de 180%, levando-o a esquecer o tesouro a que estava tão agarrado, e que agora não passa de esterco (skýbalon) (Fl 3,8)[15], e que deixa para trás, e o leva a atirar-se para o tesouro novo que tem agora à sua frente, e que é Cristo (Fl 3,13)[16].

Aquela acção de conquista de Jesus abre, de facto, uma meta clara na vida de Paulo e configura na sua vida a concentração gozosa «numa ÚNICA COISA (hén)» (Fl 3,13)[17], atitude nova e radical que evoca o sonho do Salmista e a advertência de Jesus no Evangelho (Sl 27,4; Mc 10,21; Lc 10,42):

 

«27,4UMA COISA (’ahat TM; mia LXX) pedi (sha’al) ao Senhor,/ essa coisa eu procuro (biqqesh):/ habitar (yashab) na Casa do Senhor/ todos os dias da minha vida,/ para contemplar (hazah) o encanto (beno‘am)[18] do Senhor/ e admirar (biqqer) o seu Santuário (behêkal)[19]» (Sl 27,4).

 

«10,21Então Jesus, olhando dentro dele (emblépsas autô), disse-lhe: “UMA COISA (hén) te falta: ‘Vai, quanto tens vende e dá aos pobres e terás um tesouro no céu e vem e segue-me’”» (Mc 10,21).

 

«10,41(…) Marta, Marta, andas preocupada e distraída à volta de muitas coisas, 42mas de UMA COISA (henós) há necessidade (chreía): Maria ESCOLHEU (exeléxato: aor. de eklégomai) a boa parte (tên agathên merída), que não lhe será tirada» (Lc 10,42).

 

Esta prova é a prova de uma vida e não uma prova entre outras, e leva Paulo a evocar a imagem do atleta empenhado numa corrida constante:

 

 

«9,24Não sabeis que os que no estádio correm (tréchontes: part. prés. de tréchô) todos correm (tréchousin), mas é um que recebe o prémio? Assim correi (tréchete: imper. de tréchô), para que recebais. 25Todo o lutador (ho agônizómenos: part. pres. de agônízomai), porém, em todas as coisas (pánta) se autocontrola (egkrateúetai: pres. de egkrateúomai): aqueles, para receberem uma coroa corruptível; vós, porém, uma incorruptível» (1 Cor 9,24-25).

 

O que está aqui em causa, na corrida como na luta, não é o exercício pelo exercício ou a renúncia pela renúncia seja ao que for (pánta egkrateúetai), mas a concentração e orientação completa da vida (1 Cor 9,24-25; Fl 3,13-14)[20]. A renúncia não significa, neste contexto, qualquer nota de desprezo, mas total concentração, sem distracção. E a total concentração de Paulo na luta que empreende não é para sobressair, mas para amar, não para vencer sozinho, mas para conduzir o maior número à vitória[21], como se pode ver neste notável testemunho:

 

«9,19Fiz-me a mim mesmo servo (emautòn edoúlôsa: aor. de doulóô) de todos, para o maior número ganhar (kerdêsô: conj. aor. de kerdaínô). 20E tornei-me (egenómên: aor2 de gínomai) com os judeus como judeu, a fim de os judeus ganhar (kerdêsô: conj. aor. de kerdaínô); com os que estão sujeitos à lei, como sujeito à lei (…), a fim de os sujeitos à lei ganhar (kerdêsô); 21com os sem lei, como sem lei, para ganhar os sem lei; 22tornei-me com os fracos, fraco, a fim de os fracos ganhar; com todos tornei-me (gégona: perf2 de gínomai) tudo, para, por todos os meios, salvar alguns. 23Todas as coisas faço por causa do Evangelho» (1 Cor 9,19-23).

 

E esta bela analepse, em que Paulo traduz e resume a sua vida inteira – notem-se os verbos no perfeito – nas metáforas do combate (agôn) e da corrida (drómos)[22]:

 

 

«4,7O bom combate (tòn kalòn agôna) combati (êgônismai: perf. de agônízomai),/ a corrida (tòn drómon) cumpri (tetéleka: perf. de teléô),/ a fé (tên pístin) guardei (tetêrêka: perf. de têréô)» (2 Tm 4,7).

