INUNDAÇÃO DE LUZ

Maio 11, 2019

1. O selêucida Antíoco IV Epifânio tinha profanado o Templo de Jerusalém, introduzindo lá cultos pagãos. Contra esta helenização e paganização do judaísmo lutaram os Macabeus, e, em 164 a.C., Judas Macabeu procede à purificação do Templo e à sua Dedicação ao Deus Vivo. Este acontecimento deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedicação, a partir de 25 do mês de Kisleu, que, no ano em curso de 2019, corresponde ao nosso dia 23 de dezembro, nas proximidades da nossa festa de Natal.

2. É no ambiente desta Festa anual da Dedicação do Templo, em pleno inverno, que se situa a perícope do Evangelho de João 10,27-30 (veja-se 10,22), proclamada neste Domingo IV da Páscoa, também Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Este Dia de Oração remonta à radiomensagem de Paulo VI, de 11 de Abril de 1964, que deu início a este Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que são um indicador seguro da vitalidade da fé e do amor de cada comunidade paroquial e diocesana, bem como o testemunho da saúde moral e espiritual das famílias cristãs, num mundo carente de mãos e corações sacerdotais.

3. A Festa da Dedicação, em hebraico hanûkkah, celebra-se durante oito dias, e tem como símbolo o candelabro de oito braços. Relata o Talmude que, quando os judeus fiéis entraram no Templo profanado pelos pagãos helenistas, encontraram uma única âmbula de azeite puro (kasher) de oliveira para reacender o candelabro de sete braços, em hebraico menôrah, que é um dos símbolos de Israel, e que deve arder permanentemente diante do Deus Vivo. Todavia, uma âmbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela única âmbula durou milagrosamente oito dias! Daí que, na Festa da Dedicação, se acenda um candelabro de oito braços, chamado hanûkkiah. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do pôr-do-sol, aumentando progressivamente até estarem acesas as oito luzes. Além disso, e ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, que alumiam o interior do Santuário e da casa de família respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedicação, refere o ritual, devem ser vistas cá fora: devem alumiar o ambiente social, político, comercial e cultural. E também ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, não se acendem todas de uma vez, mas progressivamente, uma por dia, porque, quando as condições são adversas (paganismo helenista e escuro), não basta acender uma luz e mantê-la; é preciso aumentar constantemente a luz… Mais luz! Mais luz! Mais luz!

4. Como este simbolismo é importante para os dias de hoje! Está escuro cá dentro e lá fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo é galopante! Mais do que nunca, é preciso, portanto, não apenas manter a luz, mas aumentá-la progressivamente. E está em maravilhosa sintonia com o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que salienta sempre a importância da fé e da esperança.

5. O resto é a força e a beleza da imagem do Bom e Belo Pastor, que dá a Vida Eterna às suas ovelhas, que as segura pela mão, que as conhece, enquanto elas escutam a voz do Bom Pastor e o seguem (João 10,27-29). Maravilhosa Comunhão.

6. Maravilhosa Comunhão também entre este Bom e Belo Pastor, que é o Filho, e o Pai. Texto imenso e intenso, de grande alcance trinitário: «Eu e o Pai uma Realidade somos» (João 10,30). Deixem-me pôr aqui o texto grego: egò kaì ho patêr hén esmen. O verbo está no plural: somos. Junta «Eu» e «o Pai», duas Pessoas. O predicativo, porém, não está na forma masculina, mas na forma neutra: uma Realidade (hén). Donde: o Filho e o Pai não são uma só Pessoa (da ordem da hypóstasis), mas são uma única Realidade (não coisa!, como se vê em algumas pobres traduções), uma única Substância (da ordem da ousía), como diziam bem os Padres gregos. Ó música insondável do Amor de Deus, ó admirável comunhão de três Pessoas iguais, mas distintas, ó Vida Plena e Verdadeira a nós acessível por graça! Basta, para tanto, conhecer, escutar e seguir o Bom e Belo Pastor.

