VAI, VENDE, DÁ, VEM E SEGUE-ME!

Julho 25, 2020

1. Pelo terceiro Domingo consecutivo, a Igreja Una e Santa escuta com amor, da boca do Senhor Jesus, as belíssimas parábolas do Reino dos Céus, guardadas em Mateus 13. Neste Domingo XVII, é-nos dado, por graça, escutar nos nossos ouvidos (cf. Mateus 13,43) o final do «Discurso das Parábolas do Reino» (Mateus 13,44-52), em que nos é oferecida uma nova trilogia de parábolas significativas: a parábola do tesouro escondido no campo (Mateus 13,44), a parábola da pérola (Mateus 13,45-46) e a parábola da rede (Mateus 13,47-50).

2. As duas primeiras pequeninas parábolas desta trilogia, a do tesouro escondido no campo e a da pérola preciosíssima, constituem dois fortíssimos acenos a deixar tudo por amor, para, por um amor maior, seguir Jesus, que é o Reino-de-Deus em Pessoa, a Autobasileía, no dizer certeiro e contundente de Orígenes (185-254). A tessitura da parábola do tesouro escondido no campo assenta no velho princípio de que quem adquire um bem imóvel, adquire também os bens móveis a ele ligados. É Jesus o tesouro escondido, é Ele a pérola preciosíssima. Para o seguir, é mesmo necessário deixar tudo (Lucas 14,33).

3. Toda a atenção e empenho, portanto, que o tesouro de Deus não se dá em qualquer campo. São, por isso, necessários novos mapas, novas pautas, novas coordenadas, novas estradas, para se poder procurar e saber encontrar esse tesouro escondido. É mesmo necessário submeter a nossa vida àquela intensa rajada de verbos: «Vai, vende, dá, vem e segue-me!» (Mateus 19,21).

4. A parábola da rede é a que ocupa mais espaço no texto: quatro versículos. Mais do que as duas anteriores juntas. Servindo-se agora de uma imagem tirada do mundo piscatório, Jesus diz que o Reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes, requerendo depois que os pescadores se sentem na praia para fazer a destrinça entre os peixes bons e os que não prestam. Naturalmente, guardam os bons e deitam fora os que não prestam. A destrinça entre peixes bons e maus não se deve à qualidade ou ao tamanho. Trata-se da distinção entre o puro e o impuro, o que é considerado kasher e não-kasher. Sobre o assunto, diz o Livro do Levítico, que são puros (kasher) e se podem comer os peixes com barbatanas e escamas (Levítico 11,9), tendo de se deitar fora, como impuros (não-kasher), os peixes sem barbatanas e sem escamas (Levítico 11-10-12).

5. Este cuidado meticuloso deve-se ao facto de o Mar da Galileia ser muito abundante em peixe e reunir também uma fauna piscícola muito variada e, em alguns casos, original, salientando-se, neste particular, o chamado «peixe de S. Pedro» (chromis Simonis), que possui uma cavidade oral onde conserva os ovos, e, depois as crias, e onde, por vezes, também recolhe pequenos seixos e objetos metálicos, o que explica o episódio da moeda referido em Mateus 17,27.

6. E tal como na parábola do trigo e da cizânia (ver Domingo XVI), também aqui Jesus difere para o fim do mundo a destrinça entre maus e justos (Mateus 13,49), efetuada ainda assim, não por nós, mas pelos Anjos. Outra vez pausa e bemol na partitura!

7. Esta secção das sete parábolas acerca do Reino dos Céus, contadas por Jesus, fecha com a pergunta formulada por Jesus aos seus discípulos: «Compreendeis todas estas coisas?», a que eles respondem: «Sim!» (Mateus 13,51). Vê-se que esta pergunta e a respetiva resposta correspondem ao dito de Jesus em Marcos 4,13, no final da parábola da semente: «Não sabeis esta parábola? E como conhecereis todas as parábolas?».