 

O «prémio da chamada de Deus» (brabeîon tês klêseôs toû theoû) (Fl 3,14) configura ou um genitivo de fonte, em que o prémio brota da chamada de Deus, ou um genitivo epexegético, em que o prémio consiste na chamada de Deus[23].

Estes textos aurorais desenham aos nossos olhos este novo início paulino como uma epifania/cristofania, fruto da iniciativa gratuita de Deus que se manifesta a Paulo e a nós, de acordo com a confissão colocada na boca de Deus na Carta aos Romanos, e que Paulo foi buscar a Isaías 65,1: «Fui encontrado por aqueles que não me procuram; manifestei-me aos que não perguntam por mim» (Rm 10,20).

Neste sentido, acentua bem Gérard Claudel, que Paulo não apresenta a sua adesão ao Cristianismo como uma «conversão», mas como uma REVELAÇÃO. Salientando que a acção é toda de Jesus – é Ele que AGARRA Paulo com força, não o contrário –, Bruno Maggioni mostra bem que a mudança operada em Paulo não é de ordem moral, mas teológica: de uma concepção de salvação (de baixo para cima, justiça própria) para outra concepção de salvação (de cima para baixo, atitude permanente de Deus, a salvação é graça)[24]. De resto, anota outra vez bem Gérard Claudel, que o motivo da «conversão» está quase ausente nos escritos de Paulo, comparecendo apenas em Rm 2,4; 2 Cor 7,9-10 e 12,21. Quem está completamente ausente é João Baptista, e percebe-se porquê[25].

 

3.1. A graça e a paz e o amor

Não admira ainda, neste contexto, que a GRAÇA (cháris) seja o princípio arquitectónico que rege o inteiro edifício paulino[26], e que Paulo não se saiba dizer a si mesmo senão a partir da GRAÇA (cháris), sua nova identidade recebida desde fora[27]. «GRAÇA é a natureza e a maneira de ser do próprio Deus»[28]. Nenhuma outra palavra expressa tão claramente a sua teologia como a palavra GRAÇA (cháris), que Paulo usa por 100 vezes contra 55 vezes no resto do NT[29]. É pela GRAÇA que Paulo pode dizer a sua nova identidade recebida:

 

 

«15,10É pela GRAÇA de Deus que sou o que sou (eimi hó eimi)» (1 Cor 15,10)[30].

 

O duplo eimi dá à afirmação um tom fortemente peremptório[31], e deixa ver bem que a teologia de Paulo não é um exercício meramente intelectual. É, antes, a sua própria experiência da GRAÇA (cháris) que lhe enche o coração e dele transborda (Rm 1,5; 3,24; 5,2.15.17.20-21; 1 Cor 3,10; 15,10; 2 Cor 4,15; Gl 1,15; 2,9.21)[32]. «Transbordar» (perisseúô) é um dos verbos característicos da teologia da graça em Paulo (cf. Rm 5,15.17; 2 Cor 4,15; 1 Ts 3,12)[33], e faz passar a ideia de uma abundância que transborda sem diminuição e sem fim[34]. Os outros verbos, igualmente significativos, são «abundar» (pleonázô) (Rm 6,1; 2 Cor 4,15), «superabundar» (hyperpleonázô) (1 Tm 1,14), «ultrapassar» (hyperbállô) (2 Cor 9,14; Ef 2,7), «supertransbordar» (hyperperisseúô) (Rm 5,20)[35]. Esta graça (cháris) permanece de princípio a fim reservada a Deus, só ele a pode dar, sem contrapartida humana. Nenhum «favor» podemos fazer a Deus para «pagar» esta graça. A graça não se paga. Apenas nos é dado «agradecer», fazer retorno desta graça à sua fonte, a Deus [cháris tô theô] (Rm 6,17; 7,25; 1 Cor 15,57; 2 Cor 2,14; 8,16; 9,15), estabelecendo entre Deus e nós um círculo de graça[36].

