S. FRANCISCO XAVIER

Dezembro 3, 2013

1. S. Francisco Xavier, proclamado Padroeiro Universal das Missões (Pio X) e apontado como «Apóstolo mundial dos tempos modernos» (João Paulo II), de quem celebrámos ainda não há muito os quinhentos anos do seu nascimento (07.04.1506 – 07.04.2006), postou-se, na esteira de Paulo, no humilde e fiel seguimento de Cristo, vivendo de Cristo (Fl 1,21), impelido pelo AMOR de Cristo (2 Cor 5,14) e pelo Sim de Cristo – que «não foi Sim e não, mas unicamente Sim» (2 Cor 1,19) –, testemunha da Alegria nova de Cristo (Lc 10,21; 1 Pe 1,8) e cooperador dessa Alegria (2 Cor 1,24). Viveu apenas 46 anos sobre esta terra (07.04.1506 – 03.12.1552). 46 anos plenos de Cristo, de Amor e de Alegria.

 2. Partiu de Lisboa em 07 de Abril de 1541, dia em que completava 35 anos, para uma viagem de 20.000 km, rumo a Goa, onde desembarcou mais de um ano depois, em 06 de Maio de 1542, após paragem de quase meio ano (Setembro de 1541 até Fevereiro de 1542) na Ilha de Moçambique para o restabelecimento dos doentes, enquanto se esperava por ventos favoráveis à navegação. Desde essa data até à sua morte, ocorrida na Ilha de Sanchoão, às portas da China, na madrugada do dia 03 de Dezembro de 1552, vão 10 anos e quase 07 meses de uma desmedida dedicação aos outros, sobretudo aos pobres e doentes, testemunhando com a sua vida humilde e dedicada a Bondade, a Paz e a Alegria do Evangelho.

 3. O Cristo «de la Sonrisa», que muitas vezes contemplou Xavier e que muitas vezes Xavier contemplou, gravou-se no coração e nos lábios de Xavier, tomou conta dele, conformou-se nele, transvazou dele. São, na verdade, muitas as testemunhas que descrevem Xavier «com a boca sempre cheia de riso e da graça de Deus» (Monumenta Xaveriana, tomo 2, Madrid, 1912, p. 291 e 306), luminosa cumplicidade entre Xavier e aquele Cristo «de la Sonrisa».

  CristoDeLaSonrisa

«El Cristo de la Sonrisa», Castillo de Javier-Navarra

O Cristo que contemplou Xavier e que Xavier contemplou

4. É também de salientar a sua ilimitada Confiança em Deus, como transparece de uma sua carta, datada de 05 de Novembro de 1549, escrita de Kagoshima, no Japão, e dirigida aos seus companheiros de Goa:

 «Sei de uma pessoa a quem Deus concedeu muitas graças, que se ocupava muitas vezes, tanto nos perigos como fora deles, em pôr toda a sua Esperança e Confiança n’Ele, e o proveito que daí lhe adveio levaria muito tempo a descrever».

 Aquele «Sei de uma pessoa» lembra Paulo (2 Cor 12,2). Pôr toda a sua confiança em Deus é firmar-se em Deus, viver de Deus e desde Deus. A tanto nos desafia também a nós, hoje, este missionário intenso e dedicado. E aquele Sorriso nos lábios do Crucificado e de Xavier é outro impressionante desafio para nós. Sem esta cumplicidade com Cristo, sem esta Confiança e Alegria, que Evangelho podemos nós viver e testemunhar?

 5. Obrigado, amigo Francisco. Celebrarei gozosamente a tua Festa, a que me associo com particular alegria desde 03 de Dezembro de 1980.

 António Couto