PAULO, MODELO DE EVANGELIZADOR (13)

Fevereiro 3, 2009

13. Evangelizar é a nossa maneira de ser

Diz Paulo a Timóteo, mas nós podemos também receber estas palavras oportunas:

 

 

«1,6Recordo-te (anamimnêskô) que reavives (anazôpyreîn) o carisma (tò chárisma) de Deus que está em ti» (cf. 2 Tm 1,6).

 

Reavivar o carisma é reacender o dom de Deus, como o fogo que se reacende das cinzas, como se vê pelo verbo grego anazôpyréô – usado só aqui no NT e duas vezes nos LXX (Gn 45,27; 1 Mac 13,7)[1] –, e como bem explica o Papa João Paulo II na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, n.º 70, de 25 de Março de 1992. Para que o dom de anunciar o Evangelho arda no nosso coração, mas arda também no coração de cada baptizado, dado que evangelizar é a nossa maneira de ser, mas é também a maneira de ser da Igreja, de toda a Igreja (Evangelii Nuntiandi, n.º 14; Redemptoris Missio, n.º 62), isto é, de todos os cristãos, de todas as dioceses e paróquias, instituições e associações eclesiais (Redemptoris Missio, n.º 2 e 61-76; Novo millenio Ineunte, n.º 40; Instrução Diálogo e Anúncio, n.º 82[2]; Documento Diálogo e Missão, n.º 10 e 14)[3].

 

Consciente da importância da Evangelização, Paulo VI traçou bem e fundo o perfil evangelizador da Igreja:

 

 

«Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda. A Igreja existe para Evangelizar»[4].

 

E numa recente Nota Pastoral, a Conferência Episcopal Italiana deixou escrito com eloquente beleza e precisão:

 

 

«A Evangelização é o fundamento de tudo e deve ter o primado sobre tudo; nada a pode substituir e nenhuma outra tarefa se pode antepor-lhe»[5].

 

O nosso serviço de evangelização já não pode consistir simplesmente em evangelizar o outro até um certo ponto, mas em evangelizá-lo até que ele sinta a necessidade de se constituir em evangelizador. Então sim, evangelizar será a nossa (de todos) maneira de ser. E estaremos sintonizados com o Apóstolo Paulo.

 

António Couto

[1] J. D. QUINN, W. C. WACKER, The First and Second Letters to Timothy, p. 590. São significativos os dois textos dos LXX: em Gn 45,27, é dito que, quando os filhos de Jacob lhe deram a entender que o seu filho José estava vivo, «o espírito do seu seu pai Jacob reacendeu-se»; em 1 Mac 13,7, é dito que, ao ouvir o discurso inflamado de Simão, «se reacendeu o espírito do povo ao ouvirem essas palavras».

[2] PONTIFÍCIO CONSELHO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO e CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS, Istruzione Dialogo e annuncio: Riflessioni e orientamenti sull’annuncio del vangelo e il dialogo interreligioso, 19 de Maio de 1991.

[3] SECRETARIADO PARA OS NÃO-CRISTÃOS, Documento L’atteggiamento della Chiesa di fronte ai seguaci de altre religioni. Riflessioni e orientamenti su dialogo e missione, 10 de Junho de 1984.

[4] PAULO VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (EN), de 8 de Dezembro de 1975, n.º 14.

[5] CONFERÊNCIA EPISCOPAL ITALIANA, Questa è la Nostra Fede. Nota pastorale sul primo annuncio del Vangelo (QNF), de 15 de Maio de 2005, n.º 2.