Note-se que o termo cháris traduz nos LXX quase sempre o hebraico hen [como eleéô traduz hanan, e éleos traduz hesed], que mostra o olhar de ternura completamente gratuito, inclinação benevolente, condescendente, do superior em relação ao inferior, da mãe em relação ao filho[37]. Tão-pouco admira que Paulo inicie sempre (saudação inicial) as suas cartas, não com a usual saudação hebraica (shalôm, paz, felicidade) ou grega (chaîre ou chaírein[38], salus em latim, salve, saúde)[39], mas com a GRAÇA e a PAZ [de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo] (Rm 1,7; 1 Cor 1,3; 2 Cor 1,2; Gl 1,3; Ef 1,2; Fl 1,2; Cl 1,2; 1 Ts 1,1; 2 Ts 1,2; 1 Tm 1,2; 2 Tm 1,2; Tt 1,4; Flm 3):

 

 

«1,7(…)GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (Rm 1,7).

«1,3GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (1 Cor 1,3).

«1,2GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (2 Cor 1,2).

«1,3GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (Gl 1,3).

«1,2GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (Ef 1,2).

«1,2GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (Fl 1,2).

«1,2(…)GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai» (Cl 1,2).

«1,1(…)GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê)» (1 Ts 1,1).

«1,3GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (2 Ts 1,2).

«1,2GRAÇA, amor de fidelidade, PAZ (cháris éleos eirênê) da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, o Senhor nosso» (1 Tm 1,2).

«1,2GRAÇA, amor de fidelidade, PAZ (cháris éleos eirênê) da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, o Senhor nosso» (2 Tm 1,2).

«1,4GRAÇA e PAZ (cháris kaì  eirênê) da parte de Deus Pai, e Cristo Jesus, o Salvador nosso» (Tt 1,4).

«3GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê) da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor, Jesus Cristo» (Flm 3).

 

Note-se bem a precedência da GRAÇA (cháris). É o termo-chave da teologia paulina. Não significa, de per si, salvação, ou outro qualquer dos bens messiânicos. Mas constitui a sua fonte e a sua raiz. GRAÇA e PAZ (cháris kaì eirênê): a graça precede a paz, porque é a nascente da paz[40], tal como na hendíade GRAÇA e APOSTOLADO (cháris kaì apostolê) (Rm 1,5), o apostolado decorre da graça, que é a verdadeira nascente da vida quotidiana do apóstolo (adinte, ponto 7.).

Neste sentido, também não admira que Paulo termine sempre as suas Cartas (saudação final) com a GRAÇA [do Senhor nosso, Jesus Cristo] (Rm 16,20; 1 Cor 16,23; 2 Cor 13,13; Gl 6,18; Ef 6,24; Fl 4,23; Cl 4,18; 1 Ts 5,28; 2 Ts 3,18; 1 Tm 6,21; 2 Tm 4,22; Tt 3,15; Flm 25):

 

 

«16,20(…)A GRAÇA do Senhor nosso (hê cháris toû kyríou hêmôn), Jesus, convosco (meth’ hymôn)» (Rm 16,20).

«16,23A GRAÇA do Senhor Jesus convosco (hê cháris toû kyríou Iêsoû meth’ hymôn)» (1 Cor 16,23).

«13,13A GRAÇA do Senhor Jesus Cristo (hê cháris toû kyríou Iêsoû Christoû) e o AMOR de Deus (hê agápê toû theoû) e a COMUNHÃO do Espírito Santo (hê koinônía toû hagíou pneúmatos) com todos vós (metà pántôn hymôn)» (2 Cor 13,13).

«6,18A GRAÇA do Senhor nosso, Jesus Cristo (hê cháris toû kyríou hêmôn Iêsoû Christoû) com o vosso espírito, irmãos (metà toû pneúmatos hymôn)» (Gl 6,18).

«6,24A GRAÇA com todos os que amam o Senhor nosso, Jesus Cristo (hê cháris metà pántôn tôn agapôntôn tòn kýrion hêmôn Iêsoûn Christón)» (Ef 6,24).

«4,23A GRAÇA do Senhor Jesus Cristo (hê cháris toû kyríou Iêsoû Christoû) com o vosso espírito (metà toû pneúmatos hymôn)» (Fl 4,23).

«4,18A GRAÇA convosco (hê cháris meth’ hymôn)» (Cl 4,18).

