SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ


 

1. Atravessamos ainda a Solenidade do Natal do Senhor, dado que esta Solenidade se prolonga durante oito dias (Oitava) até à Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, que se celebra no primeiro Dia de Janeiro.

 2. O Natal do Senhor põe diante do nosso olhar contemplativo uma Família humilde e bela – Jesus, Maria e José –, mas traz também consigo uma forte sensibilidade Familiar, tornando-se o tempo forte da reunião festiva das nossas Famílias. Estes dois acertos são importantes para se compreender a razão por que, no Domingo dentro da Oitava do Natal, a Igreja celebre a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José.

 3. Os textos da Liturgia são outra vez preciosos. O Evangelho põe no nosso coração o último episódio do Evangelho da Infância de S. Lucas, conhecido por «Encontro de Jesus no Templo» (2,41-52). Na verdade, o texto refere, logo a abrir, que «os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém pela Festa da Páscoa», certamente envoltos na intensa alegria com que os judeus piedosos acorriam ao Templo do Senhor nas três Festas de Peregrinação – Páscoa, Semanas e Tendas –, cantando: «Que alegria quando me disseram: vamos para a Casa do Senhor!» (Salmo 122(121),1). Eram oito dias de alegria filial e fraternal, uma vez que, na Casa do Senhor todos eram filhos e irmãos.

 4. Mas este belíssimo episódio guarda ainda mais alguns sabores requintados. Primeira nota: diz-nos o texto que, nessa Páscoa, Jesus já tinha completado doze anos, que o mesmo é dizer que tinha passado da infância à idade adulta, e que, portanto, sobre ele incumbia agora também o dever de subir três vezes por ano a Jerusalém e de responder pessoalmente, sem a mediação dos pais, pelo cumprimento dos mandamentos de Deus, como ainda hoje se verifica na cerimónia pública chamada «bar mitswah» [= filho do mandamento], que os rapazes judeus piedosos realizam aos 12 anos.

 5. Segunda nota: no regresso a Nazaré, após um dia de viagem, Maria e José aperceberam-se de que Jesus «não fazia caminho com eles», e ficaram preocupados e foram procurá-lo. Sinal importante para as restantes páginas do Evangelho e para nós: quando nos apercebermos de que Jesus não está a fazer caminho connosco, devemos ficar preocupados e ir à procura dele.

 6. Terceira nota: não o encontram onde e como seria de esperar, entre os parentes e conhecidos. Quarta nota: Jesus é encontrado três dias depois no Templo (Casa de Deus), num claríssimo aceno à Ressurreição (três dias) e ao verdadeiro parentesco e identidade de Jesus (Casa de Deus). Quinta nota: está sentado na cátedra (kathezómenos) no meio dos mestres. Então ele é o Mestre, e o seu lugar é sempre no meio de nós.

 7. Sexta nota: a resposta serena de Jesus à sua mãe preocupada («Olha que o teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura», diz Maria): «Não sabíeis que é para mim necessário estar nas coisas do meu Pai?», responde Jesus. Mas era óbvio que, depois da cerimónia do «bar mitswah», competia a Jesus responder pessoalmente a Deus. Note-se ainda o confronto do «teu pai», de Maria, com o «meu Pai», de Jesus. E note-se também que Jesus não se ocupa simplesmente das coisas do Pai, mas está nas coisas do Pai. Expressão fortíssima, de intimidade, que implica a própria vida, e não um mero negócio qualquer.

 8. Sétima nota: embora não compreendendo, Maria guardava todas estas palavras e acontecimentos no seu coração. Expressão belíssima que mostra bem a altura do crente verdadeiro, que não tem de compreender tudo já.

 9. Dentro da temática da Família, o Antigo Testamento traz-nos hoje um extracto sapiencial retirado do Livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico) 3,2-6.12-14, e que nos convida ao amor dedicado aos nossos pais sempre, para que o Senhor ponha sobre nós o seu olhar de bondade.

 10. O Salmo 128(127) é a música suave, de teor didático-sapiencial, que canta uma família feliz e nos mostra a fonte dessa felicidade: a bênção paternal do Senhor. «Felizes os que esperam no Senhor,/ e seguem os seus caminhos» é a bela litania em que o refrão nos faz entrar.

