PAULO, MODELO DE EVANGELIZADOR (6)

Janeiro 27, 2009

6. A força nova de uma testemunha

No seu discurso aos Membros do Consilium de Laicis, proferido em 02 de Outubro de 1974[1], Paulo VI fez uma importante afirmação, que depois retomou na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (08 de Dezembro de 1975), n.º 41:

  

«O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas».

 

Paulo entra bem nesta catalogação do mestre que é testemunha. Ele sabe bem que foi chamado desde o ventre materno (Gl 1,15; cf. Is 49,1; Jr 1,5). Que foi agarrado por Jesus Cristo (Fl 3,12). Que foi amado por Jesus Cristo (Gl 2,20). Que o amor de Cristo tomou conta dele (hê agápê toû Christoû synéchei hêmâs) (2 Cor 5,14), programando-o[2]. Que, para ele, viver é Cristo (Fl 1,21), pois é Cristo que vive nele (Gl 2,20), e fala nele (2 Cor 13,3)[3].

É por isso que Paulo estava tomado (syneícheto: imperf. passivo de synéchô) pela Palavra o tempo todo, dando testemunho aos judeus de que Jesus era o Cristo (Act 18,5). Tomava conta da Palavra, que tomou conta dele.

A abrir o Capítulo nono da Primeira Carta aos Coríntios, Paulo apresenta as suas credenciais apostólicas, servindo-se de uma série de perguntas retóricas que reclamam outras tantas respostas afirmativas enfáticas[4]:

  

«9,1Não sou livre? Não sou apóstolo? Não VI (heôraka) Jesus, o Senhor nosso?» (1 Cor 9,1).

 

Este VER, no tempo perfeito grego, indica que Paulo não se refere apenas a uma experiência do passado, que não afecta o presente, mas a uma experiência cujo efeito continua no presente[5]. Empregando este tempo gramatical, Paulo afirma que viu e que continua a ver Jesus, apresentando-se, portanto, como uma testemunha credível e convincente. O tempo perfeito é o tempo da testemunha. Só alguém com a vida cheia de Jesus pode dar testemunho de Jesus. Leia o resto deste artigo »