APOCALIPSE, EUROPA E ESPERANÇA


1. Introdução

Cruzam-se na Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa, de 28 de Junho de 2003[1], as temáticas da Europa e da esperança, articulação que hoje se compreende cada vez mais e melhor como necessária e urgente, dada a crescente onda de descrença que, nas últimas décadas, varre a Europa de forma imparável, transformando o espaço europeu num amontoado de velhas tábuas mais ou menos à deriva, sem rumo, sem destino e sem sentido. Articular esta Europa com Apocalipse resultará fácil, mesmo óbvio, para a maioria das pessoas, mesmo cultas (escrevem nos jornais e falam na televisão e na rádio), mas pouco habituadas a frequentar o Livro do Apocalipse, e que o vêem preconceituosamente como um livro ilegível e indecifrável, repleto de guerras, violências e medos muito para além das nossas forças, de cataclismos, fatalidades e horrores sem fim, livro, enfim, do fim-do-mundo. Esta concepção apocalíptica, em que o adjectivo apocalíptico se emprega para retratar os piores cenários – como aqueles que vimos no 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque, no 11 de Março de 2004 em Atocha (Madrid), no 3 de Setembro de 2004 em Beslan (Ossétia do Norte), e os que vemos diariamente no Iraque e na Síria, ultimamente também na Ucrânia –, serve então à maravilha para retratar o que se passa nesta Europa à deriva e sem identidade, à beira do terror anunciado, minada pela violência, pela droga e pela SIDA, pela marginalidade, pelo tráfico de armas e de seres humanos, pelo sem-sentido.

Articular agora este Apocalipse com esperança será, sempre de acordo com o que vulgarmente se pensa e se diz, uma tarefa tão incompreensível quanto oximórica, dado que o que vulgarmente se pensa é que o Apocalipse não destila esperança, mas medos[2].

2. Apocalipse: revelação ou desvelação

Convém esclarecer desde já que o termo apocalipse, do grego apokálypsis (verbo apokalýptô), significa precisamente o contrário daquilo que as pessoas vulgarmente pensam e dizem quando o usam para retratar os cenários acima referidos ou qualquer situação caótica, absolutamente crítica e inexplicável. De facto, apocalipse significa revelação no sentido de desvelação, que implica retirar pedagogicamente o véu que encobre a verdade da realidade, portanto, des-velar[3]. Admitimos assim que, antes de nos ser revelada ou desvelada, a verdade da realidade não estava ausente. Estava presente, ainda que secretamente, de forma velada para nós. Revelar ou revelação é então desvelar com doçura e pedagogia; não é ditar nem ditadura[4].

É, neste sentido, que se pode ver o Apocalipse como fonte de sentido e de esperança. E foi o que sintomaticamente fez o Papa João Paulo II, quando, na sua Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Europa (2003), resolveu guiar-se, como refere na Introdução (n. º 5), pelo Livro do Apocalipse, para falar de esperança[5] à velha Europa e oferecer-lhe um sentido. E, ao longo da sua Exortação, o Papa comenta diversas passagens do Apocalipse, pondo mesmo em epígrafe, a abrir cada um dos seis Capítulos e a Conclusão uma passagem desse Livro.

3. O Livro do Apocalipse: estrutura em duas partes

Peguemos no Livro do Apocalipse. Abrindo-o e frequentando-o, ele manifesta-se ao leitor articulado em duas grandes Partes (Ap 1,9-3,22 e 4,1-22,5), situadas entre um Prólogo (Ap 1,1-3), seguido de uma Apresentação (titulatio), Endereço (adscriptio) e Saudação (salutatio) (Ap 1,4-8), e um Epílogo (Ap 22,6-21)[6]. De notar que a visão inaugural (Ap 1,9-20) assume, por condensação, valor proléptico e programático para o desenrolar do inteiro Livro[7].

3.1. Primeira Parte: sabor epistolar

Uma primeira Parte de teor exortativo (Ap 1,9-3,22), em que o leitor e o ouvinte são interpelados com as palavras certeiras dirigidas às «sete Igrejas que estão na Ásia» (o chamado setenário das “cartas”), assinaladas com os nomes de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. O leitor e o ouvinte ditos “implícitos” ou “modelo”, isto é, aptos a efectuar as operações mentais e afectivas que deles requer o Autor do Apocalipse, não perderão demasiado tempo a tentar situar na história e na geografia estas sete Igrejas, colocadas, de resto, na costa ocidental da Ásia Menor; serão, antes, levados a ver neste número “sete” a totalidade ou a ecumenicidade da Igreja[8], e compreenderão logo que as cartas são dirigidas a eles. Lido desde esta perspectiva epistolar, o Apocalipse apresenta-se ao leitor e ao ouvinte com um carácter familiar, com menção do autor, destinatários, e saudações de graça e paz, como vemos na Apresentação, Endereço e Saudação (Ap 1,4) e na Conclusão (Ap 22,21).