8. E Jesus termina com uma espécie de oitava parábola: «Todo o escriba feito discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas» (Mateus 13,52). Aí está a imensa sabedoria e alegria do discípulo que deve ser como um pai, que dispõe na sua imensa dispensa de produtos excelentes, novos, como o pão fresco, antigos, como o vinho velho. O escriba apenas transmitia as coisas antigas que vinham na torrente da tradição. Aqui está a Divina dispensa do Novo e Antigo Testamentos, Alimento de vida eterna.

9. Chegados a este ponto, já não devem restar dúvidas de que, contando estas sete parábolas do Reino dos Céus, Jesus se conta a si mesmo. É Ele a parábola que passa diante de nós, o Reino de Deus em pessoa (autobasileía) que passa diante de nós. Pequenino como a semente, escondido como o crescente, fecundo como a semente e como o crescente, cai à terra ou na farinha e morre (Paixão) para viver (Ressurreição) e dar vida (Pão), escondido como o tesouro ou a pérola, que é preciso procurar apostando tudo: a vida toda, o tempo todo, o dinheiro todo. O Reino dos Céus é também como o campo em que cresce ao mesmo tempo o bom e o mau, ou a rede que recolhe o bom e o mau.

10. Levanta-se a questão: se, com Jesus e em Jesus, é o Reino de Deus que chega até nós, então por que é que a sua mensagem não é logo recebida por todos sem discussão e com alegria? E por que é que Jesus não se impõe logo com uma autoridade tal que dissipe qualquer dúvida, que ponha de lado logo à partida qualquer pretensão de qualquer pretenso adversário? E por que é que Jesus não estabelece logo, a talho de foice, claras distinções? Parece tudo ambíguo, e, todavia, desenha-se aqui um rasto de claridade: ontem como hoje, na situação atual, convivem lado a lado o bom e o mau (até em cada um de nós essa convivência é verdadeira), mas esta não é a situação definitiva! Do mesmo modo que, na situação atual, o valor eminente do Reino de Deus e o empenho total que lhe é devido, fica muitas vezes escondido por outras realidades, como a família, a profissão, a posição social, a saúde, o bem-estar, os interesses, os desejos, as paixões… Note-se que um tesouro escondido, por não ser imediatamente acessível, não se impõe por si, e há muitas coisas cujo brilho e luminosidade as torna imediatamente atraentes! Mas vai-se dando a entender, no chão mesmo das parábolas, que o valor último que valida todos os outros valores é o Reino de Deus e os seus segredos, que é preciso desvendar.

11. Outra sabedoria, outro saber, outro sabor. Salomão afinado, avant la lettre, pelo Evangelho. É assim que a lição do Primeiro Livro dos Reis (3,5-12) nos mostra hoje Salomão a pedir a Deus, não coisas, nem a derrota dos inimigos, mas simplesmente um coração sensível, sensato e inteligente, capaz de escutar e de se sintonizar, em alta fidelidade (hi-fi), com a bondade da Palavra de Deus, muito mais valiosa do que o ouro. Um coração com discernimento (tebûnah), «um coração que saiba distinguir (bîn) entre o bem e o mal» (1 Reis 3,9). A Carta aos Hebreus apresentará, a seu tempo, os cristãos adultos na fé como aqueles que sabem «distinguir (diakrínô) entre o bem e o mal» (Hebreus 5,14). O bem e o mal não são valores no meio de outros valores. O bem é a vida; o mal é a morte. «Vê, ponho hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal…; escolhe, portanto, a vida» (Deuteronómio 30,15.19). O bem e o mal não são valores iguais aos outros. Distinguir entre o bem e o mal é tão importante como distinguir entre a vida e morte.

