PARA NUNCA MAIS ESQUECER: MERCI SEIGNEUR!


 

1. Em 12 de Janeiro último, às 16h53, um violento sismo abalou o Haiti e abalou o coração do mundo, desencadeando por toda a parte uma gigantesca onda de solidariedade e compaixão.

 2. «Merci, Seigneur», [= «Obrigado, Senhor»], rezavam vozes jovens logo nos primeiros dias resgatadas dos escombros. Vozes saídas do milagre. Oração saída das entranhas.

 3. Naquela tarde do dia 12 de Janeiro, Ena Zizi, uma senhora de 69 anos, estava na missa quando viu a igreja cair-lhe em cima. Continuou a rezar, e, ao sétimo dia, chegou o auxílio. E Ena saiu a cantar de debaixo dos escombros. Contou uma socorrista mexicana: «Ela agarrou a minha mão com tanta força, que pensei que era Deus que me estava a tocar».

 4. «Deus ajudou-me», respondeu Kiki, aquele menino de sete anos, feliz, de sorriso largo e de braços abertos, quando lhe perguntaram: «Como conseguiste sobreviver sete dias debaixo dos escombros»?

 5. Isabel Jossaint, uma bebé de 15 dias, foi resgatada ao oitavo dia, quando já até os seus pais estavam conformados com a sua morte. Estava sossegada debaixo da mobília da casa e tinha passado metade da sua vida debaixo dos escombros. Disse o avô: «Todos sabiam que a menina estava morta, menos Deus!»

 6. Emmanuel Buso, um jovem de 21 anos, esteve soterrado nos escombros da sua casa durante dez dias. Foi bebendo a própria urina para não se desidratar. Deitado agora na cama do hospital, afirma: «Só estou aqui, porque Deus assim o quis».

 7. «Rezei a Deus», respondeu a menina, de 14 anos, resgatada catorze dias depois da catástrofe, quando lhe perguntaram: «O que fizeste durante este tempo todo?»

8. São histórias vivas, densas, encharcadas de dor, de Deus e de amor. Corações a bater, orações a arder, lições a doer para este mundo sonolento, insípido, amortalhado, esse sim soterrado nos escombros de um egocentrismo sem saída.

 9. Hoje, Domingo, o Apóstolo Paulo aponta-nos o AMOR como o CAMINHO HIPERBÓLICO (kath’ hyperbolèn hodón) (1 Coríntios 12,31), portanto, excessivo e belo e maravilhoso. E dirá na Carta aos Colossenses que o AMOR é o vínculo (sýndesmos) (Colossenses 3,14), portanto, o fio, o cíngulo, o cinto que aperta e ajusta as vestes e os corações. E a Carta aos Hebreus vai até ao ponto de nos exortar a estar atentos uns aos outros «até ao paroxismo do AMOR» (eis paroxysmòn agápês) (Hebreus 10,24).

 10. Tristemente célebre e tragicamente verdadeira é a retranscrição que George Orwell (1903-1950) fez do grande texto do «Hino ao Amor» que o Apóstolo Paulo nos deixou em 1 Coríntios 13, substituindo o AMOR pelo DINHEIRO. Escreveu assim George Orwell: «Ainda que falasse todas as línguas, se não tiver dinheiro, sou como um bronze que retine… Se não tiver dinheiro, nada sou… O dinheiro tudo crê, tudo espera, tudo suporta…».

 11. Não anda longe de Orwell esta nossa sociedade. Mas os pobres, que não têm dinheiro, continuam a dar-nos lições de amor. Como estas vindas do Haiti. Merci, Seigneur!

 António Couto

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3 Responses to PARA NUNCA MAIS ESQUECER: MERCI SEIGNEUR!

  1. E.Coelho diz:

    Boa Noite, irmão,
    Realmente foi de destacar as orações de acção de graças das pessoas do Haiti que sobreviveram. Raro foi o documentário que não mostrou isso.
    Dá para pensar!
    Deus está mais presente entre os mais pobres (País mais pobre do mundo). A Quem nada tem, pouco lhe é tirado, ou seja, ficam com tudo o que tinham, e não é pouco: Fé, Esperança e muito Amor.
    Obrigada pela lição,meus irmãos na pobreza,
    Elisa

  2. Arnaldo vareiro diz:

    “Jesus Cristo, sendo rico, fez-se pobre para nos enriquecer na Sua pobreza”. Estes nossos irmãos pobres (e tantos outros) que sofrem enriquecem-nos com a riqueza dos seus corações firmados no amor de Deus!
    O Haiti é, hoje, um “evangelho vivo” do qual poderemos retirar inúmeras lições para o quotidiano das nossas vidas tantas vezes sem esperança! Com Cristo, saberemos encher o nosso mundo de Esperança; com Ele saberemos dar respostas ousadas a todos os que nos batem à porta pedindo socorro!

  3. Paula Fernandes diz:

    CARIDADE, SOLIDARIEDADE, COMPAIXÃO, DÁVIDA de/e por AMOR (desinteressada):

    para os HAITIANOS, mas também para os africanos, asiáticos, europeus, americanos …

    Escutemos, pela enésima vez, S. Paulo e não fechemos os ouvidos, muito menos os corações:

    “Sem caridade, nada sou …”.

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