3.1.1. Leitores e ouvintes na Assembleia litúrgica

Mas podemos dar ainda um passo em frente: os leitores e os ouvintes que o Autor do Apocalipse tem em mente não são leitores e ouvintes vulgares, mas qualificados. Trata-se dos leitores que proclamam a Palavra na Assembleia litúrgica e dos ouvintes que ouvem a Palavra na Assembleia litúrgica[9], como decorre de Ap 1,3, onde se lê: «Feliz (makários) o leitor (anaginôskôn) e os ouvintes das palavras desta profecia». Anaginóskô mantém-se ainda hoje como termo técnico da “leitura” no Rito Bizantino grego[10].

3.1.2. Leitura atravessada pela felicidade

Outro passo em frente: note-se como o texto do Apocalipse abre praticamente com um “macarismo” ou “felicitação” dirigido à Assembleia litúrgica dos leitores e dos ouvintes fiéis: «Feliz (makários) o leitor (anaginôskôn) e os ouvintes das palavras desta profecia» (Ap 1,3). Esta nota de felicidade torna-se ainda mais sintomática, quando a vemos como que repetida no final do Livro, em jeito de inclusão: «Feliz (makários) o que guarda as palavras da profecia deste livro» (Ap 22,7). Vê-se bem que esta afirmação, que, de resto, atravessa significativamente o Livro do Apocalipse por sete vezes (Ap 1,3; 14,13; 16,15; 19,9; 20,6; 22,7.14), não é uma ameaça, mas uma declaração de felicidade[11]. Note-se bem que a felicidade é de uma ordem diferente da satisfação. A satisfação apega-se ao “eu” e acontece quando eu encontro o objecto ou o meio para saciar um apetite ou um instinto. A felicidade apega-se ao “outro”[12], e é um dom que vem de fora. Só o posso receber de outras mãos. Não o posso produzir por mim mesmo[13].

3.1.3. Igreja segura na mão direita do Filho do Homem

Um novo passo em frente: esta Assembleia litúrgica, que é a Igreja, não anda à deriva nem está abandonada, mas serenamente firme na mão direita do “Filho do Homem”, que «segura na sua mão direita as sete estrelas» (Ap 2,1; cf. 1,16) e «caminha no meio das sete lâmpadas de ouro» (Ap 2,1; cf. 1,20). Sete “estrelas”, sete “lâmpadas”: a mesma Igreja, na sua dupla dimensão celeste e terrestre, comungando já do destino glorioso do seu Senhor, ao mesmo tempo que luta ainda nesta terra para conservar a sua frágil lâmpada acesa, batida por vezes por ventos tão contrários[14]. Fragilidade firme do “Filho do Homem”, «que esteve morto, mas está vivo» (Ap 1,18), «Aquele que nos ama» (Ap 1,5), «o Primogénito dos mortos» (Ap 1,5), «o Vivente» (Ap 1,18), que atravessa a inteira Escritura em filigrana, desde o “Homem” de Gn 1,26-28, que deve dominar a animalidade, não pela força, mas pela doçura da palavra, passando pelo “Filho do Homem”, por 93 vezes nomeado em Ezequiel, e que é Ezequiel, profeta frágil, que fala frágil e se estatela face à brutalidade de um povo de dura cerviz, passando pelo “Filho do Homem” de Dn 7,13-14 que domina pela doçura as “Bestas” enormes que são os impérios totalitários, idolátricos e inumanos (Neobabilónia, Média, Pérsia, Grécia) (Dn 7,17-18), passando ainda pelo “Filho do Homem” dos Evangelhos, por 82 vezes nomeado, e que é Jesus, que se expõe à nossa violência, absorvendo-a, e só assim a absolvendo e dissolvendo por amor até ao fim, soberania frágil, firme, do amor, até chegar finalmente ao “Filho do Homem” do Apocalipse[15]. O Filho do Homem é o Filho do Homem de Gn 1, que traz sempre consigo o mundo sete vezes Bom da criação. O Bem não começa. O Bem é Primeiro. O que começa é o mal, que é o o nosso estado “de natureza” ou “de violência” ainda que depois amenizado pelas nossas “convenções de razão” (Gn 9,3-4). O Bem é Primeiro. O Bem não começa. Se não começa, tão-pouco acaba. É «Primeiro e Último» (Ap 1,17; 22,13), «Alfa e Omega» (Ap 1,8; 21,6; 22,13). O que acaba é o penúltimo, o que se estende do segundo ao penúltimo, do Beta ao Psi, dissolvido pelo Último. É por isso que «o Senhor vem» (Maran athá), e que devemos sempre rezar: «Senhor, vem» (Maraná thá) (Ap 22,20)[16].

