AMAR OU NÃO AMAR, EIS A QUESTÃO


 

1. Neste Domingo XXI do Tempo Comum, escutaremos a sexta e última Parte do Capítulo 6.º do Quarto Evangelho, que contempla os últimos versículos (João 6,60-69), e estende a discussão antes havida da multidão (João 6,25-40) e dos judeus (João 6,41-58) com Jesus, também aos discípulos em geral, que entram agora em cena em João 6,60, para saírem de cena para fora da acção de Jesus em João 6,66, sendo então a vez dos Doze e de Pedro entrarem em cena (João 6,67-69).

 2. Veja-se a gradação: multidão, judeus, discípulos, Doze e Pedro. Curiosamente, os discípulos, numa espécie de imbricação, retomam a atitude dos judeus, que os precederam em cena: murmuram (goggýzô) como eles contra o escândalo da incarnação e das origens divinas de Jesus (João 6,61), e classificam como duro (sklêrós), incompreensível, intragável (João 6,60), o discurso de Jesus sobre a sua carne-vida dada em alimento para a vida verdadeira.

 3. Além de «murmurar» como os judeus de Cafarnaum e do deserto (Êxodo 15,24; 16,2 e 7-8; 17,3; Números 14,2.27.29.36), muitos dos discípulos abandonam Jesus e «voltam para trás» (João 6,66), configurando-se como anti-discípulos e anti-povo de Deus, que, no deserto, pretende voltar para trás, para o Egipto (Êxodo 14,12; 16,3; 17,3; Números 14,3-4). O discípulo é aquele que vai atrás de Jesus, seguindo-o, e não o que volta para trás, abandonando-o.

 4. De notar ainda que, no caso dos discípulos, e de forma diferente da multidão e dos judeus, é Jesus que faz a pergunta e dá a resposta. Os discípulos apenas murmuram, não ouvem, não respondem e vão-se embora. No caso dos Doze, é Jesus que faz a pergunta, e é Pedro que, em nome dos Doze e em contraponto com todos os grupos anteriores, não se limita apenas a responder, mas profere uma verdadeira profissão de fé (João 6,68-69).

 5. Vendo bem, neste Capítulo 6.º que hoje atinge o seu ápice, as diversas reacções aos acontecimentos de Jesus, a que a exegese chama «crise galilaica», antecipam e lêem já as crises sucessivas na Igreja. Trata-se sempre da grande decisão de fé pró ou contra a humildade da Incarnação, da Cruz e da Eucaristia. A Palavra de Jesus que se ouve aqui e também agora será sempre como um bisturi que divide, julga e purifica.

 6. A mesma grande decisão ou incisão está patente no grande texto de Josué 24,1-18, em que «servir» é a palavra-chave, que se ouve por 14 vezes. Servir ou não servir, eis a questão. E na Carta aos Efésios 5,21-32, o «serviço» chama-se amor.

 António Couto

2 respostas a AMAR OU NÃO AMAR, EIS A QUESTÃO

  1. adriana pizzuto diz:

    MUCHAS GRACIAS !

  2. António diz:

    Olá D.António.
    Mesmo sem entender tudo quero seguir JESUS,as suas palavras
    são espírito e vida.Os seus artigos sobre o Evangelho de São João
    levaram-me a ver que a Eucaristia é o centro da minha vida.
    muito obrigado.

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