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era pequenina
saltava à corda
com a força que tinha
A corda tensa
a corda abaulada
tornava-se imensa
nas mãos da menina
Entre o céu e a terra
baloiçando a corda
pulava o horizonte
de borda em borda
Sobre o vau da vida
sobre o vau da morte
a corda tendida
era o passaporte
Frágil, forte,
o fio da esperança
salta o vau da morte
com um pé de dança
Assim vai o caixão
descendo pela corda
mas sobe o coração
sursum corda
De Deus descia
a escada de corda
a menina tecia
o seu céu de corda
António Couto
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