 11. Finalmente, o Apóstolo Paulo, na Carta aos Colossenses 3,12-21, exorta esposos, pais e filhos ao amor mútuo, mostrando ainda de que sentimentos nos devemos vestir por dentro e de que música devemos encher o nosso coração. Salta à vista que a bondade, a humildade, a mansidão, a longanimidade, o amor, o perdão são vestidos importantes para a festa, mas não se compram nem vendem por aí em nenhum pronto-a-vestir. Nesta época de bastante consumismo, convém que nunca nos esqueçamos de Deus, pois é Ele que veste carinhosamente o coração dos seus filhos.

 António Couto

4 respostas a SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

  1. Luisinha diz:

    Deveríamos ter sempre uma Sagrada Família em casa, a nossa família, seguindo o exemplo daquela que há mais de 2000 anos viveu por nós. Ninguém é perfeito, todos erramos, mas todos possuímos algo em comum: a capacidade de sempre tentar melhorar (se quisermos!).
    Que Deus abençoe todos os lares!

    Paz e Bem
    Luisinha

  2. jose oliveira diz:

    Olá boa noite.
    Todos podemos e devemos ser responsáveis na Família e para a Família,até numa conversa com um vizinho,um amigo,ou a um desconhecido devemos de incentivar há união da Família.Porque a Família é o Amor de Deus.
    F,lor.
    A,mizade.
    M,issão.
    I,nterajuda.
    L,iberdade.
    I,gualdade.
    A,mor. .FAMÍLIA.
    Obrigado, até sempre.

  3. E.Coelho diz:

    Como eleitos de Deus…
    para crescer em sabedoria, em estatura e em graça, tal como Jesus, uma criança-adolescente de 12 anos, igual a todas as outras. A sua riqueza, os seus recursos estão também aí, para nós. A Palavra de Deus.
    E o Reino seremos todos nós, um só corpo.
    Com salmos, hinos e cânticos inspirados,
    cantemos de todo o coração a Deus a nossa gratidão.
    Felizes Festas
    Elisa

  4. E.Coelho diz:

    Recebi um postal de Natal que me falava de “O Natal de outra maneira”…!
    Dei-lhe voltas e mais voltas, pensei nele, sonhei com ele; interiorizei-o e … reparei que.

    1.- Inexoravelmente a data passou no calendário, as luzes vão apagar-se, as compras terminaram. O natal passou, como de costume, sem deixar grandes marcas, a não ser o exagero, um cansaço triste, a não ser os saldos e montes de tralha!…
    2.-(In)evitavelmente as campanhas de solidariedade estão a fechar as contas como se os pobres tivessem acabado, como se o mundo fosse novo e não houvesse mais dor, fome, sofrimento, violência; das campanhas solidárias ouviremos falar de novo no próximo ano… como se o Natal tivesse terminado!…
    3.- Os laços desataram-se(eram de vento), a corrente não pára e tumultuosa leva tudo na frente, incluindo as estátuas com pés de barro e as pontes que não se construíram. Os cânticos vão calar-se e encher-se de pó até ao próximo ano. Para onde foi o Natal? Onde está? Que fizemos dele?

    – Mas … O NATAL chegou!
    Uma estrela brilhou, os anjos anunciaram-no, pastores viram-no;
    – Os Magos vieram certificar-se e adoraram-no.
    O NATAL chegou, de outra maneira. Dá-se a todos, não é preciso comprá-lo, nem precisa de saldos. É grátis!
    – A única campanha de que necessita, TODO O ANO, chama-se AMOR, chama-se RENASCER (pela água e pelo Espírito), a partir de dentro, não a partir de anúncios comerciais, imagens vermelhas , de papéis coloridos que se deitam fora…
    – O NATAL VEIO PARA FICAR todo o ano, todos os dias, todos os segundos. Nas nossas mãos abertas, nos nossos corações de carne!
    “O NATAL DE OUTRA MANEIRA”!
    Está aí. Encontremo-lo e fiquemos com ele!
    Abraço grande
    Elisa

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