O EVANGELHO DA ALEGRIA


 

1. O Evangelho do Ano Litúrgico que estamos a celebrar (Ano C) é o Evangelho de Lucas. E o Evangelho de Lucas é atravessado, entre outras estradas importantes, como a abertura Missionária a todos os povos e o contacto de Jesus com todas as classes de pessoas (pobres, ricos, doentes, pecadores, idosos, crianças, mulheres, viúvas…), o Hoje, a Bondade, a Graça (termo que, nos Evangelhos Sinópticos, só Lucas usa), também pela estrada ou auto-estrada da Alegria. Nenhum outro Evangelho dá tanto espaço à Alegria e desenha tantos rostos felizes e tantas ocasiões de Alegria.

 2. Desde logo, o nascimento de João Baptista será ocasião de ALEGRIA e REGOZIJO (1,14), e foi ocasião para os vizinhos e parentes se ALEGRAREM com Isabel, sua mãe (1,58). Também Maria ouve a saudação de Gabriel, que soa: «ALEGRA-TE, cheia de graça, o Senhor está contigo!» (1,28). E quando Maria saúda Isabel, esta exclama que o menino (João Baptista) dançou de REGOZIJO no seu ventre (1,44). E no Magnificat, Maria canta o seu REGOZIJO em Deus seu Salvador (1,47). E aos pastores o anjo anuncia uma grande ALEGRIA, para eles e para todo o povo (2,10).

 3. E aos bem-aventurados, Jesus declara: «ALEGRAI-VOS naquele dia, porque será grande no céu a vossa recompensa» (6,23). Também os 72, enviados dois a dois, regressaram com ALEGRIA (10,17), e ouvem a recomendação de Jesus para não se ALEGRAREM porque os espíritos se lhes submeteram, mas para se ALEGRAREM porque os seus nomes estavam escritos nos céus (10,20). E informa-nos o narrador que nessa mesma hora Jesus se REGOZIJOU no Espírito Santo, e exclamou: «Eu te bendigo, ó Pai…» (10,21). E um pouco mais à frente, é outra vez o narrador que nos informa que toda a gente se ALEGRAVA com as maravilhas que Jesus realizava (13,17).

 4. A parábola chamada do «Filho pródigo» ou do «Pai das misericórdias» é, toda ela, um hino à alegria. Verificação: tendo encontrado a ovelha perdida, o pastor põe-na aos ombros, ALEGRANDO-SE, e convida os amigos e os vizinhos a ALEGRAREM-SE com ele (15,5-6), e o narrador acrescenta logo que haverá mais ALEGRIA no céu por um só pecador que se arrepende… (15,7). Do mesmo modo, a mulher que encontra a sua dracma perdida, chama as amigas e as vizinhas e convida-as a ALEGRAREM-SE com ela (15,9), dando a Jesus a oportunidade para dizer que há ALEGRIA para os anjos de Deus por um só pecador que se arrepende (15,10). Pouco depois, e na mesma linha de ideias, o encontro do filho perdido dá oportunidade ao pai para FAZER FESTA (15,23-24), enquanto o filho que sempre esteve em casa critica o seu pai por nunca lhe ter dado oportunidade de FAZER FESTA (15,29), insistindo o pai que agora, com o encontro do filho perdido era mesmo necessário FAZER FESTA e ALEGRAR-SE (15,32).

 5. Um pouco adiante, é Zaqueu que desce depressa do sicómoro, para receber Jesus com ALEGRIA (19,6). E pouco depois, quando Jesus se prepara para entrar triunfalmente na sua cidade de Jerusalém, o narrador diz-nos que toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus com ALEGRIA por todos os prodígios que tinham visto (19,37).

 6. Finalmente, quando Jesus Ressuscitado se faz ver aos seus discípulos, o narrador diz-nos que, por causa da ALEGRIA irreprimível, nem conseguiam acreditar (24,41), para, pouco depois, com a Ascensão de Jesus, voltarem para Jerusalém com grande ALEGRIA (24,52).

 7. Devemos, portanto, ficar atentos e preparados, uma vez que a leitura do Evangelho de Lucas fará abrir, mesmo ali à nossa porta, uma auto-estrada de ALEGRIA. Por outras palavras, neste Ano Litúrgico (Ano C), em que se lê o Evangelho de Lucas, todos os caminhos vão dar à ALEGRIA. ALEGRAI-VOS, portanto, sempre no Senhor! (Filipenses 3,1)

 António Couto

Uma resposta a O EVANGELHO DA ALEGRIA

  1. Paula Fernandes diz:

    Bem precisamos dela, de ALEGRIA.

    Não será, concerteza, coincidência, antes a mão protectora de Quem nos quer bem …

    Tanta tristeza e desgraça por esse mundo fora e a Igreja a proclamar as liturgias do Ano C, em hino de alegria.

    Obrigada pelos quatro sorrisos lindos e contagiantes que nos oferece … e obrigada também pelas flores do campo, que lembram os bons tempos da infância…

    Tudo sinónimo de ALEGRIA.

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