«5,28A GRAÇA do Senhor nosso, Jesus Cristo, convosco (hê cháris toû kyríou hêmôn Iêsoû Christoû meth’ hymôn)» (1 Ts 5,28).

«3,18A GRAÇA do Senhor nosso, Jesus Cristo, com todos vós (hê cháris toû kyríou hêmôn Iêsoû Christoû metà pántôn  hymôn)» (2 Ts 3,18).

«6,21A GRAÇA convosco (hê cháris meth’ hymôn)» (1 Tm 6,21).

«4,22A GRAÇA convosco (hê cháris meth’ hymôn)» (2 Tm 4,22).

«3,15A GRAÇA com todos vós (hê cháris metà pántôn  hymôn)» (Tt 3,15).

«25A GRAÇA do Senhor Jesus Cristo (hê cháris toû kyríou Iêsoû Christoû) com o vosso espírito (metà toû pneúmatos hymôn)» (Flm 25).

 

A GRAÇA abre e fecha – inclusão literária –, enche, as Cartas de Paulo. Também não admira, portanto, que, tomado pela GRAÇA (cháris) e pelo COMPRAZIMENTO (eudokía de Deus [Gl 1,15][41] ou syneudokía do Pai e do Filho e do Espírito Santo) e pelo AMOR (agápê)[42], Paulo nunca manifeste rancor ou amargura estéreis – ainda que, por vezes, tenha de expressar sentimentos de reprovação –, mas que saiba ver sempre, em primeiro lugar, o bem e o belo[43].

Neste sentido, deixamos aqui registrado, pela sua importância programática, o primeiro dizer do inteiro Novo Testamento, a saudação (salutatio) com que Paulo abre a Primeira Carta aos Tessalonicenses, depois da apresentação (titulatio) e do endereço (explicitação do destinatário) (adscriptio)[44]:

 

 

«1,1GRAÇA a vós e PAZ (cháris hymîn kaì eirênê). 2DAMOS GRAÇAS (eucharistoûmen: pres. de eucharistéô) a Deus sempre por todos vós» (1 Ts 1,1-2).

 

Saudação aos Tessalonicenses, e acção de graças dirigida a Deus, mas sempre com os cristãos de Tessalónica no horizonte, debaixo dos olhos. Este olhar de bondade e de beleza em todas as direcções, dá o tom ao inteiro Novo Testamento[45]. É sintomático que, depois da apresentação, de um intenso parêntesis cristológico e da saudação (Rm 1,1-7), a Carta aos Romanos prossiga assim:

 

«1,8PRIMEIRO (prôton), DOU GRAÇAS (eucharistô: pres. de eucharistéô) ao meu Deus, por intermédio de Jesus Cristo, por todos vós…» (Rm 1,8).

 

Aqui está o mesmo olhar de bondade e de beleza, ícone de Paulo em oração. Sem fim. Na verdade, depois daquele «primeiro», ficamos à espera de encontrar um «segundo» ou  um «depois», que, todavia, nunca mais aparecerá. A GRAÇA e a ACÇÃO DA GRAÇA estão antes de tudo e preenchem tudo[46]. Nesse sentido, é bom e justo que tomemos consciência de que não é mais suficiente um cristianismo convencional, marcado pela acção social. É hoje igualmente insuficiente a espiritualidade da militância, que persegue a causa nobre de uma Igreja viva e participada e da construção de um mundo melhor. Um serviço pastoral que se reduza a «coisas que fazer» está gasto. Passou o tempo dos cristãos «praticantes». Hoje são necessários cristãos enamorados[47].

Mas resulta ainda muito saboroso verificar que o destinatário das Cartas e, portanto, das saudações de Paulo, é muitas vezes a Igreja de Deus ou as Igrejas de Deus que estão no meio das cidades e das casas dos homens[48]. Atente-se na listagem que segue:

 

«1,1Paulo, servo de Cristo Jesus, CHAMADO (klêtós) apóstolo … 7a todos os que estão em ROMA, amados (agapêtoí) de Deus, aos CHAMADOS (klêtoîs) SANTOS (hagíois)…» (Rm 1,1-7).