3.1.4. As Cartas seguem um modelo, fácil de identificar:

1) Fórmula introdutória. A abrir cada uma das Cartas, encontramos um dos atributos de Cristo já apresentados na visão inaugural (1,9-20)[17];
2) Fórmula de conhecimento. Elemento que se mantém constante, e constitui a afirmação inicial de Cristo: «Eu conheço…» (verbo oîda, e não ginôskô)[18];
3) Fórmula de acusação: «Tenho contra ti…»;
4) Fórmula de conversão: «Converte-te…»;
5) Fórmula de escuta: «Quem tem ouvidos, oiça…»;
6) Fórmula final: «Ao vencedor, darei…».

 

De forma sucinta, meramente indicativa, mostramos aqui o modelo aplicado a cada uma das Cartas enviadas às Igrejas:

 

I. ÉFESO
(1) Aquele que segura as 7 estrelas na mão direita
e anda no meio dos 7 candelabros de ouro
(2) Conheço as tuas obras, trabalho (kópos) e perseverança (hypomonê),
não suportas os malvados (nicolaítas), sofreste por causa do meu Nome
(3) tenho contra ti o facto de teres abandonado o 1.º amor
(4) converte-te e faz as obras de antes
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igreja
(6) Ao vencedor darei a comer da árvore da vida
 
II. ESMIRNA
(1) O Primeiro e o Último, o que esteve morto e voltou à vida
(2) Conheço a tua tribulação e pobreza, mas és rica (de fé)
                   -não tenhas medo do que irás sofrer: pequena tribulação de 10 dias
                   -mantém-te fiel até à morte
                   -dar-te-ei a coroa da vida
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas
(6) O vencedor não será lesado pela 2.ª morte
 
III. PÉRGAMO
(1) Aquele que tem a espada afiada, de dois gumes
(2) Conheço onde moras: onde está o trono de Satanás (culto do imperador, 1.ª cidade na Ásia)
                   -seguras firmemente o meu Nome e não renegaste a fé
(3) tenho contra ti que há aí pessoas que seguem Balaão (Nm 31,16) e os nicolaítas
(4) converte-te; de contrário virei combatê-los com a espada da minha boca
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas
(6) Ao vencedor darei o maná escondido e uma pedrinha branca que tem escrito um nome novo
 
IV. TIATIRA
(1) Filho de Deus, cujos olhos parecem chamas de fogo e os pés semelhantes ao bronze
(2) Conheço as tuas obras: o amor, a fé, a dedicação, a perseverança
(3) Tenho contra ti que toleras Jezabel:
(4) se não se converter, será castigada
(6) Ao vencedor darei autoridade sobre as nações, como eu recebi de meu Pai, e a estrela da manhã
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas
 
V. SARDES
(1) Aquele que tem os 7 Espíritos de Deus e as 7 estrelas
(2/3) Conheço as tuas obras: tens fama de estar viva, mas estás morta; há alguns que mantêm brancas as suas vestes
(4) torna-te vigilante
(6) O vencedor vestirá vestes brancas e terá o nome escrito no livro da vida
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas
 
VI. FILADÉLFIA
(1) O Santo, o Verdadeiro, o que tem a chave de David
(2) Conheço as tuas obras: guardaste a minha palavra e não renegaste o meu Nome
-os da sinagoga de Satanás hão-de prostrar-se diante de ti e reconhecer que Eu te amo;
-porque guardaste as minhas palavras, Eu te guardarei na hora da provação
(6) Ao vencedor, farei dele uma coluna no Templo do meu Deus, escreverei nele o nome do meu Deus, o nome da Cidade do meu Deus e o meu novo nome
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas
 
VII. LAODICEIA
(1) O Ámen, a Testemunha fiel e verdadeira
(2/3) Conheço as tuas obras:
                   -não és frio nem quente
                   -dizes: “sou rico, enriqueci e não preciso de nada”
                   -não te conheces, pois és infeliz, miserável, pobre, cego e nu
                   -compra de Mim ouro purificado e vestes brancas e colírio para os olhos, para poderes ver
(4) converte-te! Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo
(6) Ao vencedor, darei sentar-se comigo no meu trono
(5) Quem tem ouvidos, oiça o que o Espírito diz às Igrejas

 

