TOMÁS MORO, PATRONO DE GOVERNANTES E MODELO PARA TODOS


1. «Assim, depois de uma maturada reflexão e acolhendo de bom grado os pedidos que me foram feitos, constituo e declaro S. Tomás Moro Patrono celeste dos Governantes e dos Políticos, concedendo que sejam tributadas todas as honras e privilégios litúrgicos que lhe competem, segundo o direito, aos patronos de categorias de pessoas». Estas são as últimas palavras da Carta Apostólica em forma de Motu Proprio com que, em 31 de Outubro de 2000, João Paulo II proclamou S. Tomás Moro Patrono dos Governantes e dos Políticos.

 

2. Tomás Moro viveu uma carreira política extraordinária no seu país. Tendo nascido em Londres, em 7 de Fevereiro de 1478, no seio de uma família respeitável, foi colocado desde jovem ao serviço do Arcebispo de Cantuária, John Morton, Chanceler do Reino. Estudou Direito, mas adentrou-se também nos vastos horizontes da cultura, mormente da teologia e da literatura clássica, com particular destaque para a língua grega que dominava perfeitamente. Manteve intercâmbio cultural e travou relações de amizade com alguns dos maiores vultos da cultura humanista e renascentista do seu tempo, com particular saliência para Erasmo de Roterdão.

 

3. De grande sensibilidade religiosa, conviveu de perto com franciscanos e cartuxos (esteve para entrar para um convento), mas seguiu a vida matrimonial, tendo-se casado em 1505 com Joana Colt, de quem teve quatro filhos. Tendo esta falecido em 1511, Tomás Moro desposou em segundas núpcias Alice Middleton, já viúva, com uma filha. Foi marido e pai afectuoso e fiel, excelente educador. Em sua casa estudava-se, rezava-se e acolhiam-se todos os necessitados de pão para o corpo ou para o espírito.

 

4. Em 1504, no reinado de Henrique VIII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento, e, a partir daí, não pára de subir na carreira política e administrativa. Fez viagens diplomáticas e comerciais à Flandres e aos territórios da França actual, foi juiz-presidente de um tribunal importante, vice-tesoureiro e cavaleiro. Ascendeu, em 1523, à presidência da Câmara dos Comuns, e, em 1529, foi nomeado por Henrique VIII Chanceler do Reino, cargo de que se demitiu em 16 de Maio de 1532, por não poder aceitar os planos de Henrique VIII, que se preparava para se separar de Roma e assumir o controlo da Igreja de Inglaterra (Roma não aceitava o divórcio de Henrique VIII de Catarina de Aragão, para se casar com Ana Bolena). O cisma foi proclamado em 30 de Março de 1534. Em 17 de Abril desse ano, Tomás Moro foi encarcerado na Torre de Londres, sendo decapitado em 6 de Julho de 1535. Na sua vida familiar e política, mas também durante todo o processo que o conduziria à morte, Tomás Moro mostrou-se sempre firme e determinado, fiel a Deus, à sua consciência e à verdade. Sempre com extraordinária lucidez e desarmante sentido de humor e delicadeza.

 

5. Excepcional no saber e no talento, no prestígio pessoal e literário, na fidelidade à sua consciência, no muito que teve a coragem de sacrificar, Tomás Moro foi ainda excepcional também na simpatia e no trato com os demais. As qualidades demonstradas, quer como homem público (eficiência, humildade, honestidade, espírito de justiça e verticalidade), quer na vida familiar (amizade, compreensão, hospitalidade, alegria e bom humor), foram consagradas pela vox populi e estão comprovadas por testemunhas.

 

6. Tomás Moro foi beatificado por Leão XIII em 1886, canonizado por Pio XI em 1935, e proclamado por João Paulo II Patrono dos Governantes e Políticos em 31 de Outubro de 2000. Seria bom que os Governantes de hoje pautassem as suas decisões pelo amor à verdade e à justiça, que todos reconhecemos em Tomás Moro, exemplo imperecível de coerência moral. Mas Tomás Moro apresenta-se também como modelo de vida para todos os homens e mulheres de hoje e de qualquer tempo. Fevereiro foi o mês do seu nascimento, e pode ser o mês do reconhecimento que lhe devemos.

 

António Couto

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