«1,1Paulo… 2à IGREJA de Deus (ekklêsía toû theoû) que está em CORINTO, aos SANTIFICADOS (hêgiasménois: part. perf. pass. de hagiázô) em Cristo Jesus, aos CHAMADOS (klêtoîs) SANTOS (hagíois)…» (1 Cor 1,1-2).

«1,1Paulo… à IGREJA de Deus (ekklêsía toû theoû) que está em Corinto, com todos os SANTOS (hagíois)…» (2 Cor 1,1).

«1,1Paulo… às IGREJAS (ekklêsíais) da GALÁCIA…» (Gl 1,1-2).

«1,1Paulo… aos SANTOS (hagíois), que estão em ÉFESO…» (Ef 1,1).

«1,1Paulo… a todos os SANTOS (hagíois) em Cristo Jesus que estão em FILIPOS…» (Fl 1,1).

«1,1Paulo… 2aos SANTOS (hagíois) e fiéis que estão em COLOSSOS…» (Cl 1,1).

«1,1Paulo e Silvano e Timóteo, à IGREJA (ekklêsía) dos TESSALONICENSES…» (1 Ts 1,1).

«1,1Paulo e Silvano e Timóteo, à IGREJA (ekklêsía) dos TESSALONICENSES…» (2 Ts 1,1).

«1,1Paulo… 2a TIMÓTEO…» (1 Tm 1,1-2).

«1,1Paulo… 2a TIMÓTEO…» (2 Tm 1,1-2).

«1,1Paulo… 4a TITO…» (Tt 1,1-4).

«1Paulo… a FILÉMON…» (Flm 1).

 

Vê-se, pela listagem apresentada, que Paulo endereça cinco Cartas explicitamente à Igreja ou às Igrejas: 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses. O termo grego para dizer «Igreja» é ekklêsía, de ekkaléô, ek-kaléô [= fora de + chamar, chamar para fora e desde fora], o que faz da Igreja a comunidade dos «chamados» ou «convocados» por Deus a sairem de si[49], para formarem um povo novo, pertença de Deus. Este sentido de pertença exclusiva a Deus está bem patente no «genitivo de posse» (ekklêsía toû theoû, «Igreja de Deus») (1 Cor 1,2; 2 Cor 1,1)[50], que as duas Cartas aos Coríntios exibem, e que representa como que um agrafo que une a Igreja a Deus. A Igreja é de Deus. Por isso, a Carta aos Romanos registra o belo nome de «chamados» (klêtoí) dado aos cristãos de Roma (Rm 1,7), no seguimento de Paulo, que se assume como «chamado» (klêtós) (Rm 1,1), título grande que reaparece na Primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 1,2). Esta maneira de ver e de dizer responde ao chamamento ou à chamada (klêsis) e evoca a eleição (eklogê) de Deus (1 Ts 1,4) e os eleitos (eklektoí) de Deus (Rm 8,33), e é um eco do hebraico qahal, assembleia do povo convocado por Deus à volta do seu amor e da sua palavra[51]. Claramente: não se trata de um grupo que as pessoas tenham escolhido, mas do grupo dos escolhidos por Deus, obra da graça de Deus, e que responderam ao seu chamamento.

O termo «Igreja» (ekklêsía) encontra-se no NT por 114 vezes. Encontra-se em claro destaque no Corpus Paulinum, onde se faz ouvir por 62 vezes, e é o termo a que S. Paulo recorre mais vezes para se referir às comunidades que Cristo colocou no seu caminho. Depois de Paulo, o termo ekklêsía conta 23 ocorrências no Livro dos Actos dos Apóstolos e 20 no Apocalipse. Apenas por 2 vezes aparece nos Evangelhos (Mt 16,18; 18,17)[52].