3.2. Segunda Parte: sabor apocalíptico

3.2.1. Relatos de visões

Uma segunda Parte de teor mais propriamente apocalíptico (Ap 4,1-22,5)[19], em que se sucedem as visões, ou, mais exactamente, relatos de visões, feitos em andamentos setenários, em que o último elo de um setenário encaixa no primeiro elo do setenário seguinte, emprestando ao conjunto da narração um carácter progressivo, mas também recapitulativo e antecipativo, cheio de repetições, analepses e prolepses, recursos usuais nos bons contadores de histórias de qualquer tempo[20]. É assim com o relato das visões dos sete selos (Ap 4,1-8,1), das sete trombetas (Ap 8,1-15,1)[21], das sete taças (Ap 15,1-22,5)[22]. Também estes relatos se destinam a ser lidos e ouvidos em “leitura” pública[23], na Assembleia litúrgica. Por isso, em momentos-chave do relato, como é, por exemplo, o momento da abertura do 7.º selo, faz-se no céu um silêncio de meia hora (Ap 8,1). O silêncio é também uma estratégia do narrador tendente a provocar uma atitude de vigilância, atenção e escuta. Não é muito tempo nem é pouco. É o tempo necessário para a concentração, para que, quando a voz do alto falar, não exista qualquer possibilidade de se desperdiçar a oportunidade de a escutar[24]. Vigilância. Não nos podemos desculpar, dizendo: “Dormi apenas um quarto-de-hora”. Na verdade, nenhum momento é mais ou menos importante do que outro[25].

3.2.2. Figuras antagónicas

As visões relatadas desenham figuras antagónicas, algumas espectaculares e de fácil visualização, cujos programas constituem o enredo da história. Toda a gente se lembra das figuras inesquescíveis do Dragão, da Besta que sai do mar ou da terra, da grande Babilónia, da grande Prostituta. São as figuras, várias, mas sempre a mesma, do Império do mal. Do outro lado estão outras figuras como a de “Aquele que está sentado no trono”, do Cordeiro-Carneiro[26], do Cavaleiro, da Mulher e do seu Filho, da Nova Jerusalém, a Esposa do Cordeiro-Carneiro.

Para ser breve, os relatos falam dos incontáveis dislates e atrocidades da Besta, mas declara-se logo o seu fim para breve. Desenha-se no horizonte uma grande batalha, a batalha de HARMAGEDÔN (Ap 16,16), a batalha do Dia Grande do Deus-Omnipotente (Ap 16,14), que porá fim ao Império da Besta (Ap 17,14; 19,19-21).

3.2.3. A identificação da Besta

Se quiséssemos proceder à identificação da Besta, através da conjugação dos dados do Apocalipse patentes sobretudo em dois textos (13,18; 17,7.9-11)[27], chegaríamos sempre, com maior ou menor facilidade ou dificuldade, ao Imperador Domiciano (81-96)[28], ao Império romano, totalitário, idolátrico, tirânico, prepotente, fechado em si mesmo, e a todos os Impérios totalitários e idolátricos de todos os tempos, todos eles tirânicos, prepotentes e fechados sobre si mesmos, em que o clarividente Autor do Apocalipse faz ver já a repelente máscara da morte envolta numa atmosfera tresandando a amoníaco.

Para descrever o tempo, difícil para os cristãos, do imperador tirano Domiciano, o autor usa a técnica do salto em comprimento[29], habitual nas narrativas de teor apocalíptico. Recuando no tempo, pode ler melhor o que se vai passando, que, de resto, já é conhecido. É assim que o autor do Livro do Apocalipse escreve, com certeza, nos últimos anos do século I (95-100), fingindo que está a escrever nos anos 60[30].

3.2.4. A batalha de Harmagedôn

Mas passemos à descrição do combate decisivo de HARMAGEDÔN, procedendo à sobreposição de três textos do Livro do Apocalipse (16,14.16; 17,14; 19,11-15a.19-21):

 

«16,[13E vi da boca do dragão e da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos impuros sair com rãs[31].] 14São, na verdade, espíritos de demónios que fazem prodígios e vão sobre os reis de toda a terra, para os reunir para a guerra do Dia Grande do Deus-Omnipotente. 16E reuniu-os no lugar que, em hebraico, se chama HARMAGEDÔN[32]» (Ap 16,14.16).
 
«17,14Estes (os reis da terra que se reuniram para a batalha de HARMAGEDÔN) combaterão com o Cordeiro, e o Cordeiro vencê-los-á, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis, e os que estão com Ele e são chamados e eleitos e fiéis» (Ap 17,14).
 
