A LIÇÃO DA SERENIDADE

Junho 21, 2009

1. Um luxo. Em pleno mar da Galileia, Os seus discípulos/apóstolos lutam, jesus_tempestadeaflitos, contra a tempestade que ameaça desfazer a pequena embarcação no meio do mar encapelado (Mc 35-41). E em claro contraponto, «Jesus, à POPA, dormia deitado sobre uma almofada» (Mc 4,38). Não nos esqueçamos que a POPA é a parte traseira e o lugar de comando da pobre embarcação (a parte da frente é a proa). Jesus permanece no comando da nossa barca, da nossa vida, ainda que muitas vezes nem nos apercebamos da serenidade da sua condução. A presença da almofada na pobre embarcação e do sono sereno de Jesus marcam bem o tom doce e tranquilo deste condutor diferente da nossa vida agitada. Não é a nossa agitação que conta. É o seu sono tranquilo.

 

2. Canta bem a Liturgia das Horas da Igreja:

«Se me colhe a tempestade,

E Jesus vai a dormir na minha barca,

Nada temo porque a Paz está comigo».

 

3. Tu falas, tu fazes, tu chamas, tu ordenas. Todos os caminhos vêm de ti, vão para ti. És tu o Senhor de todos os chamados, de todos os reunidos, de todos os enviados. Tu és a casa, a mesa, o caminho, o vinho, o pão, o peixe. Velas por todos: pelos pais, pelos filhos, pelos irmãos, pelos desfilhados, pelos órfãos, pelos desirmanados. Vela por nós, Senhor, orienta a nossa barca, deita-te tranquilamente à popa (Mc 4,38): o teu sono sereno há-de serenar as nossas tempestades.

 4. A tua palavra faz-se mansamente em nós (Lc 1,38), a nossa tenda alarga-se, invade-nos o espanto: quem são e de onde vêm todos estes? (Is 49,20-21). Sim, a nossa terra é bela e jovem (Sl 144,12), a nossa casa tem luzes em todas as janelas (Ez 36,33), os nossos campos cobrem-se de frutos (Lv 26,4; Sl 67,7; 85,13; Ez 36,29-30), as árvores de pássaros (Mc 4,32), aumenta o tempo da debulha, do canto, da vindima (Lv 26,5; Sl 126,6), multiplicam-se os nossos rebanhos, chegam carregados os nossos bois, estão repletos os nossos celeiros (Sl 144,13-14; Pr 3,10; Jl 2,24), cheios de vinho novo os nossos odres (Jl 2,24; Pr 3,10; Mc 2,22), a transbordar de azeite as nossas almotolias (1 Rs 17,14-16; 2 Rs 4,1-6; Jl 2,24; Mt 25,1-13), são de alegria os nossos dias (Dt 16,15; Sl 63,6; 126,2-3; Is 9,2; 65,18; Fl 4,4).

 António Couto

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