Esta maneira de agrafar a Igreja a Deus, Igreja de Deus, em que cada um é chamado para fora de si por Deus e para Deus expressa-se ainda no título de «santos» (hágioi), que se ouve por seis vezes no endereço das Cartas (Rm 1,7; 1 Cor 1,2; 2 Cor 1,1; Ef 1,1; Fl 1,1; Cl 1,1), e que Paulo usa por 39 vezes para designar os cristãos[53]. Hágios remete para o hebraico qadôsh[54], grande título de Deus. Um Deus Santo (qadôsh) é, de acordo com a mais aceite etimologia de qadôsh, um Deus «separado»[55]: não «separado» do mundo por amor criado, nem do ser humano, pois sobre ele se debruça com premura; mas «separado» sobretudo de si mesmo, saindo de si mesmo, para vir ao nosso encontro, tanto se interessa por nós[56]. Nestes dois sentidos, o Deus Santo nada tem a ver com o conceito de divindade do mundo grego e de outros mundos, que divinizam a inteira natureza e encerram a divindade ciosamente nas paredes douradas da sua divindade. Um Deus Santo que santifica (1 Cor 1,2), isto é, que nos chama a sair de nós para irmos ao encontro dos outros, por amor. Um Deus que sai de si (!), e que nos santifica, chamando-nos a sair de nós. Outra vez o belo tema muito Paulino da imitação: «Sede santos porque Eu sou Santo» (Lv 11,44-45; 19,2; 20,7.26; 21,8; 22,32…).

Esta maneira de ver a Igreja, trazendo para a cena o rico vocabulário da «assembleia convocada por Deus», do «chamamento», da «eleição», da «santidade» apresenta-se bela e fecunda sobretudo em três aspectos: primeiro, porque salienta a intervenção electiva, portanto, soberana e livre de Deus; segundo, porque não insiste em demasia na organização interna; terceiro, porque deixa ver a ideia muito bíblica de um caminho, que é a história da salvação[57].

(continua no próximo post)

António Couto


[1] C. M. MARTINI, Il Vangelo di Paolo, p. 18-19.

[2] A formulação no perfeito, depois de dois aoristos, indica que Cristo foi ressuscitado (passivo teológico) e vive para sempre. K. STOCK, I Racconti Pasquali dei Vangeli Sinottici, Roma, Pontificio Istituto Biblico, 2.ª impressão, 2002, p. 11.

[3]J. DELORME, La Résurrection de Jésus dans le langage du Nouveau Testament, in H. CAZELLES, J. DELORME, L. DEROUSSEAUX, J. LE DU, R. MACÉ, Le langage de la foi dans l’Écriture et dans le monde actuel. Exégèse et catéchèse, Paris, Cerf, 1972, p. 143; K. STOCK, I Racconti Pasquali dei Vangeli Sinottici, p. 11; A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 1198-1203.

[4]S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Galates, p. 80.

[5]«Vós ensinados (theodídaktoi) sois a amar-vos uns aos outros (eis tò agapân allêlous)» (1 Ts 4,9). Termo usado só aqui em todo o AT e NT. Esta é também a primeira vez, que se saiba, que o termo é usado na literatura grega. A ideia, porém, é muito bíblica, e pode ver-se em Is 54,13 («Todos os teus filhos serão discípulos de YHWH») e Jo 6,45 («Todos serão ensinados por Deus»). Ver S. LÉGASSE, Les Épîtres de Paul aux Thessaloniciens, Paris, Cerf, 1999, p. 234.

[6]S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Galates, p. 79-81.

[7]D. J. MOO, The Epistle to the Romans, Grand Rapids – Cambridge, Eerdmans, 1996, p. 43, nota 16.

[8] J. BAUDER, miméomai imitar, seguir atrás de; mimêtês imitador; summimêtês coimitador, in L. COENEN, E. BEYREUTHER, H. BIETENHARD (eds.), Diccionario teológico del Nuevo Testamento, IV, Salamanca, Sígueme, 1984, p. 181-182.

[9]B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 35 e 241-242; B. SIEDE, Recibir, tomar (lambánô), in L. COENEN, E. BEYREUTHER, H. BIETENHARD (eds.), Diccionario teológico del Nuevo Testamento, IV, p. 25 e 28.

[10] Ver Discurso proferido na Audiência concedida aos Participantes no Congresso para os Novos Bispos, em 22 de Setembro de 2008. Ver também L. DE LORENZI, La vida spiritual de Pablo, in G. BARBAGLIO (ed.), Espiritualidad del Nuevo Testamento, Salamanca, Sígueme, 1994, p. 93 e 96-98.

[11]B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 35 e 242.

[12]J. L. SUMNEY, Philippians. A Greek Student’s Intermediate Reader, Peabody, Hendrickson Publishers, 2007, p. 87.