«19,11E vi o céu aberto,[33] e eis um cavalo branco e o que se sentava sobre ele e se chamava “Fiel” e “Verdadeiro”, e julga e combate com justiça. 12Os seus olhos são chamas de fogo e sobre a sua cabeça há muitos diademas, tendo um nome escrito que ninguém, senão Ele, conhece; 13está vestido com um manto embebido de sangue, e o nome dele é chamado “Verbo de Deus”. 14Os exércitos do céu seguem-no com cavalos brancos, vestidos de linho branco e puro. 15Da sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações […]. 19Vi então a Besta e os reis da terra e os seus exércitos, reunidos para fazer guerra contra o que se sentava sobre o cavalo e o seu exército. 20A Besta foi capturada, e, com ela, o falso profeta, o que tinha feito sinais na presença da Besta, com os quais tinha enganado os que tinham recebido a marca da Besta e os que adoravam a sua imagem: foram ambos lançados vivos no lago de fogo, ardente de enxofre[34]. 21Os restantes morreram pela espada que saía da boca dele, e todas as aves se saciaram com as carnes deles» (Ap 19,11-15a.19-21).

 

Esta batalha de HARMAGEDÔN apresenta-se no seguimento e cumprimento do «Dia de YHWH», anunciado desde Amós como o Dia em que YHWH destruiria os malvados, mas que, na verdade, nunca teve lugar na história. Está finalmente para se realizar. Quem intervém não é Deus-Pai, mas o Cordeiro-Filho-Verbo-Cavaleiro. É acompanhado à distância pelos exércitos celestes, que, todavia, não intervêm na batalha. O Cordeiro, juntamente com os que estão com Ele – os chamados e eleitos e fiéis – vencerá, sem combater, este combate (Ap 17,4)[35].

É dito que o Cavaleiro veste um manto embebido de sangue. Mas não se trata do sangue dos seus inimigos, pois o Cavaleiro é apresentado, neste quadro, a descer do céu, e a batalha ainda não foi relatada. Nem vai ser relatada[36]. Em boa verdade, não vai haver batalha. Refere-se simplesmente que o Cavaleiro captura a Besta e o falso profeta, que simbolizam o Império romano e o culto pagão e idolátrico de Roma. É certo que se descreve depois a destruição total dos restantes inimigos do Cavaleiro. Mas essa destruição não é operada, como seria de esperar, por meio de uma luta sangrenta, mas pela espada que sai da boca do Cavaleiro. E, no Apocalipse, esta espada é, como se sabe, a Palavra de Deus (Ap 1,16; 2,12.16).

O sangue ainda vivo de que está embebido o manto do Cavaleiro, não sendo o sangue dos seus inimigos, só pode ser o seu próprio sangue, e só pode então referir-se à Cruz de Jesus. A lição é clara: já teve lugar na Cruz a batalha do fim-dos-tempos, anunciada pelos profetas. Mas é ainda necessário que os que estão com Jesus, os cristãos, participem na luta, permanecendo vigilantes e fiéis à sua fé. E a única arma a empregar é a Palavra de Deus, que devemos ler, escutar, conhecer, amar, para dela viver, em todas as circunstâncias do dia-a-dia.

É assim que o Apocalipse é um Livro de esperança, de vigilância, de perseverança e de testemunho (martírio). Livro da Palavra: familiar como uma carta; certeira ao coração como uma exortação profética; pedagógica e empenhada e edificante como um belo relato, que decorre sempre do único verdadeiro fundamento: Cristo Crucificado e Ressuscitado. Não fala de medos e de violência. Fala de paz e de esperança. E ensina-nos, a nós, leitores e ouvintes da Palavra, que, face às duras realidades da vida, nunca nos é permitido desistir, dizendo: “já não há nada a fazer; já não há solução”. Tão-pouco é lícito, em circunstâncias difíceis, matar os outros ou suicidar-nos. E também não podemos, como fazem os membros de algumas seitas, limitar-nos a marcar sucessivas datas para o fim-do-mundo e ficar à espera de que Deus intervenha, sozinho, com o seu exército celeste para esmagar aqueles que nós indicamos como sendo os malvados desta terra[37].

3.2.5. A Esposa do Cordeiro

O Livro do Apocalipse apresenta um final grandioso.

