COM DEUS NO CORAÇÃO

Maio 14, 2009

1. «Tu me seduziste, Senhor,/ e eu deixei-me seduzir;/ Tu foste mais forte» (Jeremias 20,7). «O Senhor é um guerreiro», diz o cântico de Moisés (Êxodo 15,3). Jeremias também o é. Tem de o ser. Que outro modo há de lidar com Deus,/ ou com o amor? Não é o amor «terrível como um exército em ordem de batalha»? (Cântico dos Cânticos 6,4). Que o digam também Moisés, Paulo de Tarso, Agostinho de Tagaste, Francisco de Xavier. Todos travam lutas intensas com Deus. Todos saem derrotados, mas não frustrados; antes apaziguados e tranquilos. Eu também. Confesso que já perdi várias lutas com Deus. Luto com Ele, e tenho perdido sempre, e ainda bem. Já são muitos a zero. Ando nisto desde os 10 anos. O que se passou hoje, aqui, é mais uma vitória d’Ele. Assumo publicamente a derrota. Mas compreendo cada vez melhor que a verdadeira vocação do homem é lutar com Deus mil vezes por amor, e mil vezes sair derrotado por amor.

2. Senhor, que eu diga sempre «Sim»:/ contigo não me importo de perder até ao fim.// Bem se vê que é de amor que falo,/ ou calo./ Importa ouvir sempre a voz do galo,/ e não perder o rumor dos teus passos no jardim,/ ou já dentro de mim,/ suave Senhor de la Sonrisa,/ fina brisa à flor dos lábios,/ alento,/ encanto.// Atento,/ que pode a semente germinar antes do tempo,/ e a espiga amadurar antes do campo!// O tempo que me dás é todo ceifa./ Quatro meses para Ti, que coisa são?/ Apenas o tempo de erguer e poisar os olhos neste chão,/ João 4,35./ Assim nos fazes passar do inverno para o verão,/ e nos deixas no tempo da missão.

António Couto

Anúncios