[13] O verbo diôkô significa «correr», «perseguir», «lançar-se sobre», «correr a toda a pressa». B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 241.

[14] L. DE LORENZI, La vida spiritual de Pablo, p. 98-99.

[15] O significado usual de skýbalon é «excremento». J. L. SUMNEY, Philippians, p. 78-79.

[16]L. DE LORENZI, La vida spiritual de Pablo, p. 93; B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 35-36.

[17]J. L. SUMNEY, Philippians, p. 86.

[18] De notar que hazah construído com be traduz a contemplação embevecida (cf. Ct 7,1). Ver L. ALONSO-SCHÖKEL, C. CARNITI, Salmos. I. (Salmos 1-72). Traducción, introducciones y comentario, Estella, Verbo Divino, 1994, p. 443.

[19] Esta construção de biqqer com be constitui caso único no AT e evoca uma experiência espiritual da manifestação de Deus. Ver L. ALONSO-SCHÖKEL, C. CARNITI, Salmos. I. (Salmos 1-72), p. 443; L. SABOURIN, Le Livre dês Psaumes Traduit et interprété, Monte Real – Paris, Bellarmin – Cerf, 1988, p. 161.

[20]A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 713.

[21]B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 242-243.

[22]J. D. QUINN, W. C. WACKER, The First and Second Letters to Timothy. A New Translation with Notes and Commentary, Grand Rapids / Cambridge, Eerdmans, 2000, p. 777 e 786-787.

[23] Ver problemática em J. L. SUMNEY, Philippians, p. 87.

[24] B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 34.36.38.

[25]Ch. PERROT, Gesù e la storia, Roma, Borla, 1981, p. 102; G. CLAUDEL, L’héritage Chrétien de Paul, in J. SCHLOSSER (ed.), Paul de Tarse, p. 263.

[26] B. MAGGIONI, Il Paolo di Dio, p. 39.

[27] A salvação provém sempre da iniciativa de Deus. J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 319 e 322.

[28] M. BARTH, H. BLANKE, The Letter to Philemon, p. 266.

[29]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 319-320, e nota 10; D. J. DOUGHTY, The Priority of CHARIS, in New Testament Studies, 19, 1972-1973), p. 163-180.

[30] J. GNILKA, Pablo de Tarso, p. 181; J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 29.

[31]A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 1211.

[32]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 179.

[33] Verbo especialmente paulino, aparece 26 vezes no corpus paulinum contra 13 no resto do NT. S. LÉGASSE, L’épître de Paul aux Romains, Paris, Cerf, 2002, p. 235, nota 169.

[34]M. J. HARRIS, The Second Epistle to the Corinthians, p. 357; Th. BRANDT, Plenitud, sobreabundancia (perisseúô), in L. COENEN, E. BEYREUTHER, H. BIETENHARD (eds.), Diccionario Teologico del Nuevo Testamento, III, Salamanca, Sígueme, 1983, p. 367-370.

[35]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 323.

[36]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 323, e nota 32; J. A. FITZMYER, Lettera ai Romani. Commentario critico-teologico, Casale Monferrato, Piemme, 1999, p. 534.

[37]Cháris traduz quase sempre o nome hen; de forma diferente, o verbo hanan é traduzido o mais das vezes por eleéô. H. J. STOEBE, hnn, Ser compasivo, in E. JENNI, Cl. WESTERMANN (eds.), Diccionario Teológico manual del Antiguo Testamento, I, Madrid, Cristiandad, 1978, cols. 815-829. Por sua vez, éleos é o termo mais usual para traduzir hesed. J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 321; S. LÉGASSE, L’épître de Paul aux Romains, p. 74, nota 107. Ver também U. TERRINONI, «Buono é il Signore» (Sl 103,8). Il messaggio biblico della misericordia, Bolonha, EDB, 2008, p. 23-24.124; H.-H. ESSER, éleos (Misericordia), in L. COENEN, E. BEYREUTHER, H. BIETENHARD (eds.), Diccionario Teologico del Nuevo Testamento, III, 99.