12. Na Carta aos Romanos (8,28-30), S. Paulo conta, aos nossos olhos de crianças deslumbradas, a história verdadeira que o amor de Deus já fez acontecer na nossa vida: já fomos chamados, conhecidos, predestinados, justificados e glorificados por Deus! Por isso, damos graças a Deus! Não se trata de «predestinação» individual, como alguns têm interpretado. Trata-se do plano de Deus, o mesmo ontem, hoje e amanhã, que envolve a afeta todos «os muitos irmãos», reunidos e conformados à imagem do seu Filho, «primogénito de toda a criatura» (Colossenses 1,15) e também «primogénito dos mortos» (Colossenses 1,18; Apocalipse 1,5), envolvendo aqui a nossa história inteira desde a Criação à Ressurreição.

13. O Salmo 119, o mais longo do Saltério, é uma admirável composição de 1064 palavras hebraicas reunidas, repartidas, repetidas, entretecidas e entretidas à volta da Palavra de Deus, que alumia a nossa vida. Não é uma coisa comprida e chata, mas uma monotonia admirável, como escreveu bem, no seu livro Rezar os Salmos com Cristo, o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer, morto pelos nazis em 9 de abril de 1945, que aconselhou a quem reza este Salmo «a proceder palavra por palavra, frase por frase, muito lentamente, tranquilamente, pacientemente. E descobriremos então que as aparentes repetições são, na verdade, aspetos novos de uma única realidade, o amor pela Palavra de Deus». O eminente cientista francês Blaise Pascal (1623-1662) recitava este Salmo todos os dias, rosário bíblico que percorre a Palavra de Deus, enunciando todos os seus sinónimos e sabores.

 

Estas linhas leves e ledas

Com que Jesus se expõe em parábolas

São como asas

Que guardam o segredo mais inteiro de Jesus,

O seu tesouro mais profundo,

A pérola preciosa,

Preciosa e firme,

Porque leve e suave como uma almofada,

Onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabeça,

E tranquilamente conduzir,

Dormindo mansamente à popa,

A nossa barca no meio do mar encapelado

Desta pandemia.

 

Nos lábios de Jesus,

Chama-se «Pai» este lugar seguro e manso,

Doce e aprazível,

Que acolhe os pequeninos,

Os senta sobre os seus joelhos,

Lhes conta a sua história mais bela,

E lhes afaga o rosto com ternura.

 

Sim,

Como diz Santo Agostinho,

«O peso de Cristo é tão leve, que levanta,

Como o peso das asas para os passarinhos».

 

António Couto


A HISTÓRIA DO GRÃO DE TRIGO

Julho 11, 2020

1. Como a chuva rega o chão e faz germinar o pão, assim a Palavra de Deus rega o coração e faz germinar a conversão, cumprindo assim a sua missão. É a lição de Deus em Isaías 55,10-11, que, por graça, escutaremos neste Domingo XV do Tempo Comum.

2. Brotará então dos nossos lábios a bela canção do Salmo 65, em que o nosso coração se veste de festa e de primavera para enaltecer as maravilhas da criação, também ela com rosto, e com rosto tenso, completamente voltado para Deus, porque tudo recebe de Deus, porque se recebe de Deus. A criação com rosto, e com rosto completamente tendido para Deus, quase saindo fora do pescoço, tal a intensidade da espera, é uma imagem cunhada por Paulo com dois belíssimos termos gregos, ambos utilizados na lição deste Domingo da Carta aos Romanos 8,18-23, de que aqui transcrevemos os versículos 18 e 19: «Penso, de facto, que os sofrimentos do tempo presente não têm medida de comparação com a glória que está para ser revelada (apokalyphthênai) em nós. Com efeito, O ROSTO TENSO (apo-kara-dokía) da criação (tês ktíseos) a revelação (apokálypsis) dos filhos de Deus ESPERA em tensão RECEBER (apekdéchetai: apò + ek + déchomai)» (Romanos 8,18-19).