7. A lição de hoje do Livro dos Atos dos Apóstolos (13,14.43-52) mostra-nos Paulo e Barnabé em Antioquia da Pisídia, antiga cidade situada no coração da Ásia Menor, atual Turquia, hoje reduzida a algumas ruínas junto da aldeia de Jalvaz. Entrando na sinagoga em dia de sábado, Paulo e Barnabé anunciaram aí, na longa perícope hoje não lida (vv. 16-41), o kêrigma tripartido da fé: a Promessa feita aos Pais, Cristo Ressuscitado, o Dom do Espírito Santo. O anúncio suscitou a fé em numerosos hebreus que, no final, se unem aos dois apóstolos (vv. 42-43). O círculo de ouvintes e crentes aumentou no sábado seguinte (v. 44), o que provocou a inveja dos judeus fiéis à sinagoga (v. 45). Vendo então que a Palavra de Deus era rejeitada pelos judeus da sinagoga, Paulo e Barnabé voltaram-se para os pagãos, que muito se alegravam e glorificavam a Deus, e abraçaram a fé (v. 48). Os dois apóstolos leem esta recusa dos judeus e a consequente oferta da salvação aos pagãos como fazendo parte do Desígnio divino, e citam a propósito Isaías 49,6: «Eu te estabeleci como luz das nações pagãs, para que leves a salvação até aos confins da terra» (v. 47). E Isaías outra vez a confirmar esta oferta da salvação a todos os povos, pondo-os todos sob a Bênção de Deus: «Bendito o Egito, meu povo, a Assíria, obra das minhas mãos, e Israel, minha herança» (Isaías 19,25). É o Evangelho sem peias nem fronteiras. Paulo e Barnabé acabaram naturalmente expulsos da cidade devido às perseguições dos judeus (v. 50). Mas o Espírito Santo ia enchendo de alegria os novos discípulos (v. 52).

8. A mesma realidade pode ver-se na lição de hoje do Livro do Apocalipse 7,9.14-17, onde a Jerusalém celeste congrega «uma multidão imensa de todas as nações, raças, povos e línguas» (v. 9). A lição é clara: os eleitos de Deus não pertencem a uma só raça ou cultura ou língua ou nacionalidade. Mas, neste povo «pentecostal», podemos logo identificar outra característica, uma espécie de verso e reverso, viver em dois teclados, dois cenários sobrepostos: os fiéis experimentam a aflição, mas vivem na alegria, a perseguição, mas vivem na glória, são atormentados, mas vivem na serenidade. Outra vez o episódio de hoje do Livro dos Atos dos Apóstolos como paradigma: em Antioquia da Pisídia levantou-se uma perseguição contra Paulo Barnabé e os primeiros crentes, e, não obstante, «os discípulos estavam cheios de alegria» (Atos 13,52) e «os pagãos alegravam-se e glorificavam a Deus» (Atos 13,48). Os eleitos do Apocalipse imitaram Cristo também no martírio, «lavando as suas vestes no sangue do Cordeiro» (Apocalipse 7,14). Experimentaram a fome e a sede, o sol e o calor ardente. Agora, porém, seguindo o ritual da Festa das Tendas (cf. Levítico 23,40), levam palmas (phoínix) na mão (Apocalipse 7,9), símbolo de vitória e de festa e de vida nova e eterna (phoínix tem o duplo significado de palmeira e fénix, a ave da imortalidade), e serão apascentados e conduzidos pelo Cordeiro às fontes de água viva (Apocalipse 7,16), e o próprio Deus enxugará com carinho as lágrimas dos seus olhos (Apocalipse 7,17; cf. Isaías 25,8).

9. Na tradição judaica, o Salmo 100 constitui uma velha, pequena oração que ressoa no nosso coração como louvor ao Deus bom, cujo amor é eterno. Intitula-se «Um cântico para a tôdah» (mizmôr letôdah), isto é, para a ação de graças ao Senhor. Este pequeno hino articula gritos de alegria, louvor, conhecimento, súplica, bênção. Agostinho comenta assim: «Deixa que a oração se transforme no teu alimento. Rezando, adquires novas energias, e Aquele a quem rezas torna-se mais doce para contigo». No centro do pequeno hino está uma profissão de fé no Senhor: o Senhor é Deus, nosso criador, que estabeleceu a aliança com Israel («nós somos o seu povo»), o amor do Senhor é para sempre, a sua fidelidade para todas as gerações (vv. 3 e 5).

