ONDE ESTÁ DEUS, ALI É O CÉU


 

1. Em Junho de 2002, D. Alois Kothgasser, então Bispo de Innsbruck (no anodir_povos11 seguinte Arcebispo de Salzburgo), na Áustria, empreendeu uma iniciativa a todos os títulos original: escreveu e assinou juntamente com sete crianças (Pia, Lena, Viktoria, Barbara, Myriam, Nadine e Nina) uma interessantíssima Carta Pastoral. As crianças escolheram o tema: o «Pai Nosso». A reflexão e a redacção foi feita em conjunto. A Carta apareceu em Junho. Esgotou em pouco tempo. Foi lida nas igrejas e nas escolas. Empenhou crianças, jovens e adultos. A Carta terminava com uma parte interactiva, em que as crianças eram convidadas a contribuir com um desenho ou um trabalho manual para a realização de um grande quadro. Eram igualmente convidadas a responder a algumas perguntas sobre o «Pai Nosso». As respostas chegaram aos milhares.

2. A Carta reflecte bem a linguagem directa das crianças, mas mostra também uma notável compreensão da oração do «Pai Nosso». Abba, Ab-ba, dizia Jesus na sua língua materna, o aramaico. Papá, Pap-pa, diz a criança que há nós, em português. Termo de grande ternura e proximidade. Nosso, acentuam as crianças: quer dizer que somos todos irmãos e irmãs, fomamos todos uma grande família. E perguntam: então por que é que os adultos fazem tantas guerras? E as crianças de Innsbruck lembram aos adultos que o termo para dizer «guerra» na sua língua, Krieg, vem de kriegen, que significa «obter», «possuir». Ficamos assim todos a saber onde está a raiz das nossas guerras.

3. Ficamos também a saber com as crianças de Innsbruck que, rezando sinceramente o «Pai Nosso», vamos aprendendo e ensinando a dar pequenos passos para mudar alguma coisa.

4. Novembro faz-nos entrar pelos olhos dentro a verdade e a humildade daborboletas005 nossa humanidade: o húmus, a terra. Mas também o carinho, a familiaridade, a comunhão com os nossos familiares e amigos já falecidos. Verdadeiramente, «aqueles que passam por nós/ não vão sós,/ não nos deixam sós./ deixam um pouco de si,/ levam um pouco de nós» (Saint-Exupéry).

5. E a fé ensina-nos também, nestes dias, de mais perto e de mais fundo, que Deus nunca nos abandona, do mesmo modo que o Papá e a Mamã não abandonam os seus filhos. Novembro traz muitas lições para os nossos olhos. Para quê tantos ódios, invejas, vaidades e orgulhos? Para quê as nossas guerras e guerrinhas?

6. Onde está Deus, ali está o céu, lembram-nos as crianças de Innsbruck. Quer dizer que a nossa terra pode sempre ter um bocadinho mais de céu. Depende também de ti, meu irmão de Novembro.

António Couto

6 respostas a ONDE ESTÁ DEUS, ALI É O CÉU

  1. Luisinha diz:

    É sempre incrível como é que as verdades simples saem sempre dos mais pequeninos. Que bonita iniciativa essa do Bispo com as crianças!
    Vou estar mais atenta para ver onde pode estar o meu céu e onde posso fazer surgir o céu do meu próximo. Levando Deus no coração tudo é possível!
    Gostei muito da borboleta também.

    Paz e Bem
    Luisinha

  2. “Novembro faz-nos entrar pelos olhos dentro a verdade e a humildade da nossa humanidade: o húmus, a terra. Mas também o carinho, a familiaridade, a comunhão com os nossos familiares e amigos já falecidos. Verdadeiramente, «aqueles que passam por nós/ não vão sós,/ não nos deixam sós./ deixam um pouco de si,/ levam um pouco de nós» (Saint-Exupéry).”

    Muito bonito e pleno de sentido.
    Novembro é tudo isso e mais muito mais, queiramos nós ter sempre essa atitude de carinho e de humildade, de mim para o outro. Deus estará tão mais perto de nós. Senti-lo-emos profundamente e será este certamente o nosso melhor Sentir, com Todos, mesmo com os nossos familiares e amigos que já não estando não deixamos de os sentir forte, muito forte cá dentro de nós.
    É bem verdade, nunca nos deixarão ficar sós.
    A saudade do Abraço forte e tão sentido.. essa ficará sempre connosco.
    Mas sim, jamais estaremos sós…

    Obrigado por estas palavras que me fizeram pensar e sentir tão grande gratidão pelo que tenho na minha vida.

    Dulce

  3. joaquim diz:

    Bom dia, D. António

    Vem a propósito um diálogo muito bonito, observado por mim, entre dois colegas no local onde trabalho e, que por ser interessante partilho aqui com todos os que na “mesadepalavras” vêm saciar-se.

    Estes dois colegas e amigos de trabalho; o senhor F. (homem rude e orgulhoso) e o senhor M. (homem amigo e de paz); estavam a meio duma acalorada conversa, na qual o senhor F. procurava a todo o custo justificar ao senhor M. que a sua maneira – travessa – de ver as coisas é que estava bem.
    É então que me aproximo dos dois e dou conta deste bonito diálogo:

    – Vou fazer, vou acontecer, tem de ser assim!… Esbracejava o senhor F.
    Com serenidade pergunta-lhe o senhor M.
    – Ò F. sabes rezar o Pai-Nosso?… Sei, pois, responde ele, com ar de quem não está a gostar da conversa
    – Então começa a rezá-lo!
    E um pouco a contragosto o senhor F. começou a “dizer” o Pai-Nosso.