3. O primeiro termo é apokaradokía, de apò + kara + dokéô [= fora de + cara (rosto) + esperar/olhar atentamente], que só Paulo usa no Novo Testamento na Carta aos Romanos 8,19 e na Carta aos Filipenses 1,20, e que é desconhecido no grego antes do Cristianismo. Traduz a atitude de quem se coloca em bicos de pés, alongando o pescoço o mais que pode, com ânsia extrema e intensa de tentar ver o que ainda não se vê. É a atitude da esperança. E é esperando assim que se apanha o «tique» da esperança que, na língua hebraica se diz tiqwah! Diz bem o poeta da esperança: «Difícil é esperar, com humildade e paciência. Fácil é desesperar, e é a grande tentação» (Charles Péguy).

4. O segundo termo é o verbo apekdéchomai, de apò-ek-déchomai [= fora de + desde + receber], usado 8 vezes no Novo Testamento, 6 das quais em Paulo (Romanos 8,19.23.25; 1 Coríntios 1,7; Gálatas 5,5; Filipenses 3,20; ver também Hebreus 9,28; 1 Pedro 3,30), e desconhecido nos LXX, implica uma forte conotação de recepção, tensão para receber a salvação de Deus – viver de (ek) receber e de se receber (déchomai) de Deus (1 Coríntios 1,7), saindo de si (apó) para se orientar completamente para Deus, tensão para o dom, pois um dom não o podemos produzir com as nossas mãos; só o podemos receber de outras mãos. A esperança bíblica e cristã consiste na dupla atitude amante de estarmos sempre à espera de Alguém, e de sabermos bem que Alguém espera por nós. Espera, não vazia, mas grávida de realização e de confiança: «espera que contém a presença, pergunta que contém a resposta, esperança que contém o cumprimento» (Karl Barth).

5. Este Domingo XV traz-nos também a graça de podermos começar a escutar o Discurso das Parábolas de Jesus, que preenche todo o Capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, e que constitui mesmo o centro deste Evangelho. Este Capítulo 13 é constituído por sete parábolas: da semente (13,1-23), do trigo e da cizânia (13,24-30), do grão de mostarda (13,31-32), do fermento (13,33), do tesouro escondido no campo (13,44), da pérola (13,45-46) e da rede (13,47-50). Ao contrário da nossa tendência para decisões rápidas, do nosso gosto de coisas claras e distintas, imponentes e concludentes, salta à vista a lentidão (semente e fermento), a espera, a paciência e a tolerância (semente, trigo e cizânia, e rede), a pequenez (semente, grão de mostarda e fermento), a riqueza diferente, que não se pode trocar por nada (tesouro escondido e pérola).

6. A chamada «parábola do semeador» ou «da semente», que ouvimos neste Domingo XV (Mateus 13,1-23), segue o esquema «3 + 1» [caminho, terreno pedregoso, espinhos + terra boa], que põe em destaque o quarto elemento, a terra boa. O próprio modelo ou esquema é já, de per si, ilustrativo, duplamente ilustrativo, pois coloca diante dos nossos olhos um mapa de situações diferentes e falsas, as três primeiras, para depois, finalmente, deixar diante de nós, a situação boa e verdadeira; fazendo este percurso pedagógico, somos ainda obrigados a esperar até ao fim para ver o correto e lento percurso desde a sementeira [novembro/dezembro] até à colheita [abril/maio]. É mesmo dito, na parábola, pedagogicamente, contra a nossa tentação da rapidez, do «pronto-a-vestir», do «pronto-a-comer», etc., que a semente que germina depressa seca depressa:

«Outras, porém, caíram em terrenos pedregosos, onde não havia muita terra, e brotaram logo (euthéôs) por a terra não ter profundidade; mas, ao nascer o sol, foram queimadas, e, por não terem raiz, secaram» (13,5-6).