 

Senhor Jesus Cristo,

Único Senhor da minha vida,

Bom Pastor dos meus passos inseguros

E do silêncio inquieto do meu coração,

Cheio de sonhos, anseios, dúvidas, inquietações.

 

Senhor Jesus,

Faz ressoar em mim a tua voz de paz e de ternura.

Eu sei que pronuncias o meu nome com doçura,

E me envias ao encontro daquele meu irmão que Te procura.

 

Fico contigo sentado junto ao poço.

Alumia o meu pobre coração.

Vejo que, de toda a parte, chega gente de cântaro na mão.

Dispõe de mim, Senhor,

Nesta hora de Nova Evangelização.

 

Que eu saiba, Senhor,

Interpretar bem a tua melodia.

Que eu saiba, Senhor,

Dizer sempre SIM como Maria.

 

António Couto


VIDA RECEBIDA, DEDICADA, DADA

Abril 21, 2018

1. Domingo IV da Páscoa. Domingo do Bom, Belo, Perfeito e Verdadeiro Pastor. É este o significado largo do adjetivo grego kalós e do hebraico tôb, que qualifica o nome Pastor. Por isso, hoje é também o Dia do Bom e Belo Pastor, e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que são sempre um dom do amor de Deus à sua Igreja e ao mundo.

2. O Evangelho que marca o ritmo deste Dia Grande é João 10,11-18, que surge enquadrado na Festa judaica anual da Dedicação do Templo (ver João 10,22). Situemo-nos. O selêucida Antíoco IV Epifânio tinha profanado o Templo de Jerusalém, introduzindo lá cultos pagãos. Isto aconteceu em 167 a. C. Contra esta helenização e paganização do judaísmo lutaram os Macabeus, e, em 164 a. C., Judas Macabeu procedeu à Purificação do Templo e à sua Dedicação ao Deus Vivo. É este importante acontecimento que deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedicação, a partir do dia 25 do mês de Kisleu, que, no ano em curso de 2018, corresponde ao nosso dia 3 de Dezembro.

3. A Festa da Dedicação, em hebraico hanûkkah, celebra-se durante oito dias, e tem como símbolo o candelabro de oito braços. Relata o Talmude que, quando os judeus fiéis entraram no Templo profanado pelos pagãos helenistas, encontraram uma única âmbula de azeite puro (kasher) de oliveira para reacender o candelabro de sete braços, em hebraico menôrah, que é um dos símbolos de Israel, e que deve arder em permanência, noite e dia, diante do Deus Vivo. Todavia, uma âmbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela única âmbula durou milagrosamente oito dias! Daí que, na Festa da Dedicação, se acenda um candelabro de oito braços, chamado hanûkkiyyah. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do pôr-do-sol, aumentando progressivamente até estarem acesas as oito luzes. Além disso, e ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, que alumiam o interior do Santuário e da casa de família respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedicação, refere o ritual, devem ser vistas cá fora: devem alumiar o ambiente social, político, comercial e cultural. E também ao contrário das luzes da menôrah e do Sábado, não se acendem todas de uma vez, mas progressivamente, uma por dia, porque, quando as condições são adversas (paganismo helenista, paganismos modernos, escuro), não basta acender uma luz e mantê-la. É preciso aumentar constantemente a luz. Mais luz. Mais. Mais luz.