    Quando chegou a “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos…”
    Aí o senhor M. disse imediatamente: – Pára aí ó F.!…

    Neste momento, observei como no rosto do senhor F. apareceu um sorriso.
    Aquele sorriso de quem – como criança – foi iluminado e viu que havia uma outra dimensão, outra forma de ver as coisas à luz do amor de Deus.

    E Acabamos todos a sorrir

    “Parar” em cada letra, em cada frase, para deixar que a oração do Pai-Nosso, transvaze para nós, iluminada pelo Amor de Deus, é preciso.

    Bonito momento de catequese, este!

    Shalôm!

  4. Dulce diz:

    “Entramos em Outubro. Tempo de voltar à escola. Tempo de aprender e de ensinar humanidade e cidadania. Tempo de descobrir que é urgente substituir o velho aforismo burguês e anestesiante, segundo o qual «a minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro», pelo implicativo e sempre inquietante «a minha liberdade começa onde começa a liberdade do outro».
    Em vez de continuares a passar tranquilamente e de boa consciência ao lado do outro, experimenta aproximar-te dele. Deixa-te incomodar por ele, meu irmão de Outubro.”

    Senhor D. António,

    Permita-me fazer algo que deveria ter feito há pouco,e por não o ter feito, apresentar-lhe as devidas desculpas: apresentar-me.

    Acerca de mim, dizer que gosto de pensar que a maioria das pessoas com quem nos cruzamos na rua, seja onde for, são cúmplices, na ternura e no respeito de um Ser humano para com o Outro.
    E que sê-lo, nesta cúmplicidade, é uma das minhas prioridades na vida.

    E, pensando-o, aconteceu ter-me, “cruzado” há pouco tempo na Paróquia de São Julião da Barra, com o Senhor Padre Nuno Westwood, que me indicou este Caminho, que tanto procurara, e onde me sinto hoje tão bem e, também por isso, sentir ser um Caminho sem retorno, pois, no Estar e no Darmo-nos, a nossa fé frutifica e recebemos sempre muito mais, num sentir tão profundo de uma enormíssima GRATIDÃO.

    Cheguei até Vós, à “Mesa de Palavras”, onde venho e, quando vou embora (até voltar outra vez), vou muito mais esclarecida e motivada no meu propósito de que Lhe falava.

    E voltando um pouco atrás, transcrevi parte de um texto que o Senhor D. António escreveu no passado dia 4 de Outubro e que fez, inquestionável, eco em mim, e que sintetizo na frase: a minha liberdade começa onde começa a liberdade do outro…que assim seja Senhor D. António.
    Obrigado.

    Dulce

  5. Pedro Hugo Mesquita Oliveira diz:

    Caríssimo Prof. D. António Couto,

    É um privilégio, porque não,um DOM, poder continuar a aprender consigo! Saboreando nesta mesa de palavras, da Palavra sábia que lhe vem de Deus.

    Continue esta partilha generosa, porque a fome pela verdadeira Palavra é imensa…!

    Um abraço fraterno, do seu – sempre aluno – Pedro+

    PS: Espero que leia esta singela mensagem…

  6. JOSE OLIVEIRA diz:

    olá boa tarde.

    É de facto um privilegio como diz o Irmão Pedro H. M Oliveira,aprender mais e mais,e quantos não há que poderiam aprender, se para tal estivessem disponíveis.
    Gostaria deixar em reflexão este texto que um peregrino na caminhada a Nossa Senhora de Fátima, em 2008.
    Começa assim!

    Bom Dia!
    Quando te levantas, pela manhã,Eu já tinha preparado o sol para aquecer o teu dia, e o alimento para a tua nutrição.
    Sim,Eu preparei tudo isso enquanto vigiava o teu sono, a tua família, a tua casa.
    Esperei pelo teu” Bom Dia”, mas esqueceste-te!
    Bem … parecias ter tanta! Eu perdoei!…
    O Sol apareceu, as flores deram o seu perfume,a brisa da manhã acompanhou-te e tu nem pensaste que fui Eu que preparei tudo para ti.
    Os teus familiares sorriam, os teus colegas cumprimentavam-te, trabalhaste,estudaste,viajaste, realizaste negócios,alcançaste vitórias, mas…não percebeste que Eu estava cooperando contigo e,mais teria feito, se Me tivesses pedido.
    Eu sei, corres tanto… Eu perdoei!…
    Leste bastante, ouviste e viste muita coisa, mas não tiveste tempo de ler e ouvir a Minha palavra.
    Quis falar contigo,mas não paraste para ouvir.
    Quis aconselhar-te, mas nem pensaste nessa possibilidade…
    Se me ouvisses, tudo seria melhor na tua vida.
    Mais uma vez te esqueceste de Mim.
    Esqueceste-te que Eu desejo a tua participação no Meu Reino,com a tua vida,o teu tempo,os teus talentos!
    Findou o teu dia!
    Voltaste para casa!
    Mandei a lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita, para te lembrar o AMOR que tenho por ti!
    Certamente,agora, vais-me dizer”obrigado” e ” Boa Noite”!
    Psiu…estás ouvir? Que pena…já adormeceste!
    Boa Noite!
    Dorme bem!
    Eu fico a velar por ti!

    E quando, enfim,quiseres saber quem sou,pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta,à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda…chamo-me AMOR,o remédio para todo os males que te atormentam o espírito: EU SOU JESUS.

    Obrigado e até sempre!

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