Diz uma história rabínica que, quando Alexandre Magno chegou ao norte de África, viu as populações locais virem oferecer-lhe os produtos da região. Mas ele disse-lhes: – «Não vim aqui para ver o que produzis, mas para ver as vossas leis». Nessa altura, dois homens foram ter com o rei de Qets [Qets significa «fim», «fim do mundo», um reino muito bíblico], e pediram-lhe que julgasse a sua contenda. Um disse: – «Majestade, comprei um campo a este homem, e, quando o lavrei, encontrei lá um tesouro. Então insisti com este homem que ficasse com o tesouro, uma vez que eu comprei apenas o campo, e não o tesouro. Mas ele recusa-se a aceitar o tesouro». Então o outro homem replicou: – «Eu temo a punição, exactamente como tu. Porque, quando eu te vendi o campo, vendi-to com tudo aquilo que ele continha». Então o rei perguntou ao primeiro homem: – «Tu tens um filho?» – «Sim», respondeu o homem. Depois, perguntou ao outro: – «Tu tens uma filha?» – «Sim», respondeu ele. – «Então casai os vossos filhos e dai-lhes o tesouro como dote», sentenciou o rei.
Alexandre Magno manifestou imensa surpresa. – «Por que ficaste surpreendido?», perguntou o rei de Qets. – «Não julguei bem?» – «Com certeza», respondeu Alexandre. Insistiu o rei de Qets: – «Se isto se passasse no teu reino, qual teria sido a tua sentença?» Alexandre respondeu: – «Eu tê-los-ia matado aos dois, e ficava com o tesouro». Então o rei de Qets perguntou a Alexandre Magno: – «Brilha o sol no teu país?» – «Sim», respondeu Alexandre. – «E cai chuva no teu país?», continuou o rei de Qets. – «Sim», retorquiu Alexandre. – «No teu país há animais e rebanhos?», continuou a perguntar o rei de Qets. – «Com certeza», respondeu Alexandre. Disse então o rei de Qets: – «Agora compreendo porque é que no teu país brilha o sol e cai a chuva. Não é por mérito vosso, mas dos animais, pois está escrito: «O homem e o animal tu salvas, Senhor» (Salmo 36,7).
António Couto
Qets, “reino muito bíblico”…
A sabedoria do seu rei também me parece muito bíblica…Lembro-me da oração de Salomão, em que ele não pedia ao Senhor riquezas nem longa vida , mas um coração sábio e perspicaz para saber governar , discernir e julgar o seu povo…Dá, Senhor esta sabedoria aos homens e mulheres que neste nosso mundo têm nas suas mãos o poder e a necessidade de governar e julgar com justiça. É esse o caminho para a paz…
Embora Alexandre Magno tenha morrido 323 anos (a. C.), a sua ganância e indiferênça continuam a imperar ainda hoje na Humanidade. São elas, a ganância, e a indiferênça, as responsáveis directas dos grandes dramas humanos que vivenciamos.
É necessário que a Declaração dos Direitos humanos seja ratificada pelos governos que ainda não deram a sua adesão e seja FINALMENTE observada integralmente por TODOS.
Senhor, ajuda-nos a construir o Teu Reino, AQUI, no meio de nós!
Bem haja, meu irmão em Cristo.
Que diversidade de sentimentos.
São estes, afinal, que exprimem a qualidade e a diversidade das acções e decisões de cada ser humano.
Se, afinal, em qualquer momento da vida, vier a faltar a alguém a coragem do amor e da virtude, que, ao menos, não falte, – a partir da consciência, – o temor necessário para evitar o pior: diminuir, dividir ou destruir própria vida humana, de quem quer que seja. Jesus Cristo não veio salvar as nossas coisas e valores, mas sim a vida do ser humano, assegurando na Sua a nossa, numa Festa de Vida Eterna.
Obrigado, D. António. Que belas reflexões.
Elas vão muito para além da imediatez das simples palavras.
Vejo nelas também a projecção da sua disponibilidade de coração.
Muito obrigado. Bendito seja Deus.
Gostei da história mas, fiquei um bocado triste porque não entendi o final… :(
Paz e Bem
Belo pensamento para os dias de hoje. Cada vez me convenço mais que os antigos eram muito mais inteligentes do que nós… não sei porque?
Realmente aquilo que não é do homem, ele não devia ter direito de julgar… só de quem o direito tem.