4. Como este simbolismo é importante para os dias de hoje! Está escuro cá dentro e lá fora, o mundo parece desconstruir-se, o paganismo é galopante! Mais do que nunca, é preciso, portanto, não apenas manter a luz, mas aumentá-la progressivamente. E está em maravilhosa sintonia com a Luz Grande que deve alumiar este Domingo do Bom e Belo Pastor, que é Jesus, verdadeira Luz do mundo, Dom do Amor de Deus ao nosso coração. Atear esta Luz de Jesus no nosso coração é sempre o segredo maior do Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

5. O resto é a força e a beleza da imagem do Bom Pastor, que dá a Vida Eterna às suas ovelhas, que as segura pela mão, que as conhece, que as ama, enquanto elas escutam a voz do Bom Pastor e o seguem. Maravilhosa Comunhão. Música encantatória.

6. A figura do Pastor Belo e Bom como que salta da página selada, para surgir em pessoa à nossa frente. Ao dizer «Eu sou», está também, ao mesmo tempo, a dizer «vós sois». Está, portanto, a estabelecer uma relação pessoal de proximidade, confiança e intimidade connosco, bem expressa, de resto, pelos verbos «chamar pelo nome», «conhecer», «ouvir a voz», «dar a vida». Note-se que, no mundo bíblico, o «conhecimento» não exprime teoria ou teorias, mas é a expressão viva, quase corpórea, do contacto pessoal e do diálogo amoroso. O bocadinho da Primeira Carta de S. João, hoje lido (3,1-2), mostra também a maravilha deste conhecimento novo, que faz de nós «filhos de Deus» (tékna Theoû) e «semelhantes a Ele» (hómoioi autô). Em boa verdade, «só o semelhante conhece o semelhante». Por isso e para isso, Deus se fez primeiro semelhante a nós, homem verdadeiro, para nos tornar depois semelhantes a Ele, «deuses por graça» (cf. João 10,34-35). Por isso também, Jesus, o Filho, nos dá a conhecer tudo o que ouviu do Pai (João 15,15), o divino colóquio. E se, na inteira história humana, se pode afirmar, como faz a Escritura Santa, que «nunca ninguém viu Deus» (João 1,18), essa visão, em versão transformante, fica, todavia, em aberto, para o cume da nossa vida de filhos de Deus, como diz o Apóstolo, hoje: «semelhantes a Ele seremos, porque o veremos como Ele é» (1 João 3,2).

7. Mas esta vida livre, verdadeira, plena e bela, assente na verdade e na confiança, sem mentiras nem imposturas nem malabarismos, deixa ver em expresso contraponto o seu oposto. É que também saltam da página os ladrões, os salteadores, os mercenários, que, em vez de conjugarem os verbos acima indicados para traduzir a relação do Pastor Belo e Bom com o seu rebanho, conjugam antes os verbos «roubar», «matar», «destruir», «abandonar», «fugir». Como esta página antiga e sempre nova de João 10,11-18 lê e desvenda os tempos de hoje! Pedro já tinha montado este cenário no Sinédrio (Atos 4,8-12), apresentando outra vez aos chefes do povo e anciãos (Atos 4,8), membros do Sinédrio, este Jesus, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos (Atos 4,10), como o único em que há salvação (Atos 4,12). Ele é o Bom e Belo Pastor, dador de vida, face ao qual os membros do Sinédrio fazem claramente a figura de mercenários, impostores e ladrões! Mas esta história seriada vem já da primeira página do Génesis, desde aquele fruto a nós dado (Génesis 1,29), ou por nós furtado (cf. Génesis 3,6) – fruto de um furto! –, história que emerge novamente nas últimas páginas de Mateus, que nos mostram ainda melhor o verdadeiro fruto a nós dado na Eucaristia (Mateus 26,26-29) e no Ressuscitado, Fruto novo que deve ser dado a toda a gente (Mateus 28,1-10.16-20), vendo-se, todavia, já no escuro, em contraluz, os impostores que congeminam e propagam, para tentar anular a força daquele Fruto, a lenda de um furto (Mateus 27,62-66; 28,11-15).

