SANTA MARIA, MÃE DE DEUS, RAINHA DA PAZ

Janeiro 2, 2013

 

Vem pelo cais uma criança a correr
Traz uma pomba branca pela mão
Uma criança não tem onde morrer
O seu único haver é o coração.

 1. Sobre esta terra térrea e escura há-de haver sempre uma fonte de água pura, uma mulher «no seu ventre concebendo» o céu (Lucas 1,31; 2,21), fruto maduro, acorde seguro, das entranhas misericordiosas do nosso Deus (Lucas 1,78), Luz nova no céu se alevantando (Lucas 1,78; cf. Números 24,17; Isaías 60,1-2; Malaquias 3,20), Rebento tenro na terra germinando (Jeremias 23,5; 33,15; Zacarias 3,8; 6,12), luminosa sinfonia de Deus e de Maria, o céu ao léu, enchendo de luz os nossos corações duros e escuros como o breu.

  2. «Conceber no ventre» é um pleonasmo evidente, mas é dito duas vezes de Maria, e apenas de Maria (Lucas 1,31; 2,21). Certamente para a mostrar dependente das entranhas misericordiosas do nosso Deus omnipotente, causa da Luz que nas alturas se alevanta e visita toda a gente, causa do Rebento que na terra germina, que a terra aquece e alumia, Jesus, filho de Deus e de Maria.

 3. E tem de ser dito agora que, na Escritura Santa, aquela Luz que no céu se alevanta e o Rebento que na nossa terra germina são ditos com o mesmo nome grego: anatolê (forma verbal: anatéllô), que é como quem diz ainda que a Luz germina e o Rebento ilumina, orientando os nossos passos para os braços de Deus e de Maria, causa da nossa alegria.

 4. A nossa terra sombria precisa de Deus e de Maria, e dessa Luz que suavemente Rebenta e Orienta, aquece e alumia o nosso dia-a-dia. Conceber no ventre, «compor no coração as palavras que acontecem e não esquecem» (Lucas 2,19), estender a mão de irmão à inteira criação, olhar com ternura para cada criatura, por cada criatura. É assim que Deus faz a Bênção e a Paz (Números 6,22-27).

 5. Chegou, meu irmão, a hora de acordar do sono, de encher de amor cada buraco de ozono. Põe fim ao fumo e ao consumo. Dia Mundial da Paz. Dia de Paz. Alarga o coração. Saúda a criação. Leva uma criança a passear com uma pomba branca pela mão.

 António Couto