VERDADE, SIMPLICIDADE, PAZ, RESPEITO E HARMONIA

Fevereiro 25, 2010

 

1. No meu diário consta esta página que hoje aqui transcrevo.  Acabo de regressar da Tailândia, onde tive o grato prazer de participar, de 24 a 29 de Janeiro (2004), nos arredores de Bangkok, em Sampram, num Congresso Internacional de Sociedades Missionárias de Vida Apostólica, de que faz parte também a Sociedade Missionária da Boa Nova. O tema do encontro era o diálogo inter-religioso.

 2. Não me vou aqui referir aos assuntos tratados na sala do Congresso. Apraz-me simplesmente registar a beleza edénica do lugar, a limpeza inexcedível e a gentileza inultrapassável dos tailandeses com quem nos relacionámos.

 3. Visitámos lugares históricos e museus. Registo aqui apenas a visita à cidade de Ayutthaya, berço do cristianismo na Tailândia, levado pelos missionários portugueses em 1511, os primeiros ocidentais a chegar à Tailândia. Há lá hoje muito poucos cristãos, mas a memória dos portugueses está lá bem assinalada. E o respeito por essa memória também.

4. Visitámos uma comunidade budista em Nakorn Pathom, onde fomos recebidos com toda a simpatia do mundo. Dos monges e das monjas que nos receberam transparecia uma imensa harmonia. A base da sua vida é a verdade mais simples, a paz mais profunda, a simplicidade mais estreme, o respeito inteiro pela vida humana e animal, o trato afável com a natureza.

 5. Os monges vivem sem nada. Sem dinheiro. Sem relógio. Sem mobília nem adornos. Apenas possuem uma tigela em que recebem o arroz que os camponeses lhes dão para comer e uns panos traçados que lhes guardam e protegem o corpo de noite e de dia. Dormem sobre a madeira lisa do chão dos seus pequenos aposentos. Tomam apenas uma refeição por dia. São contra toda a violência. Não matam nenhum animal. Nem sequer o mosquito. Não fumam. Não consomem álcool nem drogas. Vivem sem nada? Não. Porque deixam transparecer um grande desprendimento, uma imensa paz e serenidade interior, transbordante harmonia com a natureza. Cuidam do coração. Depuram-no. Retiram dele, dia após dia, todos os venenos e ervas daninhas, que tornam a nossa vida amarga e violenta. Sem o peso desse lixo, podemos pôr os pés no caminho da felicidade. É assim que vivem, e é isso que ensinam às pessoas que os procuram ou simplesmente os visitam.

6. Num mundo atravessado por ódios e guerras e toda a espécie de violência, o que vi e vivi na Tailândia, o país da orquídea real, representa um oásis de paz, de beleza e de delicadeza. Fomos lá, de diversos pontos do mundo, para estudar o diálogo inter-religioso e partilhar pontos de vista. Estudámos, partilhámos e vimos. Tudo passa por uma vigilância apertada sobre nós mesmos e por um infinito respeito pelos outros.

 7. Luta contigo, dialoga com os outros, meu irmão de Fevereiro.

 António Couto

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