8. Mas o texto grandioso de João 10,11-18 passa também mensagens intemporais que, em cada tempo e lugar, devem interpelar a comunidade cristã. Assim, quando Jesus diz: «Eu sou a porta», não está a usar uma linguagem da ordem da arquitetura e da carpintaria. É de uma porta pessoal que se trata. E esta porta pessoal tem um nome e um rosto: Jesus de Nazaré, Jesus de Deus. E esta porta serve para «entrar e sair». «Entrar e sair» é um merisma [= figura literária que diz o todo acostando duas extremidades] que traduz a nossa vida toda. É a nossa vida toda sempre em referência a Jesus Cristo. Entende-se, não com a atual criação industrial de gado, em que os animais estão quase sempre em clausura e o pasto lhes é fornecido em manjedouras apropriadas, visando sempre uma maior produtividade, mas com os «apriscos» [= mais abrir do que fechar, como indica o étimo latino «aprire»] antigos, em que os animais se recolhiam apenas para se protegerem do frio da noite e dos assaltos das feras ou dos ladrões, e procuravam fora o seu alimento, sempre conduzidos pelo pastor.

9. Note-se ainda que os Evangelhos falam sempre de rebanho, e não de ovelhas separadas. Quando falam de uma ovelha sozinha, é para descrever a situação negativa de uma ovelha desgarrada ou perdida, que se perdeu do rebanho ou da comunidade, e deixou de seguir o pastor e de ouvir a sua voz. Note-se também que as ovelhas «entram pela porta», mas não é para ficarem descansadas e recolhidas, fechadas sobre si mesmas. É para sair, pois é fora que encontrarão pastagem. Lição para a comunidade dos discípulos de Jesus de hoje e de sempre: o trabalho belo que nos alimenta e nos mantém saudáveis espera-nos lá fora! Que Deus nos dê então sempre um grande apetite!

10. Cantemos por isso o Salmo 118, que é o último canto do chamado «Pequeno Hallel Pascal» (113-118), mas que era seguramente cantado noutras festividades de Israel, nomeadamente na Festa das Tendas, tendo em conta o seu teor processional, e até a sua distribuição por coros. Este Salmo levanta-se do meio da alegria própria da Festa («Este é o dia que o Senhor fez,/ nele nos alegremos e exultemos!»: v. 24) e eleva ao Deus sempre fiel uma grande Ação de Graças por todas as maravilhas que Ele tem realizado em favor do seu povo. Sim, toda a nossa energia e toda a melodia que nos habita é o próprio Senhor, conforme o belíssimo v. 14: «Minha força e meu canto YAH!», que soa assim em hebraico: ‘azzî wezimrat YAH. Além do nosso Salmo, a expressão densa e impressiva encontra-se ainda em Êxodo 15,2 e Isaías 12,2. YAH está por YHWH. O refrão que vamos cantar faz-nos olhar para Jesus, pedra rejeitada pelos construtores, que veio a tornar-se, na verdade, pedra angular na construção do edifício espiritual, novo, que se constrói a partir do cume, e não, à nossa maneira, desde baixo, sobre pesados alicerces. Ele é o nosso único Salvador. Por isso, este grande Salmo transborda de Ação de Graças.

11. Concede-nos, Senhor, Belo e Bom Pastor, que nunca nos tresmalhemos do teu imenso amor, e que saibamos sempre levar o tom e o sabor da tua voz que chama e ama a cada irmão perdido em casa ou numa estrada de lama.

 

Senhor Jesus Cristo,

Único Senhor da minha vida,

Bom Pastor dos meus passos inseguros

E do silêncio inquieto do meu coração,

Cheio de sonhos, anseios, dúvidas, inquietações.

 

Senhor Jesus,

Faz ressoar em mim a tua voz de paz e de ternura.

Eu sei que pronuncias o meu nome com doçura,

E me envias ao encontro daquele meu irmão que Te procura.

 

Fico contigo sentado junto ao poço.

Alumia o meu pobre coração.

Vejo que, de toda a parte, chega gente de cântaro na mão.

Dispõe de mim, Senhor,

Nesta hora de Nova Evangelização.

 

Que eu saiba, Senhor,

Interpretar bem a tua melodia.

Que eu saiba, Senhor,

Dizer sempre SIM como Maria.

 

António Couto