 

«21,1E vi um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2E a cidade santa, a Jerusalém nova, vi descer do céu, de junto de Deus, preparada como uma esposa embelezada para o seu esposo. 3E ouvi uma voz grande, que vinha do trono, dizendo: “Eis a tenda de Deus com os homens, e habitará com eles, e eles serão o seu povo, e Ele, o Deus com eles, será o seu Deus, 4e enxugará todas as lágrimas dos seus olhos, e não haverá mais morte nem luto nem gemidos nem dor, pois as primeiras coisas passaram”.
5E disse o que está sentado no trono: “Eis que faço novas todas as coisas!”. E disse: “Escreve, pois estas palavras são fiéis e verdadeiras”. 6E disse-me: “Foram Realizadas! Eu Sou o Alfa e o Omega, o Princípio e o Fim. Ao que tem sede, Eu darei, de graça, da fonte da água da vida. 7O vencedor herdará estas coisas, e Eu serei Deus para ele, e ele será para Mim filho. 8Mas aos covardes e aos infiéis e aos depravados e aos assassinos e aos impuros e aos magos e aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte deles é no lago que arde de fogo e enxofre, que é a segunda morte”.
9E veio um dos sete Anjos, aqueles que têm as sete taças cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: “Vem, vou mostrar-te a Esposa, a mulher do Cordeiro!”. 10E transportou-me em espírito a um monte grande e elevado, e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, 11tendo a glória de Deus. O seu esplendor era semelhante a uma pedra preciosa, como pedra de jaspe cristalino. […] 18E o material da sua muralha é jaspe […], 19e os fundamentos da muralha da cidade estavam ornamentados com todo o tipo de pedras preciosas. O primeiro fundamento é jaspe» (Ap 21,1-11.18.19).

 

Final grandioso, sublime, hiperbólico, denso, insólito, paradoxal, oximórico. A comunidade do Povo de Deus aparece como Esposa do Cordeiro! Mas o Cordeiro (arníon) já tinha sido apresentado como imolado para sempre, com o verbo no particípio perfeito passivo (esphragménon), mas também de pé para sempre, também com o verbo no particípio perfeito (hestêkós) (Ap 5,6). Morto e de pé! Morto e à beira do casamento! O verdadeiro teste da esposa reside então na morte do esposo! Por isso, a esposa aparece belamente adornada! Não tem nada de viúva! O esposo é esperado no regresso da vitória alcançada na batalha da Cruz![38], que reabre o jardim do Éden[39]. Por isso, relata ainda o vidente:

 

«22,1Mostrou-me depois um rio de água da vida, límpida como o cristal, que saía do trono de Deus e do Cordeiro. 2No meio da praça, de um lado e do outro do rio, há árvores da vida que frutificam doze vezes, dando fruto em cada mês, e as suas folhas servem para curar as nações» (Ap 22,1-2).

 

Sim, da Cruz de Jesus, brota, por amor, para sempre e para todos, a água da vida, e a árvore da vida fica agora acessível a todos, o que não sucedia desde Gn 3,22. E a Cidade-Jardim, cheia de água (Gn 2,10) e de árvores da vida, fecundas e belas, é a Esposa, em cujo rosto transparece o Jaspe (Ap 21,11), que é também a primeira pedra da sua muralha (Ap 21,18) e dos seus alicerces (Ap 21,19). Jaspe é a primeira pedra, como Judá é a primeira tribo que abre a procissão solene dos 144.000 (Ap 7,5). E o Leão da tribo de Judá é o Único que pode abrir e ler o rolo selado (Ap 5,5). Mas, em vez de um Leão, surge um Cordeiro (Ap 5,6). A pedra de Jaspe é Cristo, o Leão da tribo de Judá é Cristo, o Cordeiro é Cristo.

 

António Couto


[1] O Sínodo teve lugar entre 1 e 23 de Outubro de 1999.

[2] T. VETRALI, El mensaje espiritual del Apocalipsis, in G. BARBAGLIO (ed.), Espiritualidad del Nuevo Testamento, Salamanca, Sígueme, 1994, p. 301.

[3] I. MAZZAROLO, As visões. Exegese e hermenêutica do livro do Apocalipse, cc. 4-8, in REB, 255, 2004, p. 577.

[4] P. BEAUCHAMP, Testament biblique. Recueil d’articles parus dans Études. Préface de Paul Ricoeur, Paris, Bayard, 2001,  p. 96.

[5] Nesta Exortação, o termo “esperança” ouve-se ou lê-se por 154 vezes.

[6] U. VANNI, La struttura letteraria dell’Apocalisse, Roma, Herder, 1971, p. 171-173.

[7] E. CHARPENTIER, Para leer el Nuevo Testamento, Estella, Verbo Divino, 1981, p. 106.

[8] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, Genebra, Labor et Fides, nova edição revista e aumentada, 2000, p. 99.

[9] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 84.

[10] T. FEDERICI, Per conoscere Lui e la potenza della Resurrezione di Lui. Per una lettura teologica del Lezionario, Nápoles, Dehoniane, 1987, p. 56.