A mesma pressa soa por duas vezes na explicação:

«O semeado sobre os terrenos pedregosos é o que escuta a palavra e logo (euthýs) a recebe com alegria; não tem, porém, raiz em si mesmo. É inconstante. Quando surge uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo (euthýs) se escandaliza» (13,20-21).

7. A semente é coisa bem pequenina. É o que há de mais pequeno. Mas, uma vez caída à terra, dará o grão e o pão. Caída à terra, morre para nascer de outra maneira. É a Paixão. Da semente à Paixão e ao Pão: é todo o processo ou parábola de JESUS a passar diante dos nossos olhos atónitos! Portanto, se não entendemos a semente, o início do processo, como entenderemos o inteiro processo? (cf. Marcos 4,13).

8. Para a correta compreensão das parábolas de Jesus, ou da parábola que é Jesus, importa ler atentamente a missão e lição de Isaías, que, de resto, Jesus faz sua, citando-o (cf. Mateus 13,14-15). Trata-se de uma estranha missão, aparentemente votada ao fracasso. Transcrevemos:

«Ele disse: “Vai e diz a este povo: escutai escutando, e não compreendereis; vede vendo, e não conhecereis. Engorda o coração deste povo, torna-lhe pesados os ouvidos, gruda-lhe os olhos, para que não veja com os seus olhos, e não oiça com os seus ouvidos, e não compreenda com o seu coração, e não se converta e não seja curado” (rapha’). E eu disse: “Até quando, Senhor?” Ele disse: “Até que fiquem desertas as cidades, sem habitantes, e as casas sem gente, e a terra deserta e desolada, e YHWH remova para longe a gente, e muita solidão no interior do país. E se ficar nele ainda um décimo, será por sua vez lançado ao fogo, como o carvalho e o terebinto que são abatidos, ficando lá apenas um toco (matstsebet). Semente santa (zera‘ qodesh) é esse toco (matstsebet)”» (Is 6,9-13).

É esta a verdadeira parábola da palavra e do profeta e de Jesus. Só caindo à terra, como a semente, dará fruto (cf. João 12,24). Desiludam-se os que pensam e dizem que Jesus fala em parábolas para que todos possam compreender. Na verdade, segundo o próprio dizer de Jesus, Ele fala em parábolas para que, de acordo com a lição de Isaías acima transcrita, «vejam sem ver e oiçam sem ouvir» (Mateus 13,13). É, na verdade, o que acontece. Os próprios discípulos estão sempre a pedir explicações (cf. Mateus 13,36; Marcos 4,10). E só a eles Jesus explica tudo devagar (cf. Marcos 4,34).

9. Na verdade, a parábola que é Jesus passa despercebida às multidões, e até os seus discípulos saem de cena desconcertados (cf. Marcos 14,50). Poucos chegarão a ver e a compreender que Jesus é a semente que cai à terra e morre para viver e fazer viver. Poucos chegarão a ver e a compreender que Jesus é o «toco seco», que é uma semente santa, vinda de Deus e por Deus semeada. E que dará muito fruto.

 

Se o grão de trigo, que cai na terra,

Não morrer de alegria,

Fica sozinho e triste,

E morre de desgosto

E solidão

E fogo posto.

Mas se morrer de alegria,

Dará muito fruto,

E verá longos dias,

Cheios de alegrias

E novas melodias.

 

A nossa mesa encher-se-á de pão,

E virão

Os pardais e as cotovias

Partilhar a nossa refeição.

 

Como é bom, como é belo,

Viverem unidos os irmãos,

Sentados à beira da torrente

Da paz e da alegria,

À beira da nascente

De onde nasce o dia.

 

Abençoa, Senhor, o nosso coração,

Estende, com a tua mão,

Uma toalha branca à nossa mesa,

E senta-te connosco,

À volta da tua lareira sempre acesa.

 

Como é bom estarmos aqui, Senhor,

Mesmo sem tendas levantadas,

Basta-nos o teu amor

E as nossas mãos nas tuas entrançadas.

 

António Couto