LEVA UMA NOTÍCIA FELIZ AOS TEUS AMIGOS

Setembro 16, 2009

 

1. «Evangelizar não é para mim um título de glória, mas uma necessidadel_e36bbd6d18404b23b1d72bf21c4a68c9 que se me impõe desde fora. Ai de mim se não evangelizar!», confessa Paulo à comunidade cristã de Corinto (1 Coríntios 9,16).

 2. Paulo anuncia convictamente a notícia da Ressurreição. E diz que o faz como se de uma necessidade se tratasse. Mas porque é que este anúncio há-de ser, para Paulo, uma necessidade? É uma necessidade porque Paulo considera o acontecimento da Páscoa de Cristo como único, singular e universal, que o afectou radicalmente na sua maneira de ser homem. A prova é que Paulo mudou tudo na sua vida. Mudou, ou foi mudado. É por isso que Paulo anuncia convictamente a força (dýnamis) de Cristo Crucificado e Ressuscitado (Filipenses 3,10).

 3. Mas é claro que este anúncio sempre Primeiro arrasta consigo um longo e lento e belo relato. O relato é o testemunho de como Cristo atravessou a vida do anunciador, transformando-a radicalmente. O anunciador transforma-se assim naturalmente em narrador. O anunciador é audaz e destemido. O narrador é frágil: é um pedinte que mendiga um narratário a quem possa transmitir o seu relato. Ouvindo o anúncio e acolhendo o relato, cabe agora ao narratário decidir se declara o acontecimento da Páscoa de Cristo como único, singular e universal, isto é, como um acontecimento capaz de mudar radicalmente a sua vida e de pôr em andamento uma história nova de Perdão e de Vida para o fim de toda a morte e de todo o pecado. Se o fizer, também ele se porá a caminho, atravessará fronteiras, anunciará a Ressurreição de Cristo e oferecerá como garante o relato da transformação operada na sua própria vida. E assim sucessivamente.

 4. A notícia faz de ponto de união: junta o mensageiro e o destinatário. Mas é o relato que os aproxima, fazendo-os, não só estar juntos, mas nascer juntos como irmãos. Este nascimento, não pelo sangue, mas pela Liberdade, é que é o verdadeiro nascimento, que nos faz saborear a verdadeira fraternidade: «Ide dizer aos meus irmãos que Eu os precedo na Galileia» (Mateus 28,10; cf. João 20,17). Irmãos uns dos outros e irmãos do Ressuscitado, que nos precede e nos preside sempre, referência permanente do nosso quotidiano: «Onde estiverem dois ou três, Eu estarei no meio» (Mateus 18,20).

 5. Enche a tua vida com uma grande notícia. Comunica depois essa notícia aos teus amigos. E relata, isto é, põe em relação, une, reúne, enlaça, entrelaça, com essa notícia a tua vida toda.

6. Em Setembro abre a escola, a igreja, o campo, abre a política e o tribunal. Abre também a vida, meu irmão de Setembro.

 António Couto