ESTA LUZ PEQUENINA, VOU DEIXÁ-LA BRILHAR!


 

1. Eis-nos aqui, neste caminho e neste hoje. Passamos, vemos e somos vistos. Entramos no Templo ou na Igreja da nossa terra, cheia de belas pedras, lustres, imagens, talhas douradas, toalhas de linho, música e flores. Também de gente bem vestida e perfumada.

2. Cá fora, lá fora, as guerras continuam, como continuam as catástrofes, as crises, as riquezas, as pobrezas, os impérios e os imperadores, os turistas que tiram fotografias, filmam pedras que julgam interessantes, a canalha, os pardais, os pares de namorados, os velhinhos sentados na soleira da sua porta, os vendedores fanáticos de qualquer seita, que tão depressa vaticinam desastres, como fabricam e vendem mezinhas e remédios, sonhos e futuros fáceis, enlatados, prefabricados, à medida, prontos vestir ou a viver, mas também continuam as falências, as dores, as doenças, os desentendimentos familiares.

3. Dentro do Templo, e não fora dele – à saída – como narram os Evangelhos de Mateus e Marcos, o Jesus de Lucas 21,5-19 (Domingo XXXIII do Tempo Comum) faz ver aos seus discípulos de ontem e de hoje como tudo é passageiro e efémero, «tão cedo passa tudo quanto passa»! Passam as belas pedras e as flores, os perfumes, os impérios, as palavras, as guerras, as tragédias!

4. Nós fazemos sempre perguntas superficiais e epidérmicas, sem sentido: «Quando, e como se poderá saber quando será será o fim destas coisas, deste mundo, deste tempo!» É evidente que Jesus não nos responde directamente, mas adverte-nos: «Não vos deixeis enganar, nem perturbar!». E aproveita a embalagem para orientar o nosso olhar e o nosso coração para o essencial: o fim não deve desviar-nos e distrair-nos do Presente, da Presença, d’Aquele que não passa, e em Quem devemos sempre saber pôr o coração.

5. É esta Presença, esta Voz que Hoje nos chama e diz que nos ama, que deve reclamar toda a nossa atenção, o nosso coração inteiro. Portanto, silêncio em nós. Pausa e bemol. Tempo novo de deixar falar o Espírito (Lucas 12,12) e Jesus (Lucas 21,15). Não há lugar para atitudes de auto-defesa («não prepareis a vossa defesa»), mas para «o testemunho».

6. No Templo ardia o fogo perpétuo no altar do incenso, cuidado duas vezes ao dia, nove da manhã e três da tarde, pelo sacerdote de turno. Esse fogo era o sinal desta Presença amante e interpelante. Nas nossas Igrejas arde permanentemente aquela frágil lamparina, luzinha acesa junto do Sacrário, que assinala esta Presença, este Presente. Não nos deixemos distrair ou perturbar com o acidental. Velemos por esta Presença essencial, que vela por nós sempre. Afinal, é «Na tua Luz que veremos a Luz» (Salmo 36,10).

7. Esta Luz pequenina, vou deixá-la brilhar!

António Couto

2 respostas a ESTA LUZ PEQUENINA, VOU DEIXÁ-LA BRILHAR!

  1. P. Virgílio Maia diz:

    Sou assíduo frequentador. Bom, ajuda-me para as minhas reflexões e inspira-me para as homilias,…
    Que possa continuar a servir-nos o Pão da Palavra.

    Grato, que o Senhor o bendiga e proteja,

    PV

  2. agraciada diz:

    Que toda a minha atenção se dirija para a PRESENÇA!
    Lembro Maria com ouvido atento à VOZ de JESUS!
    Que o meu coração inteiro acolha o PRESENTE!
    Que a vela da oração continue a ser cuidada permanentemente marcando a presença interpelante…

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