NOSSA SENHORA DAS DORES

Setembro 15, 2010

 

Na aurora dos tempos Deus sonhou
o sonho que continua a sonhar ainda hoje.
Um sonho bom e belo e justo brota sempre do coração de Deus,
e o Homem está no centro desse sonho feito criação.
 
Coração a coração, sonho a sonho,
o Homem sonhou também,
e via-se então a humanidade toda de mãos dadas e abertas,
sem sebes nem armas nem cobiças.
 
Mas rapidamente se embotou o coração da humanidade,
e apareceu a cizânia, a inveja, a ambição, a guerra.
No coração da humanidade,
o sonho transformou-se então em pesadelo e morte.
 
Mas Deus não desistiu nunca do seu sonho.
E, no coração do tempo,
clareira aberta no bosque,
luz nas trevas,
Maria encostou o ouvido ao coração de Deus.
Sonho a sonho,
o coração de Maria começou a pulsar ao ritmo do coração de Deus.
O sonho sonhado fez-se carne,
e Maria tornou-se a Mãe da nova Humanidade.
 
Mas as nossas raivas continuavam acesas e atiçadas
contra este sonho estreme e indefeso.
Foi assim que matámos o teu Filho, Senhora.
Matámos o teu Filho.
 
Mas tu vieste ao nosso encontro.
Vens sempre ao nosso encontro,
ao encontro dos teus filhos violentos,
e acolhes-nos no teu regaço maternal.
 
Mãe! Senhora das Dores!
Senhora que acolhe as nossas Dores.
Aqui estamos, nesta terra tão sofrida e tão querida.
 
Recebe-a.
Recebe-nos.
Recebe o nosso coração violento e azedo.
Recebe, Mãe, as nossas lágrimas,
e troca-as por flores,
Mãe, Senhora das Dores.
 
Acolhe-nos, Mãe.
Embala-nos nos teus braços maternais.
Deixa-nos encostar o nosso ouvido ao teu coração de Mãe.
 
Acolhe as nossas preces.
Acalma-nos.
Sorri para nós, Mãe.
Queremos ir daqui embora sossegados, serenos, tranquilos.
Como teus filhos queridos,
protegidos pela tua bênção maternal.
 
António Couto
Lembrando e saudando a Paróquia de Chapadinha,
no Maranhão (Brasil)
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