[38]Chaírein (saúde!) é um infinito com significado imperativo (cf. Act 23,26), e é a fórmula mais usada nas saudações em mundo grego; por vezes, o imperativo (chaîre) substitui o uso mais corrente do infinito (chaírein). Ver M. J. HARRIS, The Second Epistle to the Corinthians, p. 127, e nota 1, e p. 135.

[39]B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 111; S. LÉGASSE, Les Épîtres de Paul aux Thessaloniciens, p. 67-68; S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Romains, p. 63; J. A. FITZMYER, Lettera ai Romani, p. 271-272.

[40] B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 111.

[41] O verbo eudokéô traduz, nos LXX, nove verbos hebraicos diferentes; o mais das vezes traduz ratsah [= aprazer]. O nome eudokía não se encontra nos LXX. Tendo Deus por sujeito, como sucede em Is 42,1 (Servo) ou nas Cartas de Paulo, carrega sempre a iniciativa soberana e gratuita da vontade de Deus, benfazeja e eficaz. S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Galates, p. 91-92.

[42] Só excepcionalmente encontramos o termo agápê no grego extra-bíblico antes dos séculos II-III. Encontra-se nos LXX por umas 20 vezes. A estatística sobe no NT, onde agápê se encontra por 116 vezes, das quais 75 vezes no corpus paulinum. J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 320, e nota 15.

[43] C. M. MARTINI, Il Vangelo di Paolo, p. 38-39.

[44]C. M. MARTINI, Il Vangelo di Paolo, p. 38.

[45]S. LÉGASSE, Les Épîtres de Paul aux Thessaloniciens, 73.

[46]Sucessivos comentadores têm salientado bem este assunto. Ver J. A. FITZMYER, Lettera ai Romani, p. 291; D. J. MOO, The Epistle to the Romans, p. 57; S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Romains, p. 76; B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 272.

[47] F. LAMBIASI, Lettera di un vescovo a un laico, in L. ALICI, F. LAMBIASI, Ho qualcosa da dirti. Due lettere a un prete e a un laico, Roma, AVE, 2007, p. 44-45; F. LAMBIASI, La partecipazione dei laici alla vita e alla missione della Chiesa, in CONGREGAZIONE PER I VESCOVI, Duc in Altum. Pellegrinaggio alla Tomba di San Pietro. Incontro di Riflessione (Roma 15-23 settembre 2008), Città del Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 2008, p. 275.

[48] Ver, neste sentido, a interessante Nota Pastoral da CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, intitulada Il volto missionario delle parrocchie in un mondo che cambia, de 30 de Maio de 2004, na Introdução e nos n.º 4 e 13.

[49] J. GNILKA, Pablo de Tarso, p. 258-260; J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 537; A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 75.

[50] Ver, por exemplo, A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 73-74; M. J. HARRIS, The Second Epistle to the Corinthians, p. 132.

[51] J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 537; S. LÉGASSE, Les Épîtres de Paul aux Thessaloniciens, p. 62-63 e 84-85; S. LÉGASSE, L’Épître de Paul aux Romains, p. 939; B. MAGGIONI, Il Dio di Paolo, p. 110-111.

[52]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 537.

[53]J. D. G. DUNN, The Theology of Paul the Apostle, p. 330, nota 74; ver também D. J. MOO, The Epistle to the Romans, p. 55.

[54]A. C. THISELTON, The First Epistle to the Corinthians, p. 76.

[55] W. KORNFELD, qadôsh, in G. J. BOTTERWECK, H. RINGGREN, H.-J. FABRY (eds.), Theological Dictionary of the Old Testament, Vol. XII, Grand Rapids, Eerdmans, 2003, p. 523.

[56] C. DI SANTE, La rinascita dell’utopia, Roma, Lavoro, 2000, p. 82.

[57] R. PENNA, Puntos clave en la teología de Pablo, in R. FABRIS (ed.), Problemas y perspectivas de las ciencias bíblicas, Salamanca, Sígueme, 1983, p. 354-355.

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One Response to PAULO, MODELO DE EVANGELIZADOR (3)

  1. Luisa diz:

    Ao ler todas estas coisas vejo o quanto ainda tenho para saber, o quanto há de “ignorante” em mim. Posso não compreender tudo mas dá-me gosto ler!
    Obrigada por ter trazido estas e outras tantas informações.

    Paz e Bem! :)

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