[11] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 84; T. VETRALI, El mensaje espiritual del Apocalipsis, p. 300.

[12] A. J. HESCHEL, Dio alla ricerca dell’uomo. Una filosofia dell’ebraismo, Roma, Borla, 1983, p. 414.

[13] P. BEAUCHAMP, Psaumes nuit et jour, Paris, Seuil, 1980, p. 146.

[14] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 111-112; EE, n.º 6.

[15] Os Evangelhos usam a expressão por 82 vezes (81 vezes nos lábios de Jesus), nunca em vocativo, sempre em 3.ª pessoa. Recolhe certamente a fragilidade-forte de Ezequiel, interpelado por Deus por 93 vezes com esta expressão, o senhorio dócil sobre a bestialidade de Dn 7,13-14, que evoca o Homem de Gn 1,26-28, com a missão de dominar a animalidade. P. DE MARTIN DE VIVIÉS, Jésus et le Fils de l’Homme. Emploits et significations de l’expression “Fils de l’Homme” dans les Évangiles, Lyon, PROFAC, 1995, p. 1.3.6.12.

[16] Esta cláusula neotestamentária é legível quer como Maran athá [= «o Senhor vem»] quer como Maraná thá [= «Senhor, vem»] (1 Cor 16,22; Ap 22,20; Rom 13,12; Fl 4,5; Tg 5,8; 1 Pe 4,7). P. STEFANI, Il tempo dell’attesa escatologica, in Humanitas, 58, 2003, p. 271.

[17]P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 113.

[18] A escolha de oîda em detrimento de ginôskô pode ter a ver com a maior amplitude e profundidade do primeiro em relação ao segundo, de acordo com a intenção manifestada, por exemplo, em Jo 21,17: «Senhor, tu sabes (oîdas) tudo; tu sabes (ginôskeis) que te amo». P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 114.119.

[19] J. LAMBRECHT, A Structuration of Ver 4,1-22,5, in J. LAMBRECHT (ed.), L’Apocalypse johannique et l’Apocalyptic dans le Nouveau Testament, Gembloux – Leuven, Duculot – University Press, 1980, p. 77-104; U. VANNI, La struttura, p. 182s.

[20] J.-P. PRÉVOST, L’Apocalypse (1980-1992), in M. GOURGUES, L. LABERGE (eds.), «De bien des manières». La recherche biblique aux abords du XXIe siècle, Montréal – Paris, Fides – Cerf, 1995, p. 437-438; P. PRIGENT, Lápocalipse de Saint Jean, p. 64.

[21] A sétima trombeta soa em Ap 11,15, e coincide com o terceiro “ouaí” (Ap 11,14; cf. 8,13; 9,12), fórmula de desgraça cujo conteúdo não pode ser a doxologia de Ap 11,15-18, mas o que vem depois, nomeadamente Ap 12,1-15,1, unidade literária que se articula com a menção por três vezes (as únicas em todo o Apocalipse) do termo “sinal” (sêmeîon) (Ap 12,1.3; 15,1). Note-se que a segunda menção surge agrafada à primeira através de um “outro” (állô) – “outro sinal” (állô sêmeîon) –, o mesmo acontecendo com a terceira menção, que soa também “outro sinal” (állô sêmeîon), agrafando-se assim às duas anteriores. U. VANNI, La struttura, p. 126-127.

[22] A sétima taça é mencionada em Ap 16,17, onde encontramos também a voz de Deus, declarando a realização (gégonen). Reencontramos o mesmo verbo, também no perfeito (gégona), e tendo Deus por sujeito, em Ap 21,6. A primeira fala de Deus (16,17) anuncia a destruição da “Prostituta” (pórnê), mencionada em Ap 17,1.5.15.16; 19,2; a segunda (19,6), o triunfo da “Esposa” (nýnphê). U. VANNI, La struttura, p. 129-130.202-205.

[23] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 64.

[24] I. MAZZAROLO, As visões, p. 582.

[25] P. BEAUCHAMP, Testament biblique, p. 68.

[26] No Apocalipse sempre arníon, Cordeiro grande ou Carneiro. Aparece por 28 vezes ao lado de Jesus (14 vezes) e de Cristo (7 vezes). G. K. BEALE, The Book of Revelation. A Commentary on the Greek Text, The New International Greek Testament Commentary (NIGTC), Grand Rapids, Eerdmans, 1999, p. 61.

[27] «13,18Aqui é preciso sabedoria. Quem é inteligente calcule o número da Besta, pois é um número de homem. O seu número é 666» (Ap 13,18).

«17,7… Explicar-te-ei o mistério da Prostituta e da Besta com sete cabeças e dez chifres, que a carrega. […] 9Aqui é necessário a inteligência da sabedoria: as sete cabeças são sete montes sobre os quais a Prostituta está sentada. São também sete reis, 10dos quais cinco já caíram, um existe e o outro ainda não veio; mas, quando vier, permanecerá por pouco tempo. 11A Besta que existia e já não existe é ela mesma o oitavo e também um dos sete, mas caminha para a perdição» (Ap 17,7.9-11).

[28] Se a Besta são sete montes e sete reis, dos quais cinco já caíram, um ainda existe, um permanecerá por pouco tempo, e é ela mesma o oitavo… Os cinco que já caíram podem muito bem ser: Augusto (27 a.C.-14 d.C.), Tibério (14-37), Calígula (37-41), Cláudio (41-54) e Nero (54-68). O que existe será então Vespasiano (69-79). O que permanecerá por pouco tempo será Tito (79-81). O oitavo, que é ele mesmo a Besta, é Domiciano (81-96), também conhecido por Nero redivivo. Por gematria (permutação das letras por números), o número 666 ajusta-se às consoantes de NRWN QSR [50+200+6+50 +100+60+200 = 666]. A Besta será então o tirano Domiciano, mas é também o Império romano e o seu culto imperial, idolátrico, tirânico, prepotente, luxurioso. E são, em última análise, todos os impérios idolátricos de qualquer tempo. Cálculos sempre com reserva, dado que, na cadeia dos Imperadores, não são mencionados Galba, Otão e Vitélio, que se seguiram imediatamente a Nero. Ver discussão do problema em G. K. BEALE, The Book of Revelation, p. 17-24.718-728; P. PRIGENT, L’Apocalypse, p. 49-54.

[29] E. CHARPENTIER, Para leer el Nuevo Testamento, p. 105.

[30] E. CHARPENTIER, Para leer el Nuevo Testamento, p. 105.

[31] Animais impuros, de acordo com a lição de Lv 11,9-12.41-47. Deve ter-se ainda em conta a praga devastadora das rãs no Egipto (Ex 8,2-11; cf. Sl 78,45; 105,30; Sb 19,10). G. K. BEALE, The Book of Revelation, p. 832; P. PRIGENT, L’Apocalypse, p. 364-365.

[32] Harmagedôn é Meguido, cidade e fortaleza estrategicamente colocada no corredor entre as montanhas do Carmelo e da Samaria, lugar de passagem obrigatória para militares e comerciantes em deslocação do Egipto para a Síria e Mesopotâmia, e lugar tradicional de batalhas em Israel. A. ALVAREZ VALDÉS, Le sens biblique de la bataille de Harmagedôn, in NRT, 123, 2001, p. 21.

[33] Para marcar a grandiosidade e a novidade desta visão, em Ap 19,11 é mesmo o inteiro céu que se abre para não mais se fechar. Noutros lugares, o vidente vê também o céu, mas só através de uma porta entreaberta (Ap 4,1; 11,19; 15,5). A. ALVAREZ VALDÉS, Le sens biblique de la bataille de Harmagedôn, p. 23; P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 171.

[34] O lago de fogo é a “segunda morte”, já referida em Ap 2,11. Opõe-se à “vida eterna”, tal como a “primeira morte” se opõe à “vida física”. É o contrário da graça. É também o destino do diabo em Ap 20,10. O diabo não morre. Conhece uma eternidade sem ressurreição. P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 129.424.444.

[35] A. ALVAREZ VALDÉS, Le sens biblique de la bataille de Harmagedôn, p. 22.

[36] P. PRIGENT, L’Apocalypse de Saint Jean, p. 424.

[37] A. ALVAREZ VALDÉS, Le sens biblique de la bataille de Harmagedôn, p. 25.

[38] Grande leitura de P. BEAUCHAMP, L’Un et l’Autre Testament. II. Accomplir les Écritures, Paris, Seuil, 1990, p. 192.

[39] P. BEAUCHAMP, L’Un et l’Autre Testament, II, p. 236.

 

2 respostas a APOCALIPSE, EUROPA E ESPERANÇA

  1. Adriana Pizzuto diz:

    Estos escritos son toda una novedad para mi . Muchisimas gracias a Mesa de Palabras.

  2. António diz:

    Olá, D. António Couto.

    O Apocalipse,é um livro próprio para épocas de crise.
    E revela os caminhos de Deus, sobre o futuro.
    Alegra-nos dando a certeza da vitória final.

    Ao ler o Artigo pensei, só precisamos de trabalhar honestamente
    e a crise passará. Que assim seja.
    